AGRONEGÓCIO

Frango fecha semana estável, mas setor mantém ritmo forte no ano

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O mercado brasileiro de carne de frango encerrou a semana passada praticamente no mesmo patamar, com acomodação nas cotações tanto do frango vivo quanto dos cortes no atacado. Apesar do respiro nas negociações dos últimos dias, o desempenho acumulado de janeiro a outubro mostra um setor que operou em ritmo forte, sustentado por embarques recordes e por uma recuperação gradual do consumo doméstico.

Os números mais recentes ajudam a explicar o cenário. No atacado de São Paulo, os cortes congelados recuaram entre R$ 0,40 e R$ 0,80 por quilo ao longo da semana, enquanto o frango vivo manteve estabilidade na maior parte das regiões produtoras. Esse movimento de curto prazo, porém, contrasta com a trajetória dos dez primeiros meses do ano, quando o mercado trabalhou com demanda firme e exportações crescentes.

De janeiro a outubro, o Brasil manteve o padrão de principal fornecedor global de carne de frango, com volumes embarcados mês a mês acima dos de 2024. O saldo parcial de novembro reforça a tendência: nos primeiros cinco dias úteis do mês, as exportações somaram 135,1 mil toneladas, ritmo diário 17,6% superior ao observado em novembro do ano passado.

Esse avanço consolida uma dinâmica que acompanha todo o ano. Para as indústrias, o mercado externo funcionou como amortecedor das oscilações internas, garantindo escoamento da produção e sustentando preços mesmo nos períodos de maior oferta. O crescimento da demanda na Ásia e no Oriente Médio, aliados a contratos de longo prazo com importadores tradicionais, manteve o setor em rota positiva.

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Embora não haja estatísticas mensais fechadas para consumo interno, o comportamento dos preços, as vendas no varejo e os relatórios de produção indicam que a procura dos brasileiros voltou a crescer ao longo de 2025. A queda do desemprego, a melhora da renda disponível e o barateamento de itens da cesta básica deram algum impulso às proteínas de menor custo — entre elas, o frango, que permanece como alternativa central ao consumidor médio.

Os frigoríficos relatam que o varejo trabalhou com volume firme entre abril e agosto, período em que o abastecimento ficou mais ajustado e os preços mostraram maior resistência. O movimento se manteve moderado no início do segundo semestre, mas tende a ganhar força agora no fim do ano, com 13º salário, aumento das confraternizações e expansão de vagas temporárias.

Outro ponto que marcou o acumulado do ano foi a redução da volatilidade do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração. Mesmo com oscilações pontuais, o custo médio da alimentação ficou mais previsível em comparação a 2023 e 2024, dando maior segurança às integrações e às granjas independentes.

No campo, regiões como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul mantiveram estabilidade no preço do frango vivo durante boa parte do ano, oscilando apenas quando a indústria elevou o ritmo de abates em períodos de exportação mais aquecida.

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Na última semana, a acomodação dos preços no atacado não surpreendeu o setor. O frango congelado e resfriado registrou recuos moderados, reflexo de um varejo que ainda opera antes do pico de consumo do fim de ano. Já o frango vivo teve variação tímida: estabilidade em grande parte do Centro-Oeste e pequenas quedas em São Paulo.

No Nordeste, onde a dinâmica de oferta é diferenciada, as cotações seguem mais elevadas — entre R$ 8,30 e R$ 8,70 por quilo — resultado do custo logístico, do abastecimento local e da dependência de cargas vindas das regiões produtoras do Sul e Sudeste.

Com os fundamentos de oferta ajustada, exportações consistentes e expectativa de maior consumo interno, o setor projeta uma recuperação suave das cotações nas próximas semanas. Não se fala em alta explosiva, mas em ajuste gradual, típico do bimestre final.

A leitura no mercado é que o desempenho forte das exportações ao longo do ano deve seguir servindo como sustentação para os preços internos — especialmente se o ritmo de embarques de novembro e dezembro confirmar o padrão observado desde janeiro.

No balanço geral, o frango encerra 2025 como uma das proteínas que mais conseguiu atravessar o ano com equilíbrio entre oferta, demanda e rentabilidade, sustentado por um mercado internacional aquecido e por um consumo doméstico que dá sinais claros de retomada.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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