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Serviço especializado atendeu mais de 90 mulheres

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Criado para oferecer suporte especializado a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, o Espaço Caliandra do Ministério Público Estadual de Mato Grosso, tem se consolidado como referência em acolhimento humanizado na capital. Em funcionamento desde dezembro de 2022 e com equipe multiprofissional completa desde 2024, o serviço atendeu 93 mulheres entre maio de 2024 e maio de 2025, oferecendo apoio psicológico, orientação social e assistência jurídica.O Espaço, que funciona na Sede das Promotorias de Justiça, em Cuiabá, integra o Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar, coordenado pela promotora de Justiça Claire Vogel Dutra. A equipe é composta por uma psicóloga, uma assistente social, uma assessora jurídica e uma estagiária de assistência social, que atuam de forma integrada na atenção humanizada e promoção dos direitos das mulheres atendidas.Durante o período de um ano, 193 demandas jurídicas foram registradas, beneficiando 85 mulheres com medidas protetivas ou processos judiciais em andamento. O trabalho técnico da equipe resultou ainda em 35 comunicados de crimes, 38 relatórios psicossociais e 36 encaminhamentos para serviços da rede de enfrentamento da violência doméstica e familiar de Cuiabá.Para a promotora de Justiça Claire Vogel, o Espaço Caliandra é mais do que um serviço. “Aqui oferecemos refúgio, apoio, dignidade e reconstrução para mulheres que enfrentam a violência em suas diversas formas. O trabalho conjunto das profissionais tem demonstrado que a intervenção especializada e humanizada pode fazer toda a diferença na vida de quem precisa recomeçar, ou apenas ser ouvida”, disse. Nesta semana, a advogada Karime Oliveira Dogan esteve no Espaço Caliandra acompanhando sua cliente. Após buscar apoio em outras instituições, elas procuraram o Ministério Público e foram escutadas com respeito e atenção no Espaço Caliandra. “O atendimento foi excelente. Quero agradecer à equipe do Espaço Caliandra e divulgar esse espaço para colegas que atuam na defesa de mulheres em situação de violência e para as mulheres que sofrem violência e precisam de escuta, apoio e orientação”, destacou. Atendimento personalizado – O Espaço Caliandra realiza, em média, três atendimentos por semana, muitos deles encaminhados pelas próprias Promotorias de Justiça. No entanto, o local também atua como porta aberta, permitindo o acesso espontâneo de mulheres que buscam ajuda individualizada para superar situações de violência, além de orientações para acessar programas sociais e outros serviços da rede de enfrentamento da violência doméstica. A assistente social Itana Lua Silva Santana destaca que o atendimento às mulheres em situação de violência exige uma escuta qualificada, capaz de acolher e compreender a mulher em sua totalidade. “As mulheres chegam até nós em situação de violência, mas é fundamental enxergá-las em sua totalidade. Nosso trabalho vai além do acolhimento e da escuta ativa — buscamos sempre realizar os encaminhamentos adequados e articular com a rede municipal de enfrentamento à violência. Mantemos contato constante com os serviços da rede para garantir a melhor intervenção possível e, sobretudo, evitar a revitimização dessa mulher. Atuamos sempre com o compromisso de romper a rota crítica da violência, em uma perspectiva de cuidado integral e intersetorial”. explicaOs principais encaminhamentos estão voltados ao apoio psicológico, emocional e social, como o Espaço de Acolhimento do Hospital Municipal de Cuiabá, CAPS, CRAS, e instituições especializadas, além de políticas públicas como o Programa Ser Família Mulher e a rede de educação. Já a assessora jurídica Ana Paula Sampaio Gomes detalha que muitos dos atendimentos jurídicos envolvem o descumprimento de medidas protetivas, comunicados pela Patrulha Maria da Penha, denúncias feitas à Ouvidoria do Ministério Público, ou comunicação de fatos novos no processo. Esses casos são relatados às Promotorias, que analisam os processos criminais ou civis relacionados para eventuais manifestações nos autos. “O atendimento jurídico é muito por telefone, mas também realizamos orientações presenciais e por mensagem instantânea e articulamos com outras instituições para garantir a segurança e os direitos das mulheres”, explicou Ana Paula.Acolhimento com sensibilidade – A psicóloga Vastir Maciel relata que muitas mulheres chegam ao Espaço Caliandra em estado de extrema fragilidade emocional, geralmente acompanhadas dos filhos. Enquanto as mães são atendidas, as crianças são acolhidas em uma pequena brinquedoteca, pensada para garantir conforto e segurança durante o processo de escuta da assistida. “O primeiro passo é garantir que a mulher se sinta ouvida, respeitada e compreendida. A escuta qualificada é essencial para que ela possa reconstruir sua autonomia e romper o ciclo da violência”, afirma Vastir.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Projeto Âmbar coloca saúde mental no centro da gestão do MPMT

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Cuidado com as pessoas como estratégia institucional. Com esse propósito, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) lançou oficialmente, na noite de quarta-feira (17), o “Projeto Âmbar – Prevenir para Cuidar”, uma iniciativa voltada à prevenção de riscos psicossociais e à promoção da saúde mental no ambiente de trabalho. O lançamento ocorreu durante a abertura da capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal” e foi conduzido pela promotora de Justiça Gileade Pereira Souza Maia, coordenadora do Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho – Vida Plena.“Resultados sustentáveis não decorrem de exaustão. Instituições fortes não se constroem sobre sofrimento silencioso”, afirmou a promotora de Justiça ao apresentar a proposta. “Hoje começa algo novo. O MP tem uma missão extraordinária. Defender a sociedade exige pessoas inteiras. Pessoas inteiras precisam de ambientes que as protejam”, acrescentou.A iniciativa foi concebida a partir de um levantamento realizado pelo Vida Plena, que apontou que, entre 2019 e 2022, a principal causa de afastamento no MPMT esteve relacionada ao sofrimento psíquico. “Percebemos que a forma como organizamos o trabalho pode adoecer as pessoas. E isso não é fraqueza de quem adoece, é uma característica do sistema. Mas é importante destacar que sistemas podem ser redesenhados”, afirmou Gileade Maia. Diante desse cenário, o Vida Plena estruturou o Projeto Âmbar com foco na formação de lideranças para a identificação, prevenção e redução dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Ao lançar a iniciativa, a promotora de Justiça ressaltou que o projeto surgiu da escuta atenta dos integrantes da instituição, da análise de dados e da compreensão de que o cuidado precisa anteceder o adoecimento. “Prevenir para cuidar não é slogan. É uma inversão de lógica. Em vez de esperar o adoecimento para agir, o Âmbar propõe que a instituição se mova antes”, explicou.Gileade Maia também agradeceu ao procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, pelo apoio à implementação do projeto, destacando que o incentivo da Administração Superior foi fundamental para transformar a proposta em uma política institucional voltada ao bem-estar e à saúde emocional de membros e servidores.Durante a apresentação, a promotora explicou ainda o significado do nome escolhido. Segundo ela, o âmbar é uma resina vegetal capaz de reagir rapidamente para proteger uma lesão, formando uma barreira duradoura ao longo do tempo. “Assim, o Projeto Âmbar vem para identificar fissuras antes que virem rupturas”, destacou.A proposta, conforme a coordenadora do Vida Plena, está alinhada às diretrizes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ao Planejamento Estratégico Institucional (PEI) 2024-2031 e às atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir a gestão dos riscos psicossociais no ambiente laboral.A meta estabelecida para 2026 é capacitar 30 lideranças das áreas meio e finalística para reconhecer, prevenir e minimizar fatores que possam comprometer a saúde das equipes. A escolha desse público, explicou a promotora, está relacionada ao papel decisivo que a liderança exerce na cultura organizacional.“O coração do Projeto Âmbar não se trata de transformar gestores em terapeutas. Trata-se de reconhecer que falhas organizacionais geram impactos graves e mensuráveis na saúde das equipes – e que líderes capacitados são decisivos para preveni-los”, garantiu. Segundo Gileade Maia, a formação oferecerá instrumentos práticos para que gestores desenvolvam uma liderança mais saudável e atenta aos fatores de risco presentes no cotidiano das equipes. Os próximos passos do projeto incluem a realização, em agosto, de quatro oficinas destinadas às lideranças participantes, conduzidas por facilitadores internos capacitados. Entre os resultados esperados estão a redução dos afastamentos por sofrimento psíquico, a melhoria do clima organizacional com o fortalecimento das relações de trabalho, o estímulo à criatividade e o aumento do sentimento de pertencimento à instituição.Assista aqui ao vídeo de apresentação do projeto.Abertura – A capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal” ocorre no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, e segue até sexta-feira (19), reunindo membros e servidores do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).Na abertura do evento, o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, destacou a importância de tratar a saúde mental como um tema estratégico para a instituição, defendendo a adoção de medidas preventivas voltadas à proteção de membros e servidores. Ele também ressaltou a relevância da capacitação diante dos desafios contemporâneos da atuação ministerial, especialmente nas áreas de integridade, processo eleitoral e responsabilização, enfatizando que o cuidado com as pessoas está diretamente relacionado ao fortalecimento das instituições.“Quando uma árvore sofre uma lesão, quando o ambiente lhe impõe uma pressão além do suportável, ela não recua. Do seu interior emerge uma resina densa, viva e protetora. Com o tempo, essa resina endurece, preserva, sustenta e torna-se âmbar. É com esse espírito que o Ministério Público do Estado de Mato Grosso lança hoje o Projeto Âmbar – Prevenir para Cuidar, iniciativa do Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho, por meio do Vida Plena, que nasce da coragem institucional de olhar para dentro e reconhecer que nossos integrantes merecem proteção antes que o sofrimento se instale”, afirmou.Ao mencionar o estudo “Atenção à Saúde Mental de Membros e Servidores do Ministério Público: Fatores Psicossociais no Trabalho”, realizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no contexto da pandemia de Covid-19, o procurador-geral observou que a classificação de risco psicossocial médio nos Ministérios Públicos brasileiros não representa um cenário de tranquilidade, mas um alerta que exige atenção das instituições. “A nossa própria série histórica de afastamentos mostra que o sofrimento psíquico figura entre as principais causas. Não podemos ignorar essa realidade e não vamos ignorá-la”, ressaltou Rodrigo Fonseca Costa. Ao abordar os temas que integram a programação da capacitação, o procurador-geral chamou atenção para a relação existente entre saúde mental, integridade institucional e atuação ministerial. “Integridade e saúde mental. Direito Eleitoral e bem-estar. Probidade e prevenção. Esses temas parecem distintos, mas habitam o mesmo território: o território do respeito às pessoas e às instituições. Quando um membro ou servidor adoece é porque o ambiente se tornou insustentável. Há um custo humano, mas também um custo para a nossa missão constitucional”, asseverou.Rodrigo Fonseca Costa acrescentou que, da mesma forma, quando a integridade é comprometida, o processo eleitoral é manipulado ou a probidade é violada, toda a sociedade é impactada. “Cuidar de quem faz o Ministério Público é, portanto, também uma questão de responsabilidade pública”, concluiu. O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), escola institucional do MPMT, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância da capacitação como espaço de reflexão e atualização sobre temas estratégicos para a atuação ministerial. Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a integridade pública, a governança e o enfrentamento à corrupção, além de destacar a pertinência do Projeto Âmbar diante dos desafios relacionados à saúde mental e às relações interpessoais no ambiente de trabalho. “Alguém precisa cuidar daquele que cuida. Lidamos com questões sensíveis, somos seres humanos e dependentes uns dos outros. Que possamos alcançar não apenas a consciência, mas também uma forma melhor de viver as relações interpessoais”, afirmou.O presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto, também ressaltou a relevância da capacitação por reunir temas diretamente ligados à atividade-fim do Ministério Público, contemplando áreas como Direito Eleitoral, improbidade administrativa e responsabilização criminal. Segundo ele, a discussão sobre integridade pública permanece atual e demanda atenção permanente das instituições. “Como instituição, o Ministério Público tem papel fundamental nesse processo. A defesa da integridade é uma missão permanente e, por mais difíceis que sejam os desafios, não podemos desistir dela. É exatamente esse compromisso que nos reúne aqui”, destacou.

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Fotos: Chico Ferreira.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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