AGRONEGÓCIO

Projeto Barraginhas está ajudando a combater a seca

Publicado em

Em uma fazenda de agricultura regenerativa em Itu (cerca de 100km da capital, São Paulo), um conjunto de pequenas bacias escavadas no solo está ajudando a transformar o modo como a terra retém e distribui a água da chuva. Chamadas de barraginhas, essas estruturas simples funcionam como mini represas temporárias que freiam o escoamento superficial das águas e favorecem a infiltração no solo benefícios que alcançam córregos locais e o próprio Rio Tietê.

As barraginhas têm formato de meia-lua e são abertas em pontos estratégicos do terreno, geralmente em áreas de declive – como se fosse uma ampliação das curvas de nível. O resultado é um aumento na recarga de aquíferos e uma redução da erosão. Cada uma é escavada de modo a acumular parte da água que escorreria livremente após uma chuva intensa. Em vez de seguir seu curso e carregar sedimentos para os leitos dos rios, a água fica retida por algumas horas ou dias, infiltrando-se aos poucos e abastecendo lençóis freáticos.

O conceito foi desenvolvido no final do século XX por pesquisadores brasileiros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), visando o controle da erosão e a convivência com o semiárido. Desde então, a técnica se espalhou por várias regiões do país e passou a ser aplicada em propriedades agrícolas de diferentes portes, especialmente em áreas com histórico de degradação do solo.

Leia Também:  Chuvas abaixo da média devem atrasar safra 2025/26

Na fazenda de Itu, o sistema de barraginhas integra uma estratégia mais ampla de agricultura regenerativa. O objetivo é restaurar a fertilidade natural do solo, reequilibrar o ciclo da água e captar carbono atmosférico, promovendo biodiversidade e produtividade. Desde seu início, o projeto já realizou o plantio de 200 mil mudas nativas e frutíferas em 142 hectares — uma área equivalente a 200 campos de futebol.

As metas são ambiciosas: chegar a 800 hectares de agrofloresta até 2030, combinar espécies da Mata Atlântica com cultivos comerciais e gerar cerca de 120 empregos diretos no campo. De acordo com estimativas, as ações podem evitar R$ 53 milhões em gastos com emissões evitadas e contribuir para remover 500 mil toneladas de carbono da atmosfera em 25 anos. Só em 2025, a expectativa é reduzir 9,6 mil toneladas de CO₂, das quais 2,5 mil derivadas do cultivo de citros em sistema regenerativo.

Outras propriedades rurais e projetos de conservação vêm adotando barraginhas como aliadas na recuperação de nascentes e áreas degradadas. Em estados como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, elas são empregadas com sucesso em programas de revitalização de bacias hidrográficas, integrando práticas como terraceamento, plantio direto e sistemas agroflorestais.

Leia Também:  USDA projeta exportação de 49 milhões de sacas e safra recorde no Brasil

No Espírito Santo a secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), informa que a instalação de barraginhas é extremamente simples e inteligente e tem dado ótimos resultados. “Basta manipular o solo com algumas escavações, numa espécie de micro barragem e respeitando as condições técnicas, e aproveitar as chuvas para fazer o seu papel natural. Com isso, ajuda a resolver um problema histórico no uso intensivo dos nossos solos. E tem mais: o projeto é sustentável, barato e extremamente eficaz. Precisamos ter mais municípios incorporando esta inovação”, incentivou o secretário, Fabrício Machado.

Mais do que obras hidráulicas, as barraginhas simbolizam uma mudança na relação com a terra — uma técnica tecnológica e ecológica ao mesmo tempo, que alia tradição, ciência e regeneração ambiental.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Programa que reduziu roubos no campo enfrenta gargalo de comunicação

Published

on

Responsável por um dos programas de policiamento rural mais abrangentes do País, o Paraná enfrenta um gargalo tecnológico que ameaça limitar os resultados obtidos nos últimos anos. Apesar da redução de 34,6% nos roubos em propriedades rurais desde 2022, as viaturas da Patrulha Rural da Polícia Militar ainda operam sem conexão via satélite em grande parte das áreas mais remotas do Estado, dificultando a comunicação em regiões sem cobertura de telefonia ou internet.

O problema afeta um programa que reúne 37.362 propriedades cadastradas e mais de 24,6 mil propriedades certificadas. Em 2025, testes realizados pelo próprio governo estadual em Londrina e Tamarana demonstraram a viabilidade do uso de internet via satélite nas viaturas, permitindo comunicação estável mesmo durante os deslocamentos por estradas rurais. Mais de um ano depois, porém, a tecnologia ainda não foi incorporada ao sistema.

A demora levou a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) a cobrar prioridade para a implantação do serviço nas equipes que atuam no campo. A entidade argumenta que a falta de conectividade compromete a capacidade de resposta da polícia justamente nas regiões mais afastadas dos centros urbanos.

Leia Também:  ANTT anuncia novo corredor ferroviário para o agro nordestino

“O trabalho da Patrulha Rural é fundamental para a segurança no campo, mas ainda existe um problema que precisa ser resolvido. Em muitas regiões, o produtor não consegue contato com a polícia em situações de emergência porque não há sinal de telefonia ou internet. A tecnologia é indispensável para reduzir essa distância”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Segundo a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, os testes realizados em 2025 apresentaram resultados considerados positivos e o relatório técnico foi encaminhado à Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Em nota, a pasta informou que a Polícia Militar realiza levantamentos para equipar as viaturas da Patrulha Rural, Polícia Ambiental, Batalhão de Fronteira e Polícia Rodoviária, entre outras unidades.

Para Meneguette, os investimentos em conectividade deveriam priorizar o meio rural, onde as limitações de comunicação são maiores.

“Pela própria dimensão territorial, é impossível manter equipes em todos os locais com rapidez. Por isso, a comunicação é uma ferramenta estratégica. O Paraná construiu um modelo de segurança rural que se tornou referência para outros Estados, mas é preciso avançar em tecnologia para garantir que esse sistema continue eficiente”, diz.

Leia Também:  Natal molhado em quase todo país é o que prevê o Inmet

A discussão ocorre em um momento em que a criminalidade no campo exige respostas cada vez mais rápidas e em que Estados produtores buscam ampliar o uso de tecnologias de monitoramento e comunicação nas áreas rurais. Especialistas em segurança pública avaliam que a conectividade tende a se tornar um dos principais pilares do policiamento rural nos próximos anos.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA