A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (9.4), a Operação “Curral do Crime”, voltada ao enfrentamento qualificado do furto de gado (abigeato), em Jaciara, em cumprimento a três ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, no âmbito de investigação que apura a subtração de gado ocorrida no início de 2026, em um propriedade rural no município.
Na ação, desencadeada por meio da Delegacia de Polícia de Jaciara, com apoio da Delegacia de Juscimeira, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, um em imóvel rural e outro em área urbana além de um mandado de prisão preventiva.
O principal investigado, um homem de 47 anos, foi localizado e preso, permanecendo à disposição da Justiça. A decisão judicial destacou a existência de indícios de autoria, bem como a necessidade da custódia cautelar para garantia da ordem pública, diante da reiteração criminosa e do risco concreto de continuidade delitiva.
No cumprimento das diligências, os policiais civis localizaram instrumentos utilizados para a remarcação de gado, evidenciando o método empregado na prática criminosa. As investigações apontaram que as novilhas subtraídas foram adulteradas, com remarcação sobre as identificações originais do legítimo proprietário. A marca inserida apresenta iniciais compatíveis com o nome do suspeito, reforçando os indícios de autoria e a tentativa de ocultação da origem ilícita dos animais.
As apurações também revelaram que o investigado possui histórico de envolvimento em crimes patrimoniais no meio rural, com passagens por receptação, furto e estelionato envolvendo semoventes. O conjunto de elementos evidencia um padrão de atuação reiterada, causando prejuízos significativos aos produtores da região, estimados em mais de R$ 200 mil.
A dinâmica criminosa identificada demonstra um modus operandi estruturado, que inclui a subtração de animais em propriedades rurais, transporte para outras localidades e posterior adulteração das marcas para inserção clandestina no mercado, o que reforçou a necessidade das medidas judiciais adotadas.
As investigações prosseguem com o objetivo de identificar possíveis coautores e aprofundar a análise dos fatos.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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