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Gestão de resíduos sólidos é desafio urgente, alerta especialista em painel do TJMT

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O Brasil ainda convive com um cenário alarmante na destinação do lixo: 41% de todos os resíduos gerados no país são descartados em lixões ou aterros controlados, sistemas inadequados que contaminam solo, água e comprometem a saúde pública. O alerta foi feito pelo advogado Fabrício Soler, referência nacional em Direito Ambiental e ESG, durante o Painel 9 – “Desafios e soluções na gestão de resíduos sólidos”, realizado na quarta-feira (18 de setembro) no 10º Encontro de Sustentabilidade e 2º Seminário de Mudanças Climáticas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Segundo Soler, a realidade de Mato Grosso reflete o quadro nacional, com mais da metade dos municípios do estado ainda utilizando lixões. “Hoje temos no Brasil cerca de 3 mil municípios que destinam seus resíduos a lixões, entre eles 52% dos municípios mato-grossenses. É um quadro que não condiz com um estado de vocação agro e que será vitrine mundial na COP 30. Precisamos enfrentar esse problema com urgência”, afirmou.

O palestrante lembrou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, determinou o fim dos lixões no país e já passou por duas prorrogações, de 2014 para 2024, sem que as metas tenham sido cumpridas. Para ele, não basta aprovar leis, é preciso garantir a aplicação efetiva das normas. “Lixão é proibido desde a década de 50. A Constituição, a Lei de Crimes Ambientais e os decretos ambientais não admitem essa prática. Mas seguimos prorrogando prazos e convivendo com a irregularidade. A legislação existe, falta eficácia”, reforçou.

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Entre os gargalos apontados pelo especialista está a falta de sustentabilidade econômico-financeira dos sistemas municipais de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. “Se o município não cobra taxa ou tarifa pelo serviço, retira recursos de saúde, educação e segurança para custear a coleta. A lei é clara, quem gera resíduo deve custear seu tratamento”, explicou Soler.

Para superar os entraves, o advogado defendeu modelos inovadores, como concessões e parcerias público-privadas (PPPs), que vêm demonstrando bons resultados em outros estados. “As PPPs têm proporcionado eficiência, valorização do material reciclável, geração de renda para a cadeia da reciclagem e avanços significativos na gestão de resíduos. Mato Grosso pode se inspirar nesses exemplos”, pontuou.

Outro tema abordado foi a logística reversa, que determina ao setor privado a responsabilidade de coletar e reciclar produtos como eletrônicos, lâmpadas, pilhas, pneus e embalagens. Soler destacou que a participação do consumidor é indispensável para o sistema funcionar. “Separar corretamente o lixo doméstico é a cota de cada um. Não adianta dizer que a coleta seletiva não existe no bairro. Cabe ao cidadão separar e disponibilizar. Sem isso, não há logística reversa que funcione”, frisou.

O painel terminou com um chamado à ação conjunta entre órgãos de controle, gestores públicos e sociedade. “Não é só o Tribunal de Justiça que vai resolver sozinho. É preciso um pacto envolvendo Ministério Público, Tribunal de Contas, governos e sociedade civil para eliminar os lixões e avançar em políticas públicas. O Brasil já tem exemplos de sucesso. Não podemos mais adiar”, concluiu o especialista.

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O 10º Encontro de Sustentabilidade e 2º Seminário de Mudanças Climáticas é realizado em conjunto pelo Núcleo de Sustentabilidade do TJMT e pela Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), por meio do Eixo Temático de Meio Ambiente.

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Autor: Roberta Penha

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Webnar sobre saúde indígena busca soluções para gargalos no atendimento

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Cartaz com fundo escuro e detalhes em vermelho traz o rosto de uma pessoa indígena e o texto destacado: “Saúde Indígena e Território: o corpo-terra sob ataque” é o tema da palestra desta quinta-feira (11/06) do webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte de Indígenas”, realizado pelo Ministério Público de Mato Grosso e transmitido pelo canal do MPE/MT no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCOipaKaB_vmVsz2PwhMWy7g).

A palestrante é a doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio doutoral na Universidad Complutense de Madrid, Haya Del Bel, que participa do debate ao lado da liderança indígena e professora Lucila da Costa Moreira Nawa e do missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott. A mediação será conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho. 

O objetivo do webnar, que teve início na terça-feira, dia 09, e termina hoje, é identificar as fragilidades estruturais que marcam o atendimento à saúde indígena do Estado e definir ações práticas para que os povos indígenas não sofram mais por falta de assistência. Além de procuradores, promotores de justiça, representantes de órgãos de gestão pública, pesquisadores e professores, o encontro reúne diversas lideranças indígenas, que destacaram os gargalos de atenção à saúde indígena nas diferentes regiões de Mato Grosso.

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O webinar é promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT.

Na abertura do evento, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular da Procuradoria Especializada, destacou o caráter do evento como instrumento de escuta ativa e crítica. “Este espaço funciona como uma escuta para que possamos compreender, com profundidade, os gargalos da saúde indígena, que muitas vezes se mantêm por interesses econômicos que não podem se sobrepor à vida”, afirmou. Ontem, segundo dia, o webinar aprofundou a escuta das demandas dos povos originários sobre deficiência no atendimento e no fornecimento de medicamentos.

Autor: Nadja Vasquez

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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