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Um sol reduzido

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Quem escreve cria sua linguagem aos poucos. Na verdade, o escrevedor precisa aprender a falar com sua própria voz. E é pelo exercício da vida, pela criação de si por si, que chegamos a escrever, e ousaria dizer: a viver.Mas não é fácil. Estamos mais pobres como pessoa. A sociedade moderna tornou-se alheia ao ser humano. Parece que a pessoa virou um objeto estranho no mundo. Resta pouco da pessoa. Há uma busca intensa por dinheiro para nos apossarmos das coisas, e viramos coisas também. É que essa loucura pelo dinheiro e posses reduz a gente.O ser humano para tentar superar essa redução sofrida, esse sentimento de vazio interior, de impotência, coloca na coisa, que se apossou pelo dinheiro, seu amor, sua inteligência, sua coragem, sua honra, as suas próprias qualidades humanas, e se esvazia ainda mais.Nem lembra que possuir é quase uma ilusão. Não é possível possuir-se a si mesmo, nem mesmo as coisas do mundo podem ser realmente possuídas. Mesmo que tenhamos algo materialmente, não temos acesso ao seu mistério, à sua essência. Não conseguimos acessar plenamente nem o mundo, nem a nós mesmos.A linguagem lógica do escritor não passa de um elemento, e um elemento desvivo, da linguagem total.Parece difícil para alguns viver com apenas o suficiente, já que tudo é feito para que nunca seja suficiente. Mas esse é o único jeito para que as coisas não roubem nossa liberdade.Temos que aprender a galopar para dentro, ir às ruínas, fazer escavações e descobrir, a partir dos restos visíveis, a parte sepultada. Não dá para aceitar que cada ser seja somente aquilo que pareça, deve-se reconhecer o direito de ser para além dos limites do visível.A linguagem nos ajuda a respirar bem, por ela o mundo vem respirar em nós, vem curar nossas asmas fonéticas e semânticas, nossa angústia, nossa diminuição humana. Ensina o doente angustiado a boa respiração. Assim como o bom pintor constrói seu olhar e o bom cantor constrói sua voz, constrói você sua linguagem. A linguagem da pessoa é um sol reduzido, portátil. É o sol de um mundo. O universo gira em torno de você, amigo leitor!

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT investiga contratações temporárias na Educação

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A 8ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Educação de Cuiabá instaurou três inquéritos civis para apurar as condições de contratação de profissionais da educação nas redes estadual de Mato Grosso e municipais de Cuiabá e Acorizal. O objetivo é verificar a realização de concursos públicos ou processos seletivos, bem como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), política criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2026 para aprimorar a seleção de professores da educação básica no país.Conforme o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, a iniciativa busca levantar informações para avaliar a possível dependência de contratações temporárias, a eventual ausência de concursos públicos regulares, a adesão à política nacional de seleção de docentes (PND) e a existência de planejamento estruturado para a valorização da carreira.O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determinou o envio de ofícios à Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), e às secretarias municipais de Educação de Cuiabá e de Acorizal, requisitando informações como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), ou, em caso negativo, as justificativas e a previsão de adesão; a data de realização do último concurso público ou processo seletivo; e a existência de previsão para novas seleções, com a apresentação de cronograma.As instituições também deverão encaminhar relação atualizada dos profissionais da educação, com detalhamento por função, local de lotação e tipo de vínculo (efetivo ou temporário). O MPMT requisitou ainda informações sobre o planejamento de políticas de valorização da categoria, incluindo estruturação de carreiras, recomposição do quadro efetivo e adoção de processos seletivos mais técnicos, transparentes e impessoais.O promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior considerou que que dados do Censo Escolar indicam que, nos últimos anos, tem havido aumento no número de professores temporários no país, em desacordo com a previsão constitucional e legal. Em algumas redes estaduais, mais de 70% do corpo docente possui vínculo precário.Considerou também levantamento baseado em painel de Business Intelligence (BI) do MEC aponta que Cuiabá está classificada como Prioridade 3, com 5,5% de inadequação docente, 83% de profissionais concursados e último concurso realizado entre seis e oito anos. Já o município de Acorizal também figura na Prioridade 3, com 53,5% de inadequação docente, 64% de profissionais concursados e ausência de informações sobre o último concurso público na área da educação, bem como sobre a existência de Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) para a categoria.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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