AGRONEGÓCIO
Agricultura espacial avança no Brasil e gera tecnologia para uso no campo
Publicado em
17 de fevereiro de 2026por
Da Redação
A produção de alimentos pensada para missões espaciais começa a produzir efeitos concretos dentro da porteira. Projetos conduzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com universidades, centros de pesquisa e instituições ligadas ao programa espacial brasileiro, estão desenvolvendo sistemas de cultivo para ambientes extremos: tecnologias que passam a ser consideradas ferramentas de adaptação da agricultura nacional às mudanças climáticas.
O trabalho integra a Space Farming Brazil, rede científica coordenada pela Embrapa que reúne cerca de duas dezenas de instituições de pesquisa brasileiras e internacionais. O objetivo inicial é estudar como produzir alimentos em condições incompatíveis com a agricultura convencional — locais sem solo fértil, com restrição severa de água, alta radiação e controle energético limitado, cenário semelhante ao de futuras bases lunares ou missões de longa duração.
O interesse do agronegócio, porém, não é espacial. É climático.
A agricultura brasileira enfrenta aumento de eventos extremos. Levantamentos da própria Embrapa indicam maior frequência de ondas de calor, irregularidade de chuvas e veranicos prolongados em importantes regiões produtoras do Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba. Nessas condições, parte dos problemas agronômicos começa a se aproximar, em escala menor, do ambiente simulado nas pesquisas espaciais: limitação hídrica, estresse térmico e baixa previsibilidade produtiva.
Cultivar sem solo e com pouca água
Nos experimentos, as plantas não são cultivadas em terra. O desenvolvimento ocorre em sistemas hidropônicos, aeropônicos ou em substratos inertes, com fornecimento preciso de nutrientes. Sensores monitoram continuamente crescimento, fotossíntese, temperatura foliar, respiração e consumo hídrico.
O ganho mais imediato é a eficiência no uso da água. Sistemas fechados permitem reaproveitamento do recurso várias vezes. Em ambientes controlados, a economia pode chegar a 80% a 90% em comparação ao cultivo convencional em campo aberto — uma característica relevante em um país onde a irrigação responde por aproximadamente 70% da água captada para uso humano, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA).
Outro avanço envolve a iluminação artificial. Como no espaço não há ciclo dia-noite adequado à agricultura, foram desenvolvidos sistemas de LED com espectros específicos para a fotossíntese. A luz é ajustada por comprimento de onda, estimulando crescimento, enraizamento ou floração conforme a fase da planta. O resultado é produção contínua, independente de estação do ano ou clima.
Essas tecnologias já aparecem no Brasil em estufas de hortaliças, produção de mudas, viveiros de mudas florestais e agricultura urbana — setores onde a previsibilidade produtiva vale mais do que a escala.
Plantas e microrganismos mais eficientes
Parte importante da pesquisa envolve melhoramento vegetal. O objetivo não é aumentar apenas produtividade, mas eficiência fisiológica: plantas menores, com maior aproveitamento de nutrientes, tolerantes ao calor e capazes de crescer com menos água.
Também estão sendo estudados microrganismos capazes de estimular crescimento, reciclar resíduos orgânicos e aumentar a resistência das plantas ao estresse ambiental. O uso desses bioinsumos pode reduzir fertilizantes químicos e defensivos, um ponto estratégico em sistemas produtivos intensivos.
A agricultura espacial também acelera o desenvolvimento de sensores e automação. Equipamentos monitoram a lavoura em tempo real e identificam antecipadamente estresse hídrico, deficiência nutricional e início de doenças. Na prática, trata-se de uma evolução da agricultura de precisão, porém aplicada a um nível mais controlado de produção.
Por que isso interessa ao produtor
Embora o cultivo de soja, milho ou pecuária extensiva não vá migrar para ambientes fechados, as tecnologias derivadas têm aplicação direta. Sistemas de irrigação de alta eficiência, manejo automatizado, monitoramento remoto e cultivares mais resistentes são considerados ferramentas de adaptação produtiva.
A própria Embrapa trabalha com o conceito de “laboratório extremo”: ao resolver como produzir alimento com quase nenhuma água, solo ou estabilidade ambiental, a pesquisa antecipa soluções para condições que já começam a ocorrer no campo.
O avanço também dialoga com segurança alimentar. A Organização das Nações Unidas projeta população mundial próxima de 9,7 bilhões de pessoas até 2050. A expansão de área agrícola tende a ser limitada, o que pressiona produtividade e eficiência no uso de recursos.
Nesse contexto, a agricultura espacial deixa de ser um projeto futurista e passa a funcionar como linha de inovação agrícola. Tecnologias desenvolvidas para alimentar astronautas podem primeiro chegar a estufas, horticultura intensiva e produção protegida — e, gradualmente, influenciar sistemas produtivos de maior escala.
Na prática, a pesquisa voltada ao espaço não pretende substituir a agricultura tradicional. O objetivo é torná-la mais previsível. Ao aprender a produzir em ambientes extremos, a ciência busca garantir produção estável em um cenário climático cada vez menos estável dentro da própria Terra.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”
Published
22 horas agoon
24 de julho de 2026By
Da Redação
Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.
Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.
O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.
A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.
Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.
Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .
Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.
Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.
Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.
Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.
A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.
Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.
O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.
A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
Sabrina Sato exibe barriguinha de gravidez em look ousado para desfile em São Paulo
Gisela Cardoso destaca que a advocacia é aliada na busca por uma prestação jurisdicional mais célere e efetiva
Novos desembargadores tomam posse e passam a integrar a Corte do TJMT
Município realiza feira para valorização da merenda escolar saudável e da agricultura familiar
Em ação conjunta, FICCO/PR apreende mais de R$ 754 mil em Foz do Iguaçu/PR
CUIABÁ
Trailers abandonados são interditados e terão cinco dias para remoção em Cuiabá
A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp) interditou na noite desta quinta-feira (23) seis trailers instalados em áreas públicas de...
Prefeitura leva mais de 600 vagas do Sine Municipal à Feira de Empregabilidade
A Prefeitura de Cuiabá participará da Feira de Empregabilidade da Universidade de Cuiabá (Unic Beira Rio), ampliando as oportunidades para...
Festa de São Cristóvão ganha novo formato e será destaque no Mato Grosso AgroFestival
A tradicional Festa de São Cristóvão, uma das celebrações religiosas mais importantes para motoristas, caminhoneiros e viajantes, terá uma edição...
MATO GROSSO
Gisela Cardoso destaca que a advocacia é aliada na busca por uma prestação jurisdicional mais célere e efetiva
“Presenciei e participei de muitas histórias diferentes na composição dessa corte, e em todas as oportunidades, sempre fiz o mesmo...
Novos desembargadores tomam posse e passam a integrar a Corte do TJMT
Agamenon Alcântara Moreno Júnior e Antonio Horácio da Silva Neto foram empossados, nesta sexta-feira (24), como novos desembargadores do Tribunal...
Poder Judiciário funciona em regime de plantão final de semana (25 e 26 de julho)
Neste final de semana (25 e 26 de julho), o Poder Judiciário atua em regime de plantão para o recebimento...
POLÍCIA
Em ação conjunta, FICCO/PR apreende mais de R$ 754 mil em Foz do Iguaçu/PR
Foz do Iguaçu/PR. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Paraná (FICCO/PR), em ação conjunta com o Batalhão...
FICCO/PI prende foragido da Justiça
Parnaíba/PI. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Piauí (FICCO/PI) prendeu, na tarde desta sexta-feira (24/7), um foragido...
PF apreende eletrônicos e medicamentos irregulares no Paraná
Maringá/PR. Nesta sexta-feira (24/7), a Polícia Federal e a Receita Federal realizaram uma ação conjunta de fiscalização na PR-317, no município...
FAMOSOS
Sabrina Sato exibe barriguinha de gravidez em look ousado para desfile em São Paulo
Sabrina Sato chamou atenção ao prestigiar um desfile de moda em São Paulo com um look que deixou a barriguinha...
Carol Leite mostra álbum de férias em família com Kaká e as filhas na Disney
Carol Leite, de 30 anos, compartilhou nesta sexta-feira (24), registros das férias em família nos parques da Disney, em Orlando,...
Juju Salimeni entra em trend, compara fotos antigas e revela mudança física
Juju Salimeni, de 39 anos, entrou nas trends que estão fazendo sucesso nas redes sociais e surpreendeu os seguidores ao...
ESPORTES
Atlético-GO vence o Cuiabá fora de casa e termina turno próximo do G-6
O Atlético-GO venceu o Cuiabá por 1 a 0 na noite desta quinta-feira, na Arena Pantanal, e encerrou o primeiro...
Grêmio perde para o Bolívar na altitude de La Paz e terá de reverter desvantagem na Arena
O Grêmio foi superado pelo Bolívar por 3 a 2 na noite desta quinta-feira, no Estádio Hernando Siles, em La...
Botafogo empata sem gols com o Vitória no Nilton Santos
O Botafogo não passou de um empate por 0 a 0 diante do Vitória na noite desta quinta-feira, no Estádio...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
Tribunal de Justiça de MT4 dias agoEstatuto da Criança e Adolescente Digital amplia proteção na internet para o público infantojuvenil
-
CUIABÁ4 dias agoPrefeitura de Cuiabá proíbe publicidade de apostas esportivas em espaços públicos
-
Esportes7 dias agoFlamengo vence Olimpia por 4 a 2 no último amistoso antes da retomada do Brasileirão
-
CUIABÁ3 dias agoPrefeitura avança no Programa Casa Cuiabana com aprovação de 1,2 mil novas moradias em Cuiabá




