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DENÚNCIA APONTA POSSÍVEL CRIME AMBIENTAL EM CONFINAMENTO DE GADO EM MATO GROSSO

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Há indícios de que o empreendimento não estaria cumprindo integralmente as exigências legais relacionadas ao manejo e tratamento de dejetos provenientes da atividade pecuária intensiva.
Há indícios de que o empreendimento não estaria cumprindo integralmente as exigências legais relacionadas ao manejo e tratamento de dejetos provenientes da atividade pecuária intensiva.

Uma denúncia acompanhada de documentos e registros de imagem levanta suspeitas de irregularidades ambientais graves no confinamento de gado conhecido como “Abacaxi Quebrado”, localizado na região de Colíder, de propriedade do empresário Flávio Martins Simone.

De acordo com o material obtido, há indícios de que o empreendimento não estaria cumprindo integralmente as exigências legais relacionadas ao manejo e tratamento de dejetos provenientes da atividade pecuária intensiva. O confinamento, por sua natureza, exige estruturas adequadas para contenção e tratamento de resíduos como esterco e urina, evitando qualquer tipo de contaminação ambiental.

As imagens e documentos analisados mostram que as lagoas de contenção existentes seriam insuficientes para suportar o volume de resíduos, especialmente durante o período chuvoso. Essa limitação estrutural pode favorecer o transbordamento e o descarte irregular de material orgânico diretamente no solo, elevando o risco de contaminação do lençol freático.

Outro ponto considerado crítico é a possível existência de sistemas paralelos de escoamento de resíduos. O confinamento teria encanamentos subterrâneos não visíveis, que poderiam estar sendo utilizados para desviar dejetos sem tratamento adequado, dificultando a identificação dessas práticas durante fiscalizações de rotina.

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Caso confirmadas, essas estruturas configurariam um mecanismo deliberado de ocultação de irregularidades ambientais, o que agrava significativamente a situação. Uma vez que, parte desses resíduos podem estar sendo direcionados para áreas externas ao confinamento.

O impacto potencial desse cenário atinge diretamente recursos hídricos da região. Há risco de contaminação do Rio Carapá, considerado um dos principais cursos d’água locais. A introdução de matéria orgânica em grande volume pode comprometer a qualidade da água, afetar a fauna aquática e gerar prejuízos ambientais de grande escala.

Além disso, a possível contaminação de nascentes agrava ainda mais o quadro, uma vez que compromete toda a cadeia hídrica desde sua origem. Especialistas alertam que danos desse tipo podem ter efeitos prolongados e, em alguns casos, irreversíveis.

Diante da gravidade dos fatos apresentados, a denúncia deve ser encaminhada aos órgãos competentes, incluindo o Ministério Público e entidades de fiscalização ambiental, para apuração rigorosa. A eventual confirmação das irregularidades poderá resultar em responsabilização civil, administrativa e criminal.

A reportagem segue aberta para manifestação dos responsáveis pelo empreendimento citado.

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OUTRO LADO

Em nota a empresa Abacaxi Quebrado – Confinamento de Bovinos, localizada em Colider-MT, esclarece que desenvolve suas atividades em estrita conformidade com a legislação ambiental vigente, cumprindo rigorosamente todas as exigências dos órgãos competentes.

Alega que o empreendimento é devidamente licenciado, sendo detentor da Licença de Operação nº 331038/2023, com validade até 30 de novembro de 2027, o que atesta a regularidade de sua operação e o atendimento aos critérios técnicos e legais estabelecidos.

A empresa assegura ainda um responsável técnico ambiental habilitado, que realiza visitas periódicas de acompanhamento, garantindo o monitoramento contínuo das atividades e a adoção de medidas preventivas e corretivas sempre que necessário.

“Destaca-se que todas as estruturas e processos operacionais estão adequados às normas ambientais, assegurando o equilíbrio ambiental e a mitigação de possíveis impactos, conforme previsto nos instrumentos de controle e gestão ambiental.
Em relação ao fato recentemente mencionado, esclarece-se que o ocorrido remonta a vários anos, tendo sido devidamente tratado e saneado à época, com a implementação das medidas cabíveis e acompanhamento dos órgãos competentes”, diz trecho da nota.

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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