AGRONEGÓCIO

Audiência na Câmara expõe impasse sobre avanço dos javalis e manejo

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O crescimento acelerado da população de javalis voltou ao centro do debate em Brasília nesta quarta-feira (27.08). Em audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, produtores rurais, pesquisadores, associações de caçadores e parlamentares discutiram os riscos do animal, classificado pelo Ibama como espécie invasora.

O consenso foi de que a proliferação da espécie ameaça a agricultura, a biodiversidade e a saúde pública. Mas as soluções dividiram opiniões. De um lado, produtores e deputados pediram menos burocracia e maior autonomia para estados e municípios autorizarem o manejo, alegando prejuízos crescentes às lavouras e risco à pecuária. De outro, pesquisadores e entidades de proteção animal defenderam programas baseados em ciência, com alternativas como anticoncepcionais e critérios claros de abate, alertando para riscos sanitários e ambientais de uma caça liberada.

Dados oficiais do Ibama apontam que 1,18 milhão de javalis foram abatidos até 2024, mas especialistas afirmam que os números são subestimados. Levantamentos paralelos sugerem que o total já ultrapasse 6,5 milhões de animais eliminados. Ainda assim, a taxa de reprodução elevada indica que o controle segue insuficiente. “Para cada javali abatido, nascem dez”, resumiu Osny Zago, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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O risco sanitário foi outro ponto destacado. Deputados lembraram que a peste suína africana, doença erradicada do país desde 1988, poderia voltar via javalis, colocando em xeque a suinocultura e as exportações brasileiras de proteína animal. Pesquisadores da Embrapa reforçaram que a carne do animal não deve ser liberada para consumo, por falta de garantias sanitárias.

No campo legislativo, a audiência serviu para apresentar o Projeto de Lei 4.253/2025, que propõe transferir a competência de manejo do javali a estados e municípios, autorizar a caça por controladores credenciados e permitir o aproveitamento da carne e subprodutos sob inspeção oficial. O autor, deputado Alceu Moreira, argumenta que a descentralização dará agilidade ao processo e reduzirá prejuízos. Já o Ibama defendeu que o controle precisa ser nacional e articulado, com sistemas informatizados para garantir rastreabilidade e fiscalização.

O impasse segue aberto: entre a pressão do setor produtivo por medidas imediatas e a cautela de especialistas em saúde e meio ambiente. Enquanto isso, a população de javalis avança por diferentes biomas e já alcança áreas urbanas, ampliando o desafio do campo para toda a sociedade.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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