Mais de 1,5 mil atletas participaram, neste domingo (23.2), da 5ª Corrida de Combate ao Trabalho Escravo, realizada no entorno do Parque Tia Nair, em Cuiabá. A largada ocorreu às 6h30, com percurso de 5 quilômetros.
Promovida pela Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae), com apoio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a corrida integra o calendário de ações voltadas à conscientização e ao enfrentamento do trabalho escravo contemporâneo em Mato Grosso.
Além de incentivar a prática esportiva e a qualidade de vida, o evento mobilizou atletas amadores, profissionais, servidores públicos e famílias em torno da prevenção e combate a essa violação de direitos, reforçando a importância da denúncia e da proteção à dignidade do trabalhador.
Na classificação geral, o primeiro lugar feminino ficou com Querli Lima de Paula, enquanto o campeão masculino foi Deivys Jesús. Entre os servidores da Sesp, Lais Hoshino conquistou o primeiro lugar no feminino, e Reginaldo Duarte foi o vencedor na categoria masculina.
A iniciativa consolida-se como uma das principais ações de conscientização social do Estado sobre o tema, reunindo participantes em um momento de integração, cidadania e compromisso com os direitos humanos.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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