AGRONEGÓCIO
Demarcações podem retirar R$ 173 milhões do agro e cortar 498 empregos, aponta estudo
Publicado em
3 de dezembro de 2025por
Da Redação
Quase R$ 173 milhões do Valor Bruto da Produção (VBP) em Mato Grosso e a eliminação de 498 postos de trabalho. Esse é o impacto estimado pelo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) caso áreas agrícolas incluídas em novas demarcações de terras indígenas homologadas neste ano sejam imediatamente retiradas da produção.
O cálculo, que considera 7,22 mil hectares de soja, 8,06 mil hectares de milho e 31,9 mil hectares de pastagens distribuídos em quatro áreas (Terras Indígenas Manoki, Uirapuru e Estação Parecis, homologadas em novembro; e a Reserva Kanela do Araguaia, ainda em fase anterior à homologação pela Fundação Nacional do Índio — Funai), reacende o debate sobre transição, indenização e segurança jurídica nas regiões afetadas.
As áreas mapeadas pelo Imea estão em sete municípios (Brasnorte, Diamantino, Campos de Júlio, Nova Lacerda, Conquista D’Oeste, Luciara e São Félix do Araguaia) e, segundo a análise, a retirada imediata das atividades tende a reduzir renda, empregos e arrecadação sem um mecanismo de transição adequado.
O estudo aponta ainda queda anual de R$ 2,89 milhões na arrecadação do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), que financia políticas públicas ligadas ao transporte e à habitação no estado. Diante do anúncio de dez novas homologações federais no último mês, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão das portarias até o julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 87, sobre o marco temporal, em tramitação sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.
Isan Rezende
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a questão exige mais técnica e menos improviso. “Não se trata de questionar direitos históricos ou constitucionais; trata-se de como as decisões são implementadas. Quando uma área produtiva tem seu status jurídico alterado de forma abrupta, sem plano de transição, quem sofre primeiro são famílias que investiram, tomaram crédito e organizaram sua cadeia produtiva em torno daquela terra”, afirmou.
Rezende acrescenta que o problema reverbera para além da porteira: “A cada safra impactada, há uma cooperativa, um armazém, um transportador e um comércio local que perdem fluxo — isso reduz a atividade econômica dos municípios e compromete serviços públicos dependentes dessa arrecadação”.
Nas suas palavras, o caminho passa por combinar respeito às decisões legais com instrumentos que mitiguem choques imediatos. “É preciso estabelecer critérios técnicos para indenização, prazos de adaptação e políticas de reconversão produtiva. Medidas emergenciais e mal articuladas só empurram o problema para o futuro, aumentando passivos e potencial para conflitos. Sem previsibilidade, o produtor não consegue planejar e o mercado fica refém de riscos que elevam o custo do crédito e desincentivam investimentos”, disse Rezende.
Ele também defendeu diálogo institucional amplo. “A solução exige União, estado, municípios, lideranças indígenas e representantes do setor. Precisamos de um fórum permanente que trabalhe mapas, compensações e alternativas produtivas. Só assim mitigamos perdas e preservamos direitos — de todos. Ignorar essa dimensão técnica é criar uma instabilidade que prejudica quem mais precisa — as populações rurais e os serviços públicos locais”, concluiu.
Os números do Imea detalham distintas realidades locais. Em Brasnorte, a Terra Indígena Manoki concentra a maior parte das perdas projetadas: 871 hectares de soja e 2,48 mil hectares de milho na safra 2024/25, com VBP agrícola de R$ 19,9 milhões e VBP pecuário de R$ 62,42 milhões, sustentado por um rebanho estimado em 44,35 mil cabeças, que responde por 242 empregos diretos. Em Uirapuru, 32,26% da área mapeada tem uso agropecuário — 5,28 mil hectares de soja, 1,09 mil hectares de pastagens e 59,39 mil toneladas previstas na produção de grãos, totalizando R$ 74,9 milhões em VBP e estimados 217 empregos.
A Estação Parecis, em Diamantino, com 2,17 mil hectares, deve colher 11,65 mil toneladas e gerar VBP de R$ 13,16 milhões, além de manter pequeno rebanho e 35 postos de trabalho. Já a Reserva Kanela do Araguaia, entre Luciara e São Félix do Araguaia, é dominada por pastagens naturais: foram identificadas 17,16 mil hectares com rebanho de 2,59 mil cabeças, produção anual estimada em R$ 199,4 mil e três empregos diretos.
No plano jurídico e político, a polêmica ganhou tração: além do pedido de suspensão das portarias assinado por Famato e CNA junto ao STF, o tema vem movimentando lideranças locais e parlamentares, que cobram estudos de impacto e mecanismos de compensação. A tensão entre decisões administrativas — como homologações feitas pela Funai — e a espera por um entendimento definitivo sobre o marco temporal coloca produtores, comunidades e poderes públicos em uma delicada zona de incerteza.
Enquanto a disputa jurídica avança, gestores e representantes do setor defendem a criação de instrumentos práticos para reduzir danos: políticas de indenização célere, programas de adaptação territorial e iniciativas de desenvolvimento regional que amparem municípios afetados. Para analistas, o desafio será conciliar direitos constitucionais e sustentabilidade econômica sem provocar rupturas sociais e fiscais nas regiões onde o agronegócio é pilar da atividade local.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Custo oculto do trator pode consumir parte da renda da safra
Published
5 horas agoon
23 de setembro de 2026By
Da Redação
Com as máquinas no campo para o plantio da safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chama a atenção para um custo que nem sempre aparece nas contas da propriedade. Além do diesel, o cálculo da hora trabalhada pelo trator deve incluir depreciação, manutenção, seguro, mão de obra e o capital investido no equipamento.
A metodologia da Conab e estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consideram despesas fixas e variáveis para determinar o custo da hora-máquina. Quando parte desses gastos é ignorada, o trator pode parecer econômico mesmo reduzindo a margem da atividade.
O impacto é maior quando o equipamento trabalha poucas horas por ano. Depreciação, seguro e capital imobilizado continuam pesando sobre a propriedade, mas passam a ser divididos por um período menor de utilização. A conta ajuda a decidir entre manter ou trocar a máquina, compartilhá-la com vizinhos ou contratar o serviço.
A depreciação corresponde à perda de valor durante a vida útil. Em uma simulação, um trator comprado por R$ 200 mil e vendido dez anos depois por R$ 80 mil terá perdido R$ 120 mil, o equivalente a R$ 12 mil por ano.
Com 500 horas anuais de trabalho, a depreciação será de R$ 24 por hora. Se o uso cair para 250 horas, o valor subirá para R$ 48 por hora. A diferença mostra por que a ociosidade pode tornar uma máquina cara mesmo sem aumentar o consumo de combustível.
O diesel é calculado pela multiplicação do consumo horário pelo preço do litro. Um trator que utiliza oito litros por hora, com combustível a R$ 6, terá uma despesa de R$ 48 por hora.
Na simulação, ao acrescentar R$ 28 referentes à manutenção e ao operador, os custos variáveis chegam a R$ 76 por hora. Somados aos R$ 24 da depreciação, o resultado é de R$ 100. O cálculo simplificado ainda não inclui seguro, juros, lubrificantes e o custo do capital próprio.
Cada produtor deve substituir os valores do exemplo pelos números da propriedade. Preço de compra, possível valor de revenda, vida útil, horas trabalhadas, consumo de combustível e histórico de manutenção alteram o resultado.
O horímetro do painel é a referência mais segura para medir o uso. A marcação pode ser registrada antes e depois de cada operação ou no fechamento do mês. Notas fiscais e ordens de serviço também ajudam a calcular os gastos reais com peças, pneus e oficina.
Com o custo apurado, é possível compará-lo com o preço cobrado por prestadores da região. A terceirização tende a ser mais vantajosa quando o trator permanece parado durante grande parte do ano, desde que o serviço esteja disponível dentro da janela adequada. Um atraso no plantio, na pulverização ou na colheita pode gerar perda superior à economia obtida.
Compartilhar a máquina ou prestar serviços a propriedades vizinhas também pode aumentar o número de horas trabalhadas e diluir os custos fixos. Já a compra de um equipamento novo só se justifica quando a economia operacional e o ganho de capacidade compensam o investimento.
Regulagem e condução completam a conta. Pressão inadequada dos pneus, excesso de lastro e incompatibilidade entre trator e implemento aumentam a patinagem, o consumo e o desgaste. A manutenção preventiva, por sua vez, reduz o risco de paralisações nos períodos mais importantes da safra.
O cálculo deve ser atualizado quando houver mudanças relevantes no preço do diesel, nos juros, nos salários ou nas despesas de manutenção. A calculadora oferece uma estimativa para orientar a decisão, mas o resultado mais confiável depende dos registros financeiros e operacionais da própria fazenda.
Serviço
A metodologia utilizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com os critérios para o cálculo dos custos de máquinas agrícolas, pode ser consultada clicando aqui.
Fonte: Pensar Agro
Franca (SP) passa a ser, por lei, Capital Nacional do Basquete
Dois dias antes de morrer, Rick Sollo cantou ‘Filha’ em festa de 15 anos
Piranguinho (MG) recebe título de Capital Nacional do Pé de Moleque
Furto ou roubo de combustíveis passa a ser punido com penas maiores
Ambulante Legal regulariza e leva dignidade para cerca de 330 para vendedores
CUIABÁ
Espaço público recebe manutenção após retirada de carros abandonados em Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá realizou serviços de limpeza, manutenção e infraestrutura no bairro Cidade Verde após uma ação de fiscalização...
Afeto e aprendizado: Meninas do Programa Siminina vivem dia especial na Cavalaria da PM
Meninas do Programa Siminina da Unidade Capão do Gama participaram de uma visita à Cavalaria da Polícia Militar de Mato...
Câmara de Cuiabá aprova projeto que reformula e eleva multas ambientais
A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, por 18 votos favoráveis, nesta terça-feira (22), o Projeto de Lei Complementar nº 16/2026,...
MATO GROSSO
OAB-MT lamenta o falecimento do advogado Gouth Valente de Souza Figueiredo
Faleceu de AVC, nesta terça-feira (23) aos 52 anos, o advogado Gouth Valente de Souza Figueiredo, que atuava em Cuiabá,...
Setembro Amarelo: quando a falta de lugar no mundo mata
No mês de prevenção ao suicídio, dados revelam que o Brasil mata mais seus jovens, idosos, indígenas e LGBTQIAPN+. Especialistas...
Bombeiros apresentam ao MPMT avanços no combate ao fogo
A procuradora de Justiça titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística, Eliana Cícero de...
POLÍCIA
PF investiga associação criminosa por tráfico interestadual de drogas no Tocantins
Palmas/TO. A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (23/9), a “5ª Fase da Operação Via Oculta”, com o objetivo de investigar associação...
PF incinera 4 toneladas de drogas em Cascavel/PR
Cascavel/PR. A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (23/9), a incineração de, aproximadamente, 4 toneladas de drogas apreendidas. Os entorpecentes destruídos foram...
PF prende homem por contrabando de cigarros eletrônicos
Vila Velha/ES. A Polícia Federal, com apoio dos Correios, prendeu em flagrante, nessa quarta-feira (23/9), um homem por contrabando e...
FAMOSOS
Dois dias antes de morrer, Rick Sollo cantou ‘Filha’ em festa de 15 anos
Dois dias antes do acidente de helicóptero que terminou com sua morte em Santa Catarina, o cantor Rick, da dupla...
Esposa de Bruno Avelar se despede do empresário que morreu com o cantor Rick
Lívia Avelar, esposa do empresário Bruno Avelar fez uma emocionante despedida nas redes sociais após a morte do marido, vítima...
Esposa de Hick Sollo se despede do cantor após 42 anos juntos: ‘Me ajude a suportar’
A esposa do cantor Hick Sollo emocionou os seguidores ao compartilhar uma mensagem de despedida após a morte do artista....
ESPORTES
Flamengo domina o Bragantino no Maracanã, vence por 2 a 1 e segue firme na liderança
O Flamengo não deu espaço para surpresas neste domingo (20.09). Jogando no Maracanã, o time comandado por Leonardo Jardim dominou...
Cruzeiro vence o Vitória por 3 a 1 e se aproxima da zona de classificação à Libertadores
O Cruzeiro deixou o Barradão com três pontos importantes neste domingo. Jogando em Salvador, o time mineiro saiu atrás do...
Corinthians perde para o Fluminense e amarga sexta derrota seguida no Brasileirão
O Corinthians voltou a tropeçar neste domingo (20.09) e amargou mais uma derrota no Campeonato Brasileiro. Diante do Fluminense, na...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
CUIABÁ7 dias agoOperação recupera rede e avança na limpeza de bocas de lobo no Jardim Paulista
-
Tangará da Serra6 dias agoPrefeitura de Tangará é parceira do projeto “Mãos que Criam” para a geração de renda e a sustentabilidade
-
Ministério Público MT6 dias agoMPMT garante acolhimento de adolescente e apura abandono intelectual
-
FAMOSOS6 dias agoEm entrevista, Wanessa Camargo fala de como foi crescer sob os holofotes: ‘Fama’





