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TJMT amplia Rede de Proteção à Mulher e fortalece combate à violência em São José dos Quatro Marcos

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São José dos Quatro Marcos deu um passo importante no combate à violência doméstica e familiar. Nesta segunda-feira (29 de setembro), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), formalizou o termo de cooperação para a instalação e implementação da 79ª Rede de Proteção à Mulher Vítima de Violência Doméstica do estado.

As Redes de Enfrentamento têm como objetivo unir esforços, dar visibilidade ao problema e garantir que as mulheres tenham acesso à proteção, apoio e acolhimento, rompendo o ciclo da violência e assegurando a dignidade das vítimas. A atuação em rede fortalece as políticas públicas por meio de ações interdisciplinares que promovem um trabalho integrado e humanizado entre órgãos, instituições e profissionais.

A cerimônia contou com a presença da juíza Djessica Giseli Kuntzer, da 3ª Vara da Comarca de Pontes e Lacerda, responsável pelo Polo de Cáceres, da servidora da Cemulher, Elizabeth Oliveira, do prefeito Jamis Silva Bolandin, além de representantes da rede local de assistência social, saúde, segurança pública e sociedade civil.

“A rede de enfrentamento é a união de todos os órgãos, poderes, associações, igrejas e sociedade civil, reforçando os laços para combater, proteger e prevenir a violência contra a mulher de forma mais eficiente. Aproxima todos e garante uma resposta mais urgente e imediata, que é o que as vítimas necessitam”, destacou a juíza Djessica.

A magistrada ressaltou ainda que a parceria entre o Poder Judiciário e os municípios é essencial. “Grande parte das mulheres é direcionada para o município, onde precisa da assistência do CRAS, CREAS, Secretaria de Saúde e Educação. É fundamental que o município abrace a causa e que, a partir do termo de cooperação, sejam feitas ações de prevenção, porque o problema da violência doméstica é social, é de todos”.

Para o prefeito Jamis Silva Bolandin, a adesão ao projeto reforça o compromisso da gestão com a proteção das mulheres. “É uma parceria importantíssima. O que depender da gestão pública, estamos disponíveis para abraçar mais ainda esse projeto que valoriza e ajuda as mulheres, nosso alvo principal aqui. Hoje as reclamações e demandas são muitas, e queremos minimizar essa situação junto com o Poder Judiciário e os demais parceiros”.

A secretária municipal de Saúde e vice-prefeita, Luciana Maria Tosti, destacou que a pasta já prepara ações para garantir atendimento mais humanizado. “Estamos pensando em montar uma equipe multidisciplinar, porque o primeiro atendimento acontece, na maioria das vezes, no pronto atendimento. Queremos criar vínculo e confiança com a profissional para que essas mulheres se sintam mais seguras e consigam se abrir, garantindo um tratamento mais eficaz”.

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A secretária de Assistência Social, Sandra Ferreira Brandão, ressaltou que o município já trabalha em rede e quer expandir as ações. “Temos uma equipe de proteção especializada que atende essa demanda toda semana. Estamos criando também um projeto para trabalhar com os homens autores de violência, para que outras mulheres não sofram. Tudo o que vier para agregar é importante para mudar essa realidade”, revelou.

Kairo Ribeiro, delegado do município, também reforçou a relevância da rede. “Infelizmente, a violência doméstica é um dos delitos mais incidentes na delegacia. Essa rede contribui bastante porque fortalece o trabalho conjunto com CRAS, Conselho da Comunidade, Poder Judiciário e Ministério Público, facilitando o acesso à informação e à prova nos inquéritos”.

A iniciativa integra o trabalho estratégico da Cemulher-MT, coordenada pela desembargadora Maria Erotides Kneip, que busca fomentar a criação e o fortalecimento dessas redes em todo o Estado. O ano de 2025 começou com 25 redes instaladas no interior. A meta é alcançar 100 até o fim do ano.

Capacitação dos profissionais

No período vespertino, a equipe da Cemulher promoveu capacitação para os profissionais que atuarão diretamente no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica.

A assessora técnica multidisciplinar da Cemulher, Adriany Carvalho, explicou que a formação é essencial para garantir acolhimento humanizado. “Estamos aqui para dar o pontapé inicial à articulação dessa rede, criando fluxos e fortalecendo instituições que já atuam, mas precisam conversar entre si. Na capacitação, falamos sobre acolhimento humanizado, olhar sem julgamento e sobre o fluxo da rede para que essa mulher não seja revitimizada ao buscar apoio. Nosso trabalho continua depois da assinatura, com apoio técnico, capacitações e materiais para que a rede funcione de forma efetiva”, explicou.

Entre os participantes, esteve a auditora pública municipal Juliana Teles Cabral, que atua há quase 20 anos na administração de São José dos Quatro Marcos. Ela destacou que sua participação é motivada pelo compromisso em fortalecer políticas públicas voltadas para grupos em situação de vulnerabilidade, como mulheres, idosos e crianças. “Independente do cargo que eu ocupo, eu me coloco como servidora pública. Tenho como propósito servir ao meu município e colaborar com o fortalecimento de todas as políticas públicas. Sempre que tem qualquer evento no município relacionado a esses temas, eu procuro participar, porque posso acompanhar como auditora o monitoramento das políticas públicas para saber se a proposta vai ser efetiva, se ela realmente vai acontecer conforme a lei exige e conforme o público precisa. As mulheres ainda são carentes de mais defesa, de mais acolhimento e, principalmente, de mais empoderamento para se libertar de situações de violência e se proteger de futuras agressões”, afirmou.

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Representando o Legislativo local, a vereadora Silvana Cristina Cano Izidro também reforçou a importância da capacitação. “Essa capacitação é de suma importância porque sentimos o apoio das parcerias, tanto do Judiciário, do Ministério Público, do Poder Executivo e Legislativo, quanto das Secretarias envolvidas. É fundamental essa união para que possamos trabalhar no enfrentamento à violência doméstica e à violência contra as mulheres”, destacou.

Para ela, a criação da Rede de Enfrentamento no município representa um passo essencial para fortalecer as políticas públicas locais. “Esse enfrentamento não é fácil, é um trabalho delicado, mas se unirmos forças entre secretarias de Saúde, Assistência Social, Poder Executivo e Legislativo, conseguimos almejar grandes resultados nessa área”, concluiu a vereadora.

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Autor: Roberta Penha

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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