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Encerramento de Congresso destaca desafios e avanços na insolvência do agronegócio

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O VII Congresso de Reestruturação e Recuperação Empresarial, finalizado na sexta-feira (05 de setembro), contou com a participação de magistradas e magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), além de renomados ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), promotores, advogados e especialistas do setor. O evento, promovido pela OAB-MT, foi realizado de 3 a 5/09 e consolidou-se como um espaço de debate técnico e multidisciplinar sobre os desafios da insolvência empresarial, com foco especial no agronegócio.

No painel dedicado à “Insolvência do Empresário Rural”, realizado no período vespertino, o juiz Renan Carlos Leão Pereira do Nascimento, da 4ª Vara Cível de Rondonópolis, presidiu os debates. Com 12 anos de atuação na vara especializada em recuperação judicial, Renan destacou as particularidades do produtor rural diante das exigências legais para deferimento do pedido de recuperação.

“Uma das grandes preocupações do juízo, no momento do deferimento da recuperação judicial do produtor rural, é saber se devemos seguir rigorosamente a letra da lei ou a realidade do campo. O artigo 51 da Lei de Recuperação Judicial exige uma série de documentos comuns a sociedades comerciais, mas que muitas vezes não condizem com a realidade dos pequenos produtores rurais, que trabalham em família, sem estrutura formalizada”, explicou o magistrado.

Renan reforçou que muitos produtores têm sua contabilidade baseada apenas no Imposto de Renda de Pessoa Física, sem balanços patrimoniais formais, situação que frequentemente motiva a contestação dos credores e a suspensão da recuperação. “Trata-se, em geral, de produtores idosos, que nunca precisaram formalizar suas atividades de maneira completa até enfrentar crises, como secas ou quebras de safra, que os levam a recorrer ao instituto da recuperação judicial”, acrescentou.

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Ele também destacou casos exitosos de mediação prévia, onde foram negociadas liberações parciais de bens financiados, como tratores e estoques agrícolas, possibilitando a continuidade da produção e o pagamento dos débitos. “Acredito que a recuperação judicial do produtor rural não pode ser avaliada apenas pelo prisma jurídico formal, mas deve considerar a realidade sociológica do campo”, defendeu.

No painel seguinte, sobre “Reestruturação Empresarial e Insolvência na Jurisprudência do STJ”, a desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, do TJMT, e os ministros Teodoro Silva Santos e Raul Araújo, do STJ, participaram como debatedores.

A desembargadora Anglizey ressaltou a relevância da integração entre o Judiciário estadual, o STJ e a advocacia para o aperfeiçoamento do sistema de insolvência no Brasil. “O agronegócio, principal atividade econômica do Mato Grosso, esteve presente em quase todos os painéis do congresso, mostrando a maturidade e evolução na correta aplicação da lei no setor. Este painel de encerramento trouxe uma atualização da jurisprudência do STJ, fundamental para orientar a atuação dos operadores do direito”, afirmou.

O ministro Teodoro Silva Santos destacou a importância social da recuperação judicial e seu papel no Estado Democrático de Direito. “A recuperação judicial não é uma punição, mas um instrumento democrático para que o empresário em dificuldade possa se reerguer, preservar empregos, pagar tributos e continuar contribuindo para a sociedade. O judiciário, o Ministério Público e a advocacia precisam atuar de forma integrada para garantir esse equilíbrio”, afirmou.

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Teodoro chamou ainda a atenção para o crescimento dos pedidos de recuperação e para a necessidade de negociação entre credores e devedores, ressaltando que “a recuperação é um estado de pré-falência e a nossa torcida é que as empresas consigam superar esse momento”.

Já o ministro Raul Araújo, relator de importantes processos sobre insolvência no STJ, ressaltou os desafios enfrentados no agronegócio. “Apesar do crescimento da produção, temos uma elevação preocupante dos pedidos de recuperação judicial. Isso traz à tona a tensão entre credores, que buscam garantir seus créditos excluindo-os do plano, e devedores, que necessitam de flexibilização. É essencial que haja disposição para renegociação para preservar o instituto da recuperação judicial”, destacou.

Raul ainda enfatizou a importância do congresso promovido pela OAB-MT. “Essa iniciativa é muito feliz, pois trata do setor mais importante do Brasil, o agronegócio, que exige constante atualização e diálogo entre todos os operadores do direito”, concluiu.

Fotos: Assessoria OAB/MT

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Especialista destaca papel da leitura na ressocialização: “Uma biblioteca precisa ter vida”

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Foto horizontal que mostra um carrinho cheio de livros, em primeiro plano. Em segundo plano, desfocado, aparece a sala de aula com mulheres privadas de liberdade sentadas nas carteiras. A formação de acervos bibliográficos adequados à realidade das pessoas privadas de liberdade e o trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação foram apontados como fatores essenciais no fortalecimento dos projetos de remição de pena pela leitura durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, realizada nesta terça-feira (2) pelo Poder Judiciário Estadual, em formato virtual. O evento prossegue nesta quarta-feira (3).

Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), pela Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Secretaria de Estado de Educação) e pelo Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/SAAP/Secretaria de Estado de Justiça), o evento reuniu profissionais que atuam nas unidades prisionais de Mato Grosso para debater estratégias de ampliação do acesso à leitura e à educação no cárcere.

Durante a palestra “A Importância da Formação de Coleções de Livros na Unidade Prisional Para a Remição pela Leitura”, a bibliotecária e chefe da Biblioteca Central da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas, Andrea Oliveira Melo, destacou que uma biblioteca prisional deve ser planejada a partir das necessidades do público atendido e não apenas como um espaço destinado ao armazenamento de livros.

Com experiência na área desde 2012, a especialista ressaltou que a construção de um acervo eficiente exige planejamento, seleção criteriosa e atualização constante das obras disponibilizadas.

“A formação de coleções é fruto de um processo de planejamento. Precisamos decidir o que fará parte daquele acervo e compreender que uma biblioteca não é apenas um local com estantes e livros. Para ser uma biblioteca viva, ela precisa ser utilizada e ter foco nas pessoas que atende. Isso envolve seleção, qualificação, validação e até mesmo a retirada de materiais que já não atendem às necessidades daquele público”, explicou.

A palestrante lembrou que a Lei de Execução Penal determina que todas as unidades prisionais devem possuir biblioteca para atender as pessoas privadas de liberdade e destacou que o acesso ao livro representa uma importante ferramenta de inclusão e reinserção social.

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“O livro serve para aproximar a pessoa novamente da sociedade. Quando lemos, vivenciamos histórias, ampliamos horizontes e construímos novos conhecimentos. Por isso, precisamos compreender as particularidades da população prisional, que muitas vezes teve acesso limitado à educação e aos bens culturais ao longo da vida”, afirmou.

Andrea também chamou a atenção para os desafios enfrentados no Amazonas em razão das grandes distâncias geográficas e das condições de acesso às unidades prisionais. Segundo ela, apesar das dificuldades, o objetivo permanece o mesmo: garantir que a leitura alcance todos os custodiados, independentemente de estarem matriculados em atividades escolares formais.

Ao apresentar os resultados alcançados pelo sistema prisional do Amazonas, Andrea Oliveira Melo destacou que os projetos de remição pela leitura já beneficiaram 3.974 pessoas privadas de liberdade, conforme dados atualizados até maio de 2026.

A especialista também alertou para a importância da seleção adequada dos materiais disponibilizados aos leitores, especialmente no caso de obras técnicas, que exigem acompanhamento criterioso para garantir que atendam aos objetivos educacionais e de ressocialização previstos nos projetos de leitura.

Durante a palestra, Andrea compartilhou experiências exitosas desenvolvidas nas unidades prisionais do Amazonas, entre elas iniciativas de incentivo à leitura, campanhas de arrecadação de livros e parcerias institucionais voltadas ao fortalecimento dos acervos bibliográficos.

Outro exemplo apresentado foi a parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio de um projeto de extensão que teve início no Centro de Detenção Feminino e atualmente também é desenvolvido em unidade masculina.

“Hoje contamos com cerca de 15 estudantes envolvidos. O mais interessante é que, além de trabalharmos a reescrita e a produção textual, todos os livros utilizados nas atividades são posteriormente doados para as bibliotecas prisionais, contribuindo para ampliar os acervos disponíveis”, explicou.

Ao encerrar sua participação, a bibliotecária compartilhou uma reflexão que, segundo ela, traduz o significado da leitura dentro do sistema prisional:

“Podem aprisionar meu corpo, mas enquanto houver um livro, minha mente será livre.”

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Sobre a mesa, um caderno aberto com anotações manuscritas é preenchido com atenção por uma pessoa. Ao lado, livros empilhados, incluindo obra de Clarice Lispector, indicam estudo e reflexão em ambiente de leitura orientada.Papel dos pedagogos

A programação contou ainda com a apresentação da professora Maísa Miranda, servidora da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso e responsável pela educação prisional no estado, que detalhou as atribuições dos profissionais da educação envolvidos nos projetos de remição pela leitura.

Segundo ela, os pedagogos exercem papel estratégico na organização das atividades e no acompanhamento dos participantes, especialmente nas unidades em que não há coordenador pedagógico ou integrador curricular.

“Os profissionais atuam na mediação das atividades de remição pela leitura, promovem oficinas, orientam os participantes na elaboração dos relatórios de leitura e auxiliam em diversos processos educacionais dentro das unidades prisionais”, explicou.

Maísa destacou ainda que, diante da inexistência de um sistema informatizado para controle dos acervos, os pedagogos também desempenham funções relacionadas à gestão dos livros e ao acompanhamento dos estudantes privados de liberdade.

Entre as atribuições estão a organização dos empréstimos, o incentivo às práticas de leitura, o apoio aos processos de matrícula e a articulação com as escolas de referência para atualização de informações sobre transferências e alvarás de soltura.

“O sucesso do projeto depende do engajamento dos docentes e também da comissão de validação. É um trabalho construído em parceria, sempre com o objetivo de garantir oportunidades de aprendizagem e contribuir para a reinserção social das pessoas privadas de liberdade”, concluiu.

Coordenada pelo juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes, a capacitação integra as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário e instituições parceiras para fortalecer a política de educação prisional e ampliar o acesso à remição de pena pela leitura em Mato Grosso.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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