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Reportagem especial da Rádio TJ aborda marcas do racismo na construção da identidade e autoestima

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Está no ar uma reportagem especial da Rádio TJMT que aborda as marcas do racismo na construção da identidade e da autoestima de pessoas negras, e como elas têm trilhado caminhos em busca de suas origens para encontrar o pertencimento e a memória coletiva. A reportagem pode ser ouvida no canal da Rádio TJ no Spotfy (clique aqui e ouça).

A reportagem destaca o exemplo do juiz João Bosco Soares da Silva, que tem origem quilombola, mas só teve contato verdadeiro com sua ancestralidade há poucos meses, após participar do curso de Letramento Racial e Antirracismo, promovido em junho deste ano no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. “Foi uma alegria conhecer as minhas origens. Foi através daquilo que a minha mãe relatava. Ela disse que nasceu no Quilombo de Mata Cavalo e foi trazida com cerca de cinco anos para Cuiabá, para viver como ‘criada’. Quando tive condições, fui conhecer a Comunidade Mata Cavalo”, contou.

A produção da equipe de jornalismo da Rádio TJ aborda ainda o viés psicológico que o racismo traz para a construção da identidade, desde a infância, por meio da convivência familiar e escolar. “A autoestima é inseparável da construção da autoimagem. E a autoimagem é feita justamente das marcas que nos constituem. Oferecer linguagem, referência, orgulho é também uma forma de cuidado, é uma maneira de impedir que o olhar desqualificador do outro se transforme num discurso interno também, produzindo feridas profundas que só aparecem, muitas vezes, na juventude e na vida adulta”, explica a psicóloga Edileuza Silva.

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Outra entrevistada, a jornalista e professora Julianne Caju, destaca que o combate ao racismo pode ser feito desde a infância, sendo trabalhado de forma lúdica, por meio do conhecimento. “Ter acesso a livros infanto-juvenis da literatura negra para que ela cresça entendendo que existem outras crianças com outros corpos, com outros cabelos, com outros narizes e que ela possa conhecer outras culturas”, sugere.

E exemplos de livros para trabalhar a questão racial junto à infância não faltam. Cuiabá conta, inclusive, com uma finalista do Prêmio Jabuti, o maior da literatura brasileira: Paty Wolff, autora de “Azul Haiti”. Ela conta um pouco sobre a obra para a Rádio TJ: “Azul Haiti é sobre uma criança protagonista que narra sua própria realidade sobre a imigração haitiana, trazendo uma visibilização da questão da imigração, tão apagada na homogeneização da paisagem do comércio informal e do racismo. Azul Haiti também é sobre corpos negros em diáspora, uma diáspora contemporânea, mas que tem raízes em problemas estruturais desde a colonização do Haiti”, explica.

A reportagem especial aborda ainda o papel do Poder Judiciário de Mato Grosso na luta antirracista, por meio do Comitê de Promoção da Equidade Racial, coordenado pela juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira. “Implementar a equidade racial requer mudança de cultura institucional, formação continuada, reconhecimento do racismo estrutural. Outro grande desafio é garantir que todas as pessoas que atuam no sistema de justiça compreendam a importância da equidade racial como valor constitucional”, diz a magistrada.

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A reportagem especial da Rádio TJMT, assinada pela jornalista Elaine Coimbra, foi produzida com apoio da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Cojira/Sindjor), que disponibiliza a chamada “lista negra”, material de consulta em que jornalistas podem encontrar sugestões de profissionais de várias áreas para entrevistas. A reportagem foi ao ar na última sexta-feira (28 de novembro) e já repercutiu nacionalmente, sendo reproduzida pela Rádio Justiça. Ouça no Spotify.

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Autor: Celly Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Programa Magistratura e Sociedade discute relações de poder no Judiciário com filósofo Silvio Gallo

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Cartaz digital com a foto de um homem calvo e de óculos em um círculo. Traz o texto Já está no ar a 36ª edição do programa Magistratura e Sociedade, trazendo uma reflexão profunda sobre o papel do poder nas relações sociais, educacionais e no âmbito do Judiciário. O episódio apresenta entrevista com o filósofo e pedagogista brasileiro Silvio Donizetti de Oliveira Gallo, referência na área de Filosofia da Educação e autor de estudos fundamentais sobre pedagogia libertária no Brasil.

A conversa é conduzida pelo juiz de Direito e professor de Filosofia da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Gonçalo Antunes de Barros Neto, e tem como tema “Jurisdição, Sociedade e Formação Filosófica”.

Durante a entrevista, Gallo propõe uma leitura crítica inspirada no pensamento do filósofo francês Michel Foucault, destacando que todas as relações humanas são atravessadas por relações de poder — desde os vínculos econômicos e afetivos até o exercício da docência e da jurisdição. Segundo ele, reconhecer essa dinâmica é essencial para compreender o papel dos diferentes atores envolvidos, especialmente no sistema de Justiça.

“O magistrado, ao proferir sua decisão, também exerce um poder”, explica o filósofo, ressaltando que os processos judiciais são permeados por múltiplas forças e interesses em disputa. Gallo chama atenção para a necessidade de uma postura crítica diante do poder. “Precisamos sempre desconfiar do poder, porque nenhum poder é legítimo por natureza.”

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No programa, o entrevistado destaca ainda que essa reflexão é particularmente relevante no Poder Judiciário, cuja legitimidade não se funda no voto popular, reforçando a importância de uma atuação consciente, ética e sensível às complexidades sociais. Ao longo do programa, outros aspectos relacionados à formação filosófica, ao papel da educação e à atuação crítica dos profissionais do Direito também são abordados.

Produzido pela Esmagis-MT, com apoio da Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça, o programa Magistratura e Sociedade busca fortalecer a formação humanística da magistratura, incentivando a reflexão crítica sobre o papel social da Justiça e promovendo uma prática jurisdicional mais ética, equilibrada e humanizada.

O programa completo pode ser assistido neste link.

https://www.youtube.com/watch?v=xigv9xQGeEo

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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