POLÍTICA NACIONAL

Parlamentares mulheres cobram ações robustas para promover igualdade de gênero no BRICS

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Parlamentares mulheres dos países do BRICS cobraram, na 3ª sessão de trabalho desta terça-feira (3), atitudes mais robustas para impulsionar a igualdade de gênero entre os países do bloco. Segundo elas, o grupo pode ser estratégico na negociação da agenda de empoderamento feminino, com acordos multilaterais para promover transferência de tecnologia em saúde da mulher, aumento da participação em espaços decisórios, redução da violência política e condições laborais equitativas.

Elas participam da Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS, em Brasília.

A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) citou a declaração de Kasan, da última cúpula do bloco em 2024, na Rússia, na qual o papel das mulheres na economia global aparece em apenas 6 dos 134 parágrafos que totalizam o documento.

“Durante todo o período de funcionamento do BRICS fomos ignoradas na maioria dos nossos países e nos compromissos públicos assumidos pelo bloco. É o nosso papel e a nossa tarefa mudar essa história”, disse.

A parlamentar observou que a representação política feminina nos países do BRICS ainda é reduzida: apenas dois países têm a paridade ou a maioria de mulheres nas câmaras legislativas. A maioria dos 11 países do bloco tem menos de 30% da representação feminina, tanto nos parlamentos quanto nos ministérios.

Em sua avaliação, isso se deve, em parte, ao acesso desigual à educação. “No Brasil, já temos mais mulheres do que homens no ensino superior completo. No entanto, ainda somos minoria em áreas como ciências exatas e tecnologias, reduzindo a nossa presença em espaços considerados menos femininos”, disse.

Dorinha Seabra acrescentou que, no Brasil, onde vigora a cota de 30% de candidaturas de mulheres para representação no Congresso, a bancada feminina ainda luta para que essa reserva não seja “simplesmente eliminada”.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
3ª Sessão de trabalho das Mulheres Parlamentares. Dep. Dandara (PT - MG)
Deputada Dandara

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Desigualdade estrutural
Para a deputada Dandara (PT-MG), o Brasil pode contribuir com propostas concretas ao longo de sua presidência no BRICS. Em sua visão, o País pode apoiar a o debate sob um ponto de vista estrutural, que considere a desigualdade de gênero com raiz na divisão sexual do trabalho, na subordinação dos afazeres domésticos e do cuidado, e na exclusão de mulheres do poder econômico e tecnológico.

“Não há sustentabilidade sem justiça racial. Reconhecer as desigualdades estruturais que nos atravessam é condição para desenhar políticas públicas eficazes tanto nacionais quanto multilaterais que sejam sensíveis a gênero, raça, classe e território”, disse.

Mortalidade materna
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT), procuradora da mulher da Câmara, acredita que o debate sobre equidade de gênero deve passar por políticas públicas que privilegiem a saúde feminina.

Ela citou pesquisa da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) que apontou para a morte de 712 mulheres por dia devido a complicações na gravidez ou no parto em 2023, totalizando 260 mil óbitos anuais. Segundo esses dados, 94% das mortes ocorreram em países de baixa e média renda, muitas vezes em áreas rurais em comunidades empobrecidas.

“Esses dados revelam que, apesar de existirem soluções preventivas conhecidas, o acesso a serviços de saúde de qualidade é limitado para as mulheres pobres. É urgente reverter esse quadro, para isso deve-se priorizar o acesso universal aos cuidados pré-natais, ao parto seguro e ao apoio pós-parto nas regiões mais vulneráveis”, defendeu.

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Políticas inclusivas
Para Shabari Byreddy, do Parlamento indiano, é essencial que o empoderamento de mulheres não seja visto apenas como uma questão de justiça social, mas um requisito para o progresso nacional. Ela citou políticas públicas realizadas em seu país, como a expansão do acesso ao crédito – 70% das contas bancárias formais estão nas mãos de indianas – e construção de moradias – 30 milhões de casas foram aprovadas com a maioria registrada em nome de mulheres.

“Nós, como parlamentares do BRICS, nos comprometemos em ser a vanguarda dessa mudança, para que cada mulher e menina possa realizar todo o seu potencial contribuindo para a prosperidade e resiliência de nossas nações”, disse. Ela frisou que 1/3 das vagas é reservada a indianas na Câmara Baixa e nas assembleias legislativas estaduais na Índia.

Considerando que as mulheres constituem mais da metade da população global, Zandile Majozi, da Assembleia Nacional da África do Sul, acredita ser essencial superar as barreiras estruturais no mercado de trabalho, que passam pela desigualdade de salários e preconceito. Assim, a grande maioria das mulheres são forçadas a ganhar a vida fora da economia formal.

“Na maioria das sociedades ao redor do mundo, as mulheres ocupam apenas a minoria das posições de tomada de decisão das instituições. Os avanços das últimas décadas são evidentes em todas as regiões e na maioria dos países, mas têm sido lentos”, lamentou.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova regras nacionais de segurança para escolas de natação infantil

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A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 7119/25, que estabelece diretrizes nacionais de segurança, prevenção de acidentes e primeiros socorros em escolas de natação para crianças.

A proposta determina que esses estabelecimentos devem contar permanentemente com profissionais habilitados e capacitados especificamente para o público infantil. O texto também define limites técnicos de quantidade de crianças por instrutor para garantir uma supervisão individualizada e contínua.

Pelo projeto, as academias e escolas de natação deverão dispor de equipamentos de segurança aquática e manter um plano de emergência estruturado para casos de afogamento ou mal súbito. As regras de infraestrutura incluem a obrigatoriedade de pisos antiderrapantes, cercamento de piscinas e controle rigoroso de acesso às áreas aquáticas. Além disso, os profissionais deverão realizar treinamentos periódicos em técnicas de ressuscitação cardiopulmonar.

O autor da proposta, deputado Amom Mandel (Republicanos-AM), argumenta que a falta de diretrizes nacionais uniformes contribui para diferenças de padrão entre as escolas.

O relator, deputado Luiz Lima (Novo-RJ), que é ex-atleta olímpico e formado em Educação Física, defendeu o projeto por considerar que o ambiente aquático exige protocolos rigorosos. “A piscina é espaço de aprendizado, disciplina e superação, mas também exige preparo técnico, supervisão constante e protocolos rigorosos de segurança, sobretudo quando se trata do público infantil”, pontuou.

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O texto aprovado contém apenas uma mudança técnica sugerida pelo relator, que excluiu o prazo fixo de regulamentação, permitindo que o Poder Executivo estabeleça livremente os critérios para a fiscalização da lei.

Estabelecimentos que não seguirem as novas diretrizes estarão sujeitos a sanções administrativas, civis e penais.

Próximas etapas
A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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