A 22ª Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Mato Grosso (SNCT/MT), realizada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secietci), começa nesta quarta-feira (22.10) e segue até a sexta-feira (24.10), no Centro de Eventos Pantanal, em Cuiabá, das 8h às 17h.
A estimativa de público para esta edição é de 3,5 mil pessoas. A entrada é gratuita. O evento científico também ocorrerá em formato híbrido com transmissão online pelo YouTube.
O tema nacional proposto pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), sobre cultura oceânica e mudanças climáticas, ganha tradução mato-grossense. As atividades vão discutir rios, aquíferos e biodiversidade locais e como a gestão desses recursos conversa com o enfrentamento da crise climática.
Na programação da 22ª SNCT/MT, será também realizada a XVII Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI), que traz os projetos científicos desenvolvidos em escolas públicas e privadas de Mato Grosso. Os melhores trabalhos serão premiados com smartphones, notebooks, bolsas de estudo e mentorias para amadurecer protótipos com potencial de negócio a serem ofertadas para estudantes e professores.
Outra novidade da SNCT/MT é o prêmio Pesquisador Destaque, iniciativa que reconhece a quem dedica anos à produção científica e à formação de novas gerações, com pagamentos de R$ 40 mil em dinheiro.
Na semana, também terá o lançamento da revista Educação C&T e a validação do Plano Estadual de Ciência e Tecnologia, construído a partir de reuniões realizadas com agentes das instituições de ciência, tecnologia e inovação de várias regiões de Mato Grosso.
O público terá acesso, ainda, ao Circuito Itinerante MT Ciências, exposições das instituições parceiras, Mostra de Projetos, oficinas tecnológicas maker e competições.
A organização da 22ª SNCT/MT articulou mais de 10 caravanas de Cuiabá, Várzea Grande e escolas do interior para circular por amostras, oficinas e palestras durante os três dias de programação.
Os parceiros da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia são a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG), a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Águas Cuiabá, a Faculdade Multivix e a União das Faculdades Católicas de Mato Grosso (UNIFACC).
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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