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Uso da IA aumenta eficiência dos serviços públicos, dizem especialistas

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O uso da Inteligência Artificial (IA) na administração pública foi tema da entrevista das 18h do projeto Diálogos com a Sociedade, realizada na quarta-feira (12), com o promotor de Justiça Daniel Carvalho Mariano e o secretário-adjunto de Planejamento e Governo Digital da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Sandro Luís Brandão Campos. Os convidados discutiram a aplicação da tecnologia em Mato Grosso e destacaram que a IA aumenta a eficiência, reduz custos e melhora a qualidade dos serviços públicos.Daniel Carvalho Mariano apresentou como o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) aplica a Inteligência Artificial e os desafios enfrentados. Ele indicou soluções já em uso, como a conversão automática de áudios de audiências, ferramentas de IA generativa para apoiar os integrantes em caso de dúvidas e inclusive auxiliar a tornar a linguagem mais acessível à população, além de leitores inteligentes que agilizam a análise de processos complexos, permitindo que o trabalho humano se concentre na avaliação das provas.O promotor de Justiça destacou que o principal ganho do uso da IA é a melhoria da eficiência e da qualidade do serviço. “Qual o sentido dessa eficiência? É a redução do tempo para devolver um trabalho. Aquilo que antes levaríamos uma semana ou um dia, agora conseguimos entregar em algumas horas ou até minutos. Assim, a pessoa que depende de uma decisão judicial é diretamente beneficiada”, acrescentando que o uso da tecnologia auxilia ainda a instituição a compreender melhor os casos concretos e a se comunicar de forma mais eficaz com o público-alvo.Ao falar sobre inovação, o entrevistado defendeu que ela não se resume a criar algo novo, mas também a realizar o mesmo de forma mais eficiente. “Nada mais é do que utilizar algo que já existe para uma finalidade diferente, alcançando o mesmo resultado benéfico ou, em alguns casos, até superior. Isso acontece há muitos anos. Diversas descobertas científicas começaram com um propósito e, depois, revelou-se que eram ainda mais eficazes para outro”, defendeu. Quando questionado sobre os limites e obstáculos ao uso da IA em instituições públicas, Daniel Carvalho Mariano destacou que o maior desafio está na segurança dos dados sensíveis e na necessidade de cuidado para evitar vazamentos ou uso antiético. “Trabalhamos com dados de outras pessoas, não são meus, privados. Tudo ali envolve informações e questões de vida de terceiros. Por isso é importante o cuidado redobrado”, afirmou. Segundo ele, a invasão ou interceptação de comunicações por hackers traz o risco de revitimização, pois vazar informações íntimas de uma vítima de abuso, por exemplo, causaria mais danos àquela pessoa que já sofreu danos e espera proteção do poder público. Além disso, ressaltou a importância do cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), de outras legislações correlatas, bem como de tratados internacionais e práticas de compliance. No campo da investigação pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), a cautela é ainda maior, pois os dados são classificados como ultrasensíveis. “Para você investigar uma organização criminosa, precisa de dados ultra sigilosos e íntimos: financeiros, bancários, fiscais, telefonia, internet. E isso não pode ser colocado em uma inteligência artificial de alguma Big Tech fora do Brasil, ou mesmo dentro do país, se não estiver em um servidor isolado com segurança extrema”, considerou. Contudo, o promotor demonstrou confiança no uso seguro dessa tecnologia no futuro. Para ele, a IA é a melhor ferramenta para investigar organizações criminosas, pois permite cruzar dados e aplicar estatísticas de probabilidade. “Em breve conseguiremos e, se Deus quiser, a criminalidade do mundo inteiro vai estar muito encurralada com o uso desses equipamentos”, considerou.
Transformação digital de MT – Em uma participação especial gravada no programa, o secretário Sandro Brandão falou sobre a estratégia de transformação digital do Governo de Mato Grosso, que desde 2021 sistematizou as ações visando traduzir a complexidade do poder público em eficiência, rapidez e comodidade para o cidadão. “Conseguimos organizar isso de forma que pudéssemos trabalhar de maneira orgânica e sistêmica dentro do governo. Tanto que o nosso Plano Plurianual foi um dos primeiros a incluir um eixo digital, pela tamanha importância que o digital tem para Mato Grosso. Assim, estamos estruturando um grande sistema de governança e atuando de forma alinhada”, explicou. Segundo Sandro Brandão, o Estado criou uma plataforma unificada, o aplicativo MT Cidadão, que reúne os serviços de todas as secretarias. A ferramenta já acumula mais de 150 milhões de acessos e está expandindo sua capilaridade ao integrar serviços de outros poderes, como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público. O maior beneficiário é o cidadão, pois, em vez de acessar vários aplicativos e portais para obter um recurso ou serviço público, tudo estará disponível em um único ambiente.A respeito desse trabalho em parceria entre as instituições, o promotor de Justiça Daniel Carvalho Mariano destacou o pioneirismo do estado. “Mato Grosso está à frente de outros estados do Brasil não apenas pelo uso de inovação e tecnologia, mas também por ser o único estado onde Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Justiça Eleitoral, Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas atuam juntos, em parceria, nos laboratórios de inovação, dialogando constantemente sobre esses temas”, ressaltou.Ele afirmou ainda que, em breve, o MPMT também estará integrado ao MT Cidadão, pois percebeu que Mato Grosso não apenas é parceiro, mas um inovador nato, sempre na dianteira. O promotor de Justiça questionou por que não concentrar tudo no mesmo aplicativo e enfatizou que seria desperdício de dinheiro público cada órgão criar sua própria plataforma se já há uma eficiente. No encerramento da entrevista, o integrante do MPMT deixou um recado para a população. “Vá no Google, pesquise o que é IA e peça dicas de como usar. É importante. Não é um bicho de sete cabeças”, frisou. Assista à entrevista na íntegra aqui. Dose dupla – Nesta edição do projeto Diálogos com a Sociedade, as entrevistas serão realizadas em dois horários diários, diretamente do Várzea Grande Shopping: às 14h, com transmissão ao vivo pela Rádio CBN Cuiabá, e às 18h, com transmissão ao vivo pelo SBT Cuiabá (canal 5.1) e exibição simultânea pela plataforma MT Play. Os programas também estão disponíveis no canal oficial do MPMT no YouTube e na página institucional no Instagram. Parceria – O Diálogos com a Sociedade conta com o apoio de parceiros institucionais como Águas Cuiabá, Amaggi, Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Bom Futuro, CBN Cuiabá, Energisa, Instituto da Madeira do Estado de Mato Grosso (Imad), Instituto Mato-grossense de Carne (Imac), Kopenhagen, Nova Rota do Oeste, Oncomed-MT, SBT Cuiabá, Sicredi e Várzea Grande Shopping.

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Fotos: Everton Queiroz.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Promotor afirma que Instagram de políticos é laboratório eleitoral

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“O maior laboratório de Direito Eleitoral é o Instagram dos políticos.” A afirmação foi feita pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE) Igor Pereira Pinheiro durante a capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal”, na tarde desta quinta-feira (18). No painel “Ilícitos Penais e a Improbidade Administrativa: repercussão política e eleitoral”, o palestrante defendeu uma atuação mais estratégica, preventiva e proativa do Ministério Público no acompanhamento das eleições.Ao abordar a atuação ministerial em anos eleitorais, Igor Pereira Pinheiro alertou para a necessidade de os integrantes do Sistema de Justiça ampliarem o conhecimento sobre os tipos penais eleitorais. Segundo ele, o desconhecimento da legislação criminal eleitoral ainda representa um obstáculo para a identificação, investigação e responsabilização de condutas ilícitas durante o processo eleitoral.Na sequência, o promotor destacou que, entre os diversos crimes previstos na legislação, dois merecem atenção prioritária por terem como consequência a cassação do registro, diploma ou mandato. Um deles é o uso indevido de veículos oficiais nos 90 dias que antecedem a eleição. O outro é a distribuição de bens, prêmios, sorteios ou benefícios com a finalidade de promover candidaturas ou influenciar eleitores. Para ele, são práticas recorrentes, presentes em diferentes realidades municipais e que exigem atuação firme dos órgãos de controle.Sobre o tema, enfatizou que essas condutas muitas vezes passam despercebidas, apesar dos seus impactos sobre a lisura do pleito. “Quando a gente fala em crimes eleitorais que cassam diploma ou mandato, evidentemente que estamos diante de situações que deveriam ser prioritárias na nossa atuação fiscalizatória. São condutas que acontecem em todas as comarcas e que muitas vezes passam despercebidas”, afirmou.O palestrante também defendeu uma atuação preventiva, com o acompanhamento das movimentações políticas antes do início oficial da campanha eleitoral. Para ele, a fiscalização não deve se limitar ao período eleitoral, mas começar já na pré-campanha, quando surgem os primeiros sinais de promoção política e possíveis irregularidades. “A pré-campanha é um conceito fluido que depende muito mais do comportamento do pré-candidato do que da norma em si. A partir do momento em que alguém se apresenta como pré-candidato, passa a fazer reuniões, participar de eventos e buscar visibilidade política, ele atrai para si não apenas direitos, mas também todas as restrições e mecanismos de fiscalização previstos na legislação eleitoral”, argumentou.Dentro dessa perspectiva, o promotor de Justiça chamou atenção para a importância do monitoramento de redes sociais, eventos políticos e atos administrativos. Segundo ele, as plataformas digitais se transformaram em importantes ferramentas de investigação, permitindo identificar comportamentos, reunir provas e acompanhar a movimentação de agentes políticos de forma contínua. “O político e o pré-candidato precisam de exposição, precisam divulgar os atos que praticam. Se você tem uma rotina mínima de acompanhamento, consegue identificar comportamentos, registrar provas e perceber situações que muitas vezes ocorrem de forma totalmente aberta, porque já foram naturalizadas”, observou.Ao incentivar os membros do Ministério Público a adotarem uma postura mais ativa e investigativa, Igor Pinheiro defendeu que a atuação eficiente exige curiosidade, iniciativa e disposição para identificar irregularidades antes que produzam efeitos mais graves sobre o processo eleitoral. “Nós somos pagos para duvidar. Nós temos que desconfiar de tudo e de todos, porque só o curioso é que vai descobrir”, afirmou.O promotor ressaltou ainda que os resultados mais efetivos costumam surgir quando o acompanhamento das condutas começa ainda no período pré-eleitoral, permitindo a construção de um histórico de comportamentos capaz de demonstrar eventual abuso de poder. “Os dados mostram que os casos de maior sucesso são justamente aqueles que começam a ser acompanhados ainda no ano pré-eleitoral, permitindo demonstrar uma sequência de condutas e um padrão de comportamento”, reforçou.Ao tratar do uso da máquina pública para promoção política, Igor Pinheiro chamou atenção para o aumento da exposição de possíveis candidatos e para a utilização de perfis pessoais em redes sociais para divulgar ações institucionais. Na avaliação dele, muitas vezes os indícios de uma candidatura se manifestam antes mesmo de qualquer anúncio formal, exigindo atenção dos órgãos de fiscalização.“Na política, muitas vezes o não dito é um sim. Quando começam a apontar alguém como pré-candidato, quando essa pessoa passa a ter uma exposição que antes não tinha e quando há sinais concretos de movimentação política, cabe ao Ministério Público investigar, acompanhar e reunir elementos objetivos. Não podemos esperar que tudo esteja declarado formalmente para começar a fiscalizar”, destacou.O promotor também ressaltou que a fiscalização deve alcançar todos os atores políticos, independentemente de posicionamentos ideológicos ou partidários. Segundo ele, a atuação isonômica é fundamental para preservar a credibilidade institucional e afastar questionamentos sobre eventual perseguição ou seletividade. “A maior estratégia contra qualquer alegação de perseguição ou assédio processual é agir de forma igual contra todos. Se a conduta é irregular, ela deve ser investigada independentemente de quem a pratique. O Ministério Público não pode ter lado político; o lado do Ministério Público é o lado da legalidade”, enfatizou.Ao abordar a corrupção eleitoral, o painelista criticou a realização de acordos penais e defendeu uma postura mais rigorosa na responsabilização dos envolvidos. Para ele, o Ministério Público deve exercer protagonismo na proteção da integridade do processo eleitoral e atuar de forma efetiva na prevenção e repressão dessas práticas. Na avaliação do promotor, a baixa efetividade da repressão aos crimes eleitorais exige uma reflexão sobre as respostas adotadas pelo Sistema de Justiça. “Em um país que registra historicamente altos índices de corrupção eleitoral, o Ministério Público precisa refletir sobre a efetividade das suas respostas. Se o sistema já puniu pouco, se são raríssimos os casos de prisão e condenação efetiva, precisamos avaliar com muito cuidado até que ponto determinados acordos contribuem para a prevenção e para a credibilidade do processo democrático”, apontou.Por fim, o palestrante reiterou a defesa de uma atuação mais firme do Ministério Público diante dos crimes eleitorais e da corrupção política. “O MP tem que ser demandista sim, em algumas hipóteses graves. E nós estamos falando de corrupção eleitoral, de algo gravíssimo. Nós temos um déficit punitivo alarmante. Como é que você, num país que tem mais de cinco mil municípios, em que a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 40 milhões só na última eleição por corrupção eleitoral, não tem um indivíduo condenado e preso? É um sistema totalmente sem efetividade”, finalizou.

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Fotos: Chico Ferreira.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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