AGRONEGÓCIO

Sanções à Rússia pode encarecer fertilizantes e aumentar custos

Publicado em

A ameaça de sanções secundárias dos Estados Unidos contra países que mantêm comércio com a Rússia preocupa o agronegócio brasileiro. A medida pode afetar diretamente o fornecimento de fertilizantes, insumos essenciais para as principais culturas do país.

O Brasil importa cerca de 86% dos fertilizantes sintéticos que utiliza, e aproximadamente um terço desse volume vem da Rússia, principal fornecedora de produtos à base de nitrogênio e potássio, nutrientes vitais para a soja, o milho e outras lavouras estratégicas. Essa dependência torna o setor agrícola vulnerável a aumentos abruptos de preços e interrupções no abastecimento.

Em algumas regiões, o gasto com fertilizantes chega a representar mais de 20% do custo total de produção agrícola. Caso as sanções se confirmem e dificultem a importação desses insumos, o preço deve subir, levando produtores a reduzir a aplicação, o que pode comprometer a produtividade das safras e, consequentemente, impactar negativamente as exportações brasileiras.

Para reduzir esses riscos, o agronegócio aposta em três frentes: diversificar fornecedores internacionais, com opções em países como Canadá, Marrocos e algumas regiões do Oriente Médio; acelerar a produção nacional, especialmente através do Plano Nacional de Fertilizantes e projetos de mineração de potássio no Amazonas; e aprimorar técnicas agrícolas que aumentem a eficiência do uso dos nutrientes, além de fomentar o uso de bioinsumos.

Leia Também:  Valor da Produção Agropecuária (VPA) atingiu R$ 171,61 bilhões em 2025

Apesar dos desafios, essa conjuntura representa uma oportunidade para o Brasil reforçar sua autonomia na cadeia de fertilizantes e garantir a competitividade do agronegócio diante das instabilidades do mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

Published

on

Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

Leia Também:  Brasil lidera como maior exportador mundial de commodities agropecuárias

A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

Leia Também:  Páscoa garante uma espécie de “natal” para o produtor

Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA