AGRONEGÓCIO

Brasil avança pouco em rastreabilidade e enfrenta pressão externa

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A pecuária brasileira ainda avança de forma lenta na rastreabilidade individual de bovinos em um momento de aumento das exigências de importadores, o que começa a pressionar o acesso da carne nacional a mercados mais rigorosos.

Com cerca de 230 milhões de cabeças, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil detém o maior rebanho comercial do mundo. Ainda assim, a identificação individual — padrão adotado internacionalmente — está restrita a uma parcela limitada da produção. Estimativas do setor indicam que menos de 20% dos animais contam com rastreabilidade completa.

O principal instrumento no país é o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), voltado principalmente a atender exigências de exportação. Fora desse circuito, predomina o controle por lote ou propriedade, modelo que atende ao básico do ponto de vista sanitário, mas não garante a rastreabilidade detalhada exigida por compradores internacionais.

A diferença em relação aos concorrentes é significativa. A União Europeia exige identificação individual de bovinos há mais de duas décadas. Países como Austrália e Canadá operam sistemas praticamente universais, enquanto os Estados Unidos avançam na ampliação dos controles sob pressão sanitária e comercial.

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Esse descompasso já começa a ter efeito prático. Novas regras ambientais e sanitárias, especialmente na União Europeia, ampliam a exigência de comprovação de origem e de ausência de irregularidades, como desmatamento. Sem rastreabilidade mais ampla, parte da produção brasileira pode enfrentar restrições ou perder espaço em mercados de maior valor agregado.

No campo, a expansão do sistema esbarra em custos e na necessidade de adaptação tecnológica. A identificação individual exige investimentos em equipamentos, registro contínuo de dados e mudanças na gestão da propriedade — fatores que pesam sobretudo para pequenos e médios produtores.

Mesmo assim, a tendência é de avanço gradual. Iniciativas regionais, como as conduzidas no Rio Grande do Sul com apoio da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), buscam ampliar o controle sobre os rebanhos e testar modelos que possam ganhar escala.

A direção, no entanto, é clara: a rastreabilidade tende a deixar de ser exigência de nicho para se tornar condição de acesso ao mercado. Para o maior exportador de carne bovina do mundo, a capacidade de comprovar a origem do produto passa a pesar tanto quanto o volume produzido.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Setor produtivo e bancos vão travar batalha de R$ 130 bilhões semana que vem no Senado

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A votação do projeto de lei que autoriza a renegociação de dívidas rurais, prevista para a próxima quarta-feira (10.06), tornou-se o ponto central das articulações do setor produtivo em Brasília. Enquanto entidades que representam o campo — como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e associações de produtores como a Aprosoja — intensificam o trabalho junto ao parlamento para assegurar a aprovação do texto com condições viáveis de pagamento, o sistema bancário iniciou uma ofensiva para limitar o alcance da medida.

O setor produtivo argumenta que a renegociação é uma necessidade estratégica para a manutenção da atividade agropecuária no País, diante de um cenário de custos elevados e margens apertadas. A proposta defendida pelos produtores busca um fôlego financeiro essencial para o setor, com prazos de pagamento mais longos e taxas de juros controladas, garantindo que o ciclo produtivo não seja interrompido por desequilíbrios financeiros conjunturais. A mobilização, organizada pelas redes sociais, reflete o peso do setor na economia nacional e o temor de que o crédito rural sofra uma contração ainda maior sem a reestruturação dos passivos.

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Do outro lado, as instituições financeiras, representadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), buscam apresentar um substitutivo. O sistema bancário argumenta que a amplitude do projeto original, aprovado em comissão na semana passada, poderia gerar riscos à segurança jurídica e à previsibilidade do crédito. A proposta dos bancos para “calibrar” o projeto inclui travar o benefício a um teto de R$ 10 milhões por CPF, restringir o escopo a dívidas de 2024 em diante e reduzir drasticamente o período de suspensão de vencimentos.

A disputa técnica centra-se no impacto financeiro e na governança dos contratos. Enquanto os bancos alegam complexidade operacional e riscos de “estímulos indevidos à inadimplência” com os prazos de até 13 anos e juros de 7,5%, os representantes do campo defendem que as regras de enquadramento devem ser amplas o suficiente para atender quem realmente precisa, excluindo apenas situações sem relação direta com a atividade econômica financiada.

A articulação política no Senado segue intensa. O setor produtivo aguarda a definição da pauta para esta semana, ciente de que o texto final poderá sofrer ajustes para acomodar as pressões do sistema bancário, mas mantendo a defesa de que a funcionalidade do sistema de crédito rural não deve ser usada como pretexto para impedir o socorro necessário ao produtor que movimenta a economia brasileira.

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Fonte: Pensar Agro

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