AGRONEGÓCIO

Soja e carne bovina devem puxar alta de 11,5% no faturamento do agronegócio em 2025

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A soja nos campos e a carne bovina nos pastos devem ser as principais engrenagens para o salto do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária brasileira em 2025. Segundo estimativas preliminares do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o setor deve movimentar R$ 1,418 trilhão, montante R$ 150 bilhões maior que o registrado no ano passado.

O avanço mais expressivo vem da agricultura. O faturamento das lavouras está previsto em R$ 941,8 bilhões, alta de 11,2% sobre 2024, impulsionada pela recuperação da soja, que pode crescer 19,9% e gerar R$ 360,7 bilhões, e do milho, com previsão de expansão de 12%, alcançando R$ 140,8 bilhões. O café também deve manter ritmo forte e somar R$ 108 bilhões, enquanto cacau, laranja e uva aparecem entre os destaques positivos.

Na pecuária, o Mapa projeta alta de 12,2%, para R$ 477,1 bilhões. Pela primeira vez, a receita da carne bovina pode ultrapassar a marca de R$ 200 bilhões, com incremento de 21,5%. A produção de suínos deve crescer quase 18% e o frango 4,7%, enquanto o setor de leite sinaliza recuperação. O único recuo esperado é para os ovos, com queda de 5,2%.

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O desempenho reflete a expectativa de safra de grãos mais robusta — 306 milhões de toneladas, segundo o IBGE — e o câmbio favorável às exportações. Mesmo sujeito a revisões mensais, o cálculo indica um 2025 de retomada para o agro após os impactos da seca em 2024.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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