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Safra de trigo cai 26% e importações podem atingir volume recorde

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O Brasil deverá colher 5,8 milhões de toneladas de trigo em 2026, queda de 26,2% em relação ao ano passado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A redução da oferta nacional deverá ampliar a necessidade de importações e poderá sustentar os preços pagos pelo cereal de melhor qualidade.

A nova estimativa representa uma perda de aproximadamente 2 milhões de toneladas sobre as 7,87 milhões colhidas em 2025. Em julho, a Conab ainda projetava uma produção próxima de 6 milhões de toneladas.

A retração começa pela área plantada, que caiu 20,4% e passou de 2,45 milhões para 1,95 milhão de hectares. A produtividade média também deverá diminuir 7,2%, para 2.986 quilos por hectare, reflexo do menor investimento nas lavouras e de condições climáticas menos favoráveis.

O desestímulo ao plantio está relacionado aos preços recebidos nas últimas safras, aos custos de produção e à concorrência do produto importado. Em algumas regiões, produtores também reduziram o uso de tecnologia e de fertilizantes nitrogenados, comprometendo o potencial de rendimento.

A Conab projeta consumo interno de 12 milhões de toneladas em 2026, mais que o dobro da produção nacional. Para equilibrar o abastecimento, a companhia estima importações de 7,1 milhões de toneladas, ante 5,9 milhões no ciclo anterior.

Estimativas privadas apresentam um cenário ainda mais apertado. A Safras & Mercado calcula que as compras externas poderão se aproximar de 9 milhões de toneladas, o que representaria o maior volume já importado pelo Brasil. A diferença entre as projeções decorre das expectativas sobre estoques, qualidade da safra e necessidade dos moinhos.

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A situação mais delicada está no Paraná, maior produtor nacional e sede do principal parque moageiro do País. A produção estadual deverá cair de 2,8 milhões para aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, enquanto os moinhos paranaenses demandam 3,85 milhões de toneladas por ano.

A diferença chega a aproximadamente 1,6 milhão de toneladas, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). O volume terá de ser buscado em outros Estados ou no mercado externo.

Para o produtor, a menor oferta pode abrir espaço para recuperação dos preços, principalmente nos lotes com maior teor de proteína e boa qualidade industrial. Dados da Conab mostram que a saca de 60 quilos passou, em média, de R$ 70,28 em junho para R$ 71,69 em julho no Paraná.

A valorização, entretanto, dependerá da cotação do produto importado. A Argentina continuará como principal fornecedora do Brasil devido à proximidade, aos custos logísticos menores e à ausência de tarifa dentro do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A indústria alerta, porém, que parte do trigo argentino disponível até novembro apresenta índices menores de proteína e glúten úmido. Buscar cereal de melhor qualidade em outros mercados elevará a despesa dos moinhos. O trigo dos Estados Unidos pode chegar ao Brasil custando cerca de R$ 300 por tonelada a mais que o argentino.

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Problemas logísticos na região do Mar Negro também pressionam os preços. O conflito entre Rússia e Ucrânia elevou os custos de frete e seguro marítimo, enquanto dificuldades nos portos limitam a disponibilidade efetiva do trigo russo no mercado internacional.

O clima acrescenta outro risco à safra brasileira. O El Niño está em fortalecimento e deverá aumentar a frequência das chuvas no Sul durante a primavera, período de desenvolvimento e colheita das lavouras. O excesso de umidade pode favorecer doenças, dificultar os trabalhos no campo e reduzir a qualidade industrial do cereal.

“As projeções são de que tenhamos chuvas bastante acentuadas pelo menos até outubro, talvez se prorrogando até novembro. Isso, principalmente no Rio Grande do Sul, poderá comprometer a qualidade desse trigo”, afirmou o presidente da Conab, Silvio Porto.

A redução da área já está consolidada, mas o tamanho definitivo da colheita dependerá do comportamento do clima nos próximos meses. Para o produtor que manteve o trigo no planejamento, qualidade, manejo de doenças e escolha do momento da colheita poderão definir o acesso aos melhores preços em uma temporada de oferta nacional mais curta.

Fonte: Pensar Agro

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Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

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Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

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Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

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Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

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