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Na porta de casa: Expedição Araguaia-Xingu garante dignidade e muda a vida de pessoas em Confresa

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Josias Cunha Oliveira, 29 anos, nasceu com distrofia muscular progressiva, doença rara e degenerativa que reduz a força muscular ao longo dos anos. Hoje, depende de uma cadeira de rodas e enfrenta dificuldades de locomoção. Para atualizar um simples documento, por exemplo, a rotina era sempre a mesma, com longos deslocamentos até Confresa, filas, sistema fora do ar e a frustração de voltar pra casa com tudo igual. “Era uma maratona, chegava lá e não conseguia. No outro dia tentava de novo”, lembra a mãe, Solange Carvalho da Cunha Oliveira, 47 anos.

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Mas a passagem da 7ª Expedição Araguaia-Xingu, no Distrito de Veranópolis, em Confresa, nos últimos dois dias (11 e 12 de novembro), mudou a vida de Josias. Ele atualizou RG, título de eleitor, Cadastro Único e, mais importante ainda, passou pela perícia médica necessária para o restabelecimento do benefício assistencial em razão da sua condição. Algo que vinha sendo adiado havia anos.

O fim da agonia só foi possível porque a Expedição reúne, no mesmo espaço, o Poder Judiciário de Mato Grosso e dezenas de parceiros. A médica perita Rosana Naves, responsável pela avaliação de Josias e de outras pessoas, descreveu essa transformação. “Aqui é rápido, direto. Fazemos a perícia no mesmo momento em que verificamos o direito ao benefício. É justiça acontecendo para quem precisa”. Ela acrescentou que, em muitos casos, a pessoa passa anos tentando acessar um direito que poderia ser resolvido em minutos.

Com Josias, foi assim. Após a triagem, ele foi encaminhado à sala de perícia. Alguns minutos depois, saiu com o processo concluído. “Se fosse em Confresa, teria que ir em um lugar para agendar o atendimento, em outro para fazer. Aqui foi tudo dentro da mesma sala”, disse Josias, sorrindo. Segundo ele, foi o melhor presente de aniversário, celebrado no último dia 10 de novembro. “Foi rapidão. Foi na porta de casa. Foi bom!”.

O dever de servir – O servidor da Justiça Federal Rômulo Arantes foi quem identificou que Josias poderia ter direito ao benefício ao vê-lo na fila da carteira de identidade. “Servir é olhar. Quando olhamos para as pessoas, encontramos os direitos que elas têm e não sabem”, apontou. Segundo o juiz coordenador da Expedição, José Antônio Bezerra Filho, é esse trabalho conjunto que muda vidas. “Quando a Justiça Estadual e a Justiça Federal, e tantas outras instituições, atuam de forma sincronizada, o resultado é imediato. Temos direito garantido e dignidade restituída”, descreveu.

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Saúde, cidadania e pertencimento – Outros moradores de Veranópolis também aproveitavam a presença da Expedição para resolver pendências. Primeiros da fila, o trabalhador rural Carlos Alberto dos Santos de Araújo, 44 anos, e o estudante Eliabe Silva Milanês, 18 anos, chegaram por volta das 4h30 à escola. Carlos resolveu um erro no nome da identidade, problema que travava o acesso a outros documentos. “Se não fosse a expedição, ia dar mais problemas lá na frente”. Com a rotina na fazenda e a necessidade de pedir dispensa ao patrão, ir até Confresa ou Vila Rica significava perder o dia de trabalho. Ali, a solução estava a poucas quadras de casa. Já Eliabe decidiu renovar a identidade e regularizar o alistamento militar. A foto do documento ainda era da infância. “Eu vi o movimento e vim saber o que era. Quero documento novo, né!”.

A lavradora Alvani Mendes Carvalho, 55 anos, realizou exames rápidos e passou por atendimento médico, algo que, para ela, não acontecia com frequência por viver a mais de 50 quilômetros de Confresa. “Foi rapidinho. Não doeu nada”. E a programação também contemplou crianças e adolescentes, com atividades educativas e recreativas. O pequeno Ismael Vitor Silva Melo, de apenas 3 anos, experimentou a escalada e a tirolesa montada pelo Corpo de Bombeiros. “Tem o tio pra segurar a gente”, disse, confiante.

O diretor da Escola Municipal Vereador Valdemiro Nunes de Araújo, Flávio Melo da Silveira, assistia orgulhoso ao movimento nas dependências da escola. “É gratificante ver as pessoas sendo atendidas e saindo felizes. Aqui, conseguem resolver o que antes era difícil ou impossível”.

Rede de cooperação – A 7ª Expedição Araguaia-Xingu é uma iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso, realizada no âmbito do programa Justiça Comunitária. Para garantir atendimentos rápidos e eficazes, o Judiciário mobiliza equipes especializadas de diferentes áreas: o Cejusc conduz mediações e acordos; o NugJur promove círculos de paz e rodas de diálogo; a Ceja orienta famílias e auxilia na regularização documental de processos de adoção; e o Juvam reforça a educação ambiental e apoia ações voltadas às comunidades rurais.

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Toda essa estrutura só se viabiliza graças à articulação com uma grande rede de instituições públicas. Participam dessa força-tarefa: Defensoria Pública, Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), Ministério Público do Estado, Politec, Justiça Federal, Secretaria de Segurança Pública, Polícia Judiciária Civil, Companhia de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros Militar e as secretarias estaduais de Meio Ambiente (Sema), Saúde (SES), Educação (Seduc) e Cultura, Esporte e Lazer (Secel).

Também aderem à expedição outros importantes parceiros, como Receita Federal, Caixa Econômica Federal, INSS, Assembleia Legislativa, Exército Brasileiro e as prefeituras dos municípios atendidos. A logística e o deslocamento das equipes contam ainda com o apoio de empresas como Aprosoja, Energisa, Paiaguás Incorporadora e Grupo Bom Futuro, que contribuem com estrutura, transporte e suporte operacional.

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Autor: Talita Ormond

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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