AGRONEGÓCIO

Governo destina quase R$ 1 bilhão para estimular produção de arroz no Brasil

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O agronegócio brasileiro ganhará um novo impulso com o crédito suplementar de R$ 998 milhões destinado à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A verba, aprovada por meio da Medida Provisória 1.260/2024, será utilizada para lançar contratos de opção de venda de arroz, com o objetivo de fortalecer os estoques públicos e apoiar os produtores rurais. Com essa medida, o governo federal espera incentivar a produção do grão, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por agricultores no Rio Grande do Sul, principal região produtora do país.

A Conab está autorizada a firmar contratos de opção para a compra de até 500 mil toneladas de arroz, um mecanismo que oferece segurança financeira aos produtores. Esses contratos garantem um preço de venda ao governo, com uma margem de lucro que pode ser até 15% superior ao valor mínimo estabelecido para cobrir os custos de produção. Caso o preço de mercado esteja mais alto no momento da colheita, o produtor pode optar por vender o produto no mercado aberto. Se o preço estiver abaixo dos custos, o governo compra o arroz, garantindo rentabilidade aos agricultores.

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Essa política pública se insere no contexto de retomada dos estoques públicos de alimentos, após anos de baixos níveis. O Brasil, que é um dos maiores consumidores de arroz do mundo, busca diversificar a produção, que está concentrada principalmente no Sul do país. Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul tem enfrentado desafios climáticos, como chuvas intensas, que atrapalham o plantio e impactam diretamente na oferta do cereal. Com o início da safra 2024/25, os produtores enfrentam novas incertezas, e o preço do arroz tem oscilado, atingindo R$ 119,47 por saca na última semana — o maior valor desde junho deste ano.

O cenário global também influencia o mercado brasileiro. A Índia, maior exportadora de arroz do mundo, recentemente liberou a exportação de arroz branco não-basmati, após ter imposto restrições no ano anterior devido a baixos estoques. Essa decisão tende a aumentar a oferta global e pressionar os preços internacionais, o que pode impactar diretamente os produtores de arroz no Brasil. Com a entrada de mais produto no mercado, países como Paquistão, Tailândia e Vietnã também devem reduzir seus preços, conforme previsto por analistas internacionais.

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Essas mudanças no mercado internacional tornam ainda mais relevante o suporte do governo brasileiro aos produtores nacionais. Com a Conab preparando os detalhes para o lançamento dos leilões e contratos de opção, a expectativa é que essas ações tragam estabilidade ao setor, promovendo a segurança alimentar e garantindo melhores condições de competitividade para o arroz brasileiro no cenário global.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel

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O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.

A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.

Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.

A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.

No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.

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A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.

“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.

A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.

O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.

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A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.

O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.

Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.

Fonte: Pensar Agro

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