AGRONEGÓCIO

Agroleite começa terça e projeta R$ 500 milhões em negócios

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Começa na próxima terça-feira (05.08) em Castro (160km da capital, Curitiba), no Paraná, Agroleite 2025, uma das principais feiras do setor leiteiro da América Latina. Organizado pela Cooperativa Castrolanda, o evento chega à sua 25ª edição com a meta de movimentar cerca de R$ 500 milhões em negócios, valor semelhante ao registrado no ano anterior, quando o volume comercial alcançou R$ 520 milhões.

O evento vai até a sexta-feira (08) no Castrolanda Expocenter. Reconhecida por reunir tecnologia, inovação e oportunidades de negócios, a Agroleite tem como objetivo impulsionar a cadeia do leite, promovendo a troca de conhecimento e o acesso a soluções que contribuam para o aumento da produtividade e da rentabilidade nas propriedades rurais.

Com foco ampliado para os pequenos produtores, a edição deste ano busca oferecer ferramentas que permitam a permanência e o crescimento dessas famílias no campo. A preocupação com a competitividade frente ao leite importado e os custos de produção são desafios centrais que permeiam a programação da feira, que inclui exposições, julgamentos de animais, palestras e atividades técnicas.

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Os organizadores apontam que a conjuntura econômica atual, especialmente os juros elevados para o crédito rural, levou à adoção de uma expectativa conservadora para o volume de negócios. A avaliação é de que muitos produtores devem concentrar seus investimentos em aquisições essenciais, adiando planos mais robustos de expansão.

Para receber o público estimado em 160 mil visitantes — número superior ao registrado em 2024 —, a Castrolanda investiu R$ 12 milhões na ampliação e modernização da infraestrutura do parque.

Entre as melhorias, estão a construção de 14 novas casas para empresas expositoras, ampliando para 50 o total de espaços comerciais fixos no evento. Ao todo, cerca de 360 marcas devem participar da feira, superando as 330 do ano passado. O leque inclui setores como máquinas agrícolas, veículos, energia solar, genética, nutrição animal, laboratórios e instituições financeiras.

A Agroleite 2025 também dará destaque à presença de cerca de 500 animais das raças holandesa e jersey, que participarão dos julgamentos conduzidos por juízes internacionais. A programação técnica contará ainda com um novo pavilhão voltado a palestras e debates especializados, além de uma versão remodelada da Trilha do Leite — experiência que simula o caminho do produto da fazenda até o consumidor final, passando por etapas da indústria e do varejo.

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Outro destaque é o avanço na implantação do Parque Tecnológico do Leite, projeto que já integra o Sistema Estadual de Ambientes Promotores de Inovação do Paraná (Separtec). Com apoio dos governos municipal e estadual, a iniciativa pretende reunir universidades, centros de pesquisa, startups e empresas com foco no desenvolvimento de tecnologias para o setor leiteiro. A proposta é consolidar um polo de inovação que fortaleça a produção regional e promova ganhos de eficiência e qualidade para os produtores.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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