AGRONEGÓCIO
Lideranças do agro questionam o Plano Safra recorde de R$ 610 bilhões: “apenas marketing”
Publicado em
2 de julho de 2026por
Da Redação
O lançamento do Plano Safra 2026/27, que soma R$ 610,3 bilhões em financiamentos, foi recebido com ceticismo pelo setor produtivo. Enquanto o governo federal anunciou com pompa o programa como sendo o maior da história, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) alertou que o volume total de recursos não esconde o principal entrave do campo: o elevado custo de captação.
Para lideranças do setor, como o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende( foto), o montante bilionário perde eficácia diante de taxas de juros que, na prática, inviabilizam a rentabilidade da produção agrícola nesta temporada.
“O governo venceu a batalha do marketing ao cravar uma cifra recorde, mas é só isso: “marketing”. A viabilidade operacional das fazendas depende de uma variável que o governo não conseguiu equalizar com a mesma empolgação: o custo do dinheiro”, alerta Isan.
A estratégia do governo, ancorada em um aumento de 38% nos recursos destinados a investimentos — que saltaram para R$ 140,2 bilhões —, busca estimular a modernização tecnológica e a expansão da capacidade de armazenamento. Para a equipe econômica, o volume de crédito disponível é a ferramenta necessária para garantir que o setor continue sendo o motor do PIB.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) recebeu os dados com o pé no freio. O argumento central da bancada é que o recorde nominal de R$ 610,3 bilhões deve ser interpretado com ressalvas. “Volume não substitui rentabilidade”, avalia um assessor técnico da FPA.
A preocupação é que o custo do dinheiro, atrelado a taxas de juros que ainda pressionam o caixa do produtor, torne o crédito menos atrativo ou até inacessível para quem precisa de financiamento de custeio — a parte mais sensível da operação agrícola.
Enquanto o governo foca no “investimento de longo prazo”, o produtor foca no “custeio de curto prazo”. A discrepância de visões é clara: enquanto a União vê o plano como um sucesso de planejamento, parte do setor produtivo o enxerga como uma solução parcial. A inflação dos insumos, somada aos juros elevados, cria um cenário onde o produtor precisa de mais crédito para comprar menos insumos, o que, matematicamente, exige um volume maior apenas para manter a operação, e não necessariamente para expandi-la.
A Frente Parlamentar da Agropecuária apontou uma “engenharia financeira” do Governo para inflar os números, denunciando que na verdade houve uma redução real de R$ 29,6 bilhões no crédito rural tradicional em comparação ao ciclo anterior.
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O que diz o Governo: O Executivo celebra o plano como um marco de modernização, destacando um aumento de 38% nos recursos destinados a investimentos. A aposta é na estruturação de longo prazo, focando em tecnologia e sustentabilidade para manter a competitividade brasileira no mercado global.
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o que diz a a FPA: A crítica da bancada ruralista é contundente e foca na perda de capacidade produtiva imediata. A FPA aponta cortes severos em programas vitais para a operação das fazendas: -54% no Moderfrota e -28% em programas de armazenagem. Além disso, o setor alerta para a fragilidade da subvenção ao seguro rural, que permanece insuficiente diante do cenário de instabilidade climática agravada pelo fenômeno El Niño.
Em resumo: O governo prioriza um discurso de “recorde” ancorado em investimentos de longo prazo, enquanto a FPA alerta que a base do custeio e a proteção contra riscos — essenciais para a margem de lucro do produtor nesta safra — foram fragilizadas. O custo financeiro, portanto, deixa de ser apenas uma variável econômica para se tornar o ponto central de atrito entre a estratégia oficial e a sobrevivência operacional no campo.
O governo venceu a batalha da propaganda ao cravar a marca de mais de R$ 600 bilhões. Contudo, o sucesso prático do Plano Safra 2026/27 não será medido pelo volume de papel, mas pela velocidade com que o produtor irá buscar esse crédito nos bancos. Se as taxas de juros não se mostrarem competitivas frente ao custo real de produção, o “maior plano da história” corre o risco de ter parte significativa de seus recursos ociosa, ou seja, sem chegar a quem realmente precisa produzir.
O termômetro do setor
Para o presidente do Instituto do IA, Engenheiro Agrônomo Isan Rezende, a efetividade do Plano Safra 2026/27 não será medida apenas pelo volume nominal de R$ 610,3 bilhões, mas pela adesão real dos produtores nas linhas de crédito.
“O montante ‘bilionário’ perde o brilho diante das elevadas taxas de juros, que corroem a rentabilidade e dificultam a tomada de crédito para o custeio da safra”, pondera o presidente do IA, lembrando que o setor esperava um esforço mais condizente com a realidade de custos atual.
“O anúncio do Plano Safra não pode servir de cortina de fumaça para a dificuldade que o produtor enfrenta na ponta. Precisamos entender que o custo de produção subiu significativamente nos últimos anos e, se não tivermos taxas de juros que acompanhem essa realidade, o crédito disponível se torna uma ferramenta de endividamento, e não de desenvolvimento”.
Rezende ressalta ainda que, sem uma equalização adequada, o agricultor prefere a cautela ao risco:”O que o produtor quer é previsibilidade e competitividade. Não adianta anunciarmos bilhões se, na prática, o custo financeiro torna o projeto inviável. A nossa preocupação é que o produtor, diante desses juros, acabe reduzindo os investimentos necessários para a tecnologia que o próprio governo diz querer incentivar”.
Por fim, o líder setorial destaca que o sucesso da próxima safra depende de um diálogo mais aberto sobre as condições de mercado. “O agronegócio é o setor que sustenta a economia nacional, mas ele precisa ser tratado com a seriedade que o custo do nosso trabalho exige. Seguiremos acompanhando a liberação desses recursos e cobrando transparência, pois o nosso compromisso é com a produtividade e a sustentabilidade econômica de quem, de fato, coloca o Brasil no topo da produção mundial”, completou Rezende.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Obrigatoriedade de CNPJ é adiada: veja o que muda para o produtor
Published
3 horas agoon
2 de julho de 2026By
Da Redação
O produtor rural que atua como pessoa física ganhou mais tempo para se organizar com as novas regras da Reforma Tributária. A Receita Federal e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços decidiram adiar a obrigatoriedade do CNPJ para emissão de notas fiscais: a regra só passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2027.
Até o final de 2026, nada muda na emissão das suas notas. O produtor rural vai continuar utilizando o mesmo sistema e a mesma identificação que já usa hoje para vender sua produção ou comprar insumos.
O governo admite que o sistema precisa ser mais simples e por isso adiou. Este tempo extra serve para que a Receita desenvolva uma plataforma totalmente digital, que seja fácil de usar e que já venha integrada à emissão da nota fiscal. A ideia é evitar que o produtor tenha que fazer cadastros complicados em vários órgãos diferentes.
O que o produtor deve:
Embora o prazo tenha aumentado, não é hora de deixar o assunto de lado. As entidades do setor reforçam três pontos principais:
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Não confunda adiamento com cancelamento: A obrigatoriedade do CNPJ continua valendo para o futuro. Não trate isso como algo que “não vai mais acontecer”.
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Aproveite a transição: Use o tempo disponível para entender como essa mudança vai afetar sua contabilidade. O sistema novo deve ser mais simples, mas a exigência documental é real.
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Procure ajuda técnica: Se você tem dúvidas sobre como essa mudança afeta seu CPF ou sua atividade, consulte seu contador de confiança ou a assessoria jurídica da sua associação de classe.
O importante é utilizar esse período para se adequar gradualmente, garantindo que, quando chegar 2027, o produtor já saiba exatamente o que fazer, evitando surpresas que possam travar a venda da safra ou a compra de insumos.
Fonte: Pensar Agro
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