AGRONEGÓCIO

Brasil ganha mapa inédito que mostra o que plantar, onde e como

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A Embrapa Solos e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) lançam, nesta quarta-feira (28.05), uma nova versão do Mapa de Aptidão Agrícola das Terras do Brasil, ferramenta que indica o potencial produtivo dos solos do país para diferentes usos agropecuários. O anúncio oficial será feito durante a solenidade de 50 anos da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro.

Disponível gratuitamente online, o mapa identifica áreas mais ou menos aptas para lavouras, pastagens e florestas plantadas, com base nas condições naturais de solo, relevo e clima. A ferramenta pode ser usada por produtores rurais, gestores públicos e consultores na tomada de decisões estratégicas sobre uso da terra, planejamento agrícola e políticas públicas.

Segundo a Embrapa, a nova versão tem resolução aprimorada e permite consultas desde o nível nacional até por município. As análises consideram três níveis de manejo agrícola — de baixa a alta tecnologia —, o que permite adaptar o uso da terra tanto à agricultura familiar quanto à produção em larga escala.

“Esse é o mapa que mostra o que dá para fazer com a terra sem precisar alterá-la. Ele revela o potencial natural da área”, explica Roberto Teixeira, pesquisador da Embrapa Solos.
Centro-Oeste e Matopiba lideram aptidão para lavouras

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As regiões do Centro-Oeste e do Matopiba (área que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) aparecem com maior proporção de terras classificadas como de alta ou muito alta aptidão para lavouras tecnificadas. Em contrapartida, áreas com relevo acidentado ou solos rasos, comuns no semiárido nordestino e em trechos da Mata Atlântica, apresentam maior limitação.

O levantamento exclui áreas protegidas por lei, como terras indígenas e regiões ainda preservadas da Amazônia.
Cinco fatores limitantes e três níveis tecnológicos

Os pesquisadores avaliaram cinco fatores principais que podem limitar o uso agrícola das terras:

  • deficiência de fertilidade,
  • falta ou excesso de água,
  • suscetibilidade à erosão,
  • impedimentos à mecanização, e
  • obstáculos ao enraizamento (no caso da silvicultura).

Cada um desses fatores recebeu uma classificação de limitação que vai de “nulo” a “extremamente forte”, com graus intermediários. A avaliação permite entender o quanto uma terra se desvia da condição ideal para a atividade desejada.

Além disso, o estudo considerou três níveis de manejo agrícola:

  • nível A, para técnicas simples e rudimentares,
  • nível B, para agricultura com tecnologia intermediária,
  • nível C, voltado à produção altamente tecnificada.
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“Uma área pouco indicada para agricultura mecanizada pode, ainda assim, ser bem aproveitada com técnicas mais simples e gerar boa renda para o pequeno produtor”, explica Amaury de Carvalho Filho, também da Embrapa.

De acordo com os técnicos da Embrapa, o novo mapa pode ser usado para regionalizar incentivos, identificar áreas de expansão agrícola, orientar programas de extensão rural e apontar zonas prioritárias para conservação ambiental.

Dois programas federais já devem ser diretamente beneficiados: o PronaSolos (Programa Nacional de Levantamento de Solos) e o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). O mapa permite alocar recursos de forma mais precisa e ajustar as políticas públicas à realidade de cada região, segundo pesquisadores da Embrapa Solos. A expectativa é que a ferramenta passe por uma última etapa de revisão para complementação de informações em áreas específicas.

A versão já disponível pode ser acessada pelo portal GeoInfo da Embrapa.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.

A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.

O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.

Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.

No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.

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A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.

O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.

Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.

O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.

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Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.

Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.

É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.

A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.

Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.


Fonte: Pensar Agro

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