AGRONEGÓCIO
Setor produtivo pede que Presidente sancione integralmente novo marco do licenciamento
Publicado em
24 de julho de 2025por
Da Redação
Representantes de cerca de 90 entidades nacionais — sendo 54 do agronegócio — encaminharam nesta quarta-feira (23.07) um ofício ao Presidente da República solicitando a sanção integral do novo marco legal do licenciamento ambiental, aprovado recentemente pelo Congresso. O pedido é para que o texto, que passou pela Câmara dos Deputados, seja transformado em lei sem vetos.
A carta é assinada por entidades de diversos setores da economia, incluindo agricultura, pecuária, energia, infraestrutura e indústria. Para os signatários, o novo marco representa um avanço necessário para destravar projetos e dar mais segurança a quem produz dentro da legalidade.
Segundo as entidades, o licenciamento ambiental é uma ferramenta importante para garantir que atividades produtivas respeitem o meio ambiente, mas a legislação atual é considerada ultrapassada, confusa e burocrática. O texto aprovado pelo Congresso, argumentam, corrige distorções, unifica regras e cria um padrão nacional mais claro e eficiente.
“O projeto cria um marco técnico e seguro, eliminando sobreposições e incertezas que hoje dificultam investimentos e atrasam a liberação de obras e atividades agropecuárias”, apontam os setores no documento. Para eles, o novo modelo traz equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental.
O pedido também destaca que a proposta não foi construída de forma apressada. O debate sobre o novo marco do licenciamento se estendeu por mais de duas décadas, envolvendo parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil.
INSATISFEITO – Apesar da pressão do setor produtivo, o Ministério do Meio Ambiente demonstrou publicamente insatisfação com o texto aprovado. Em nota, a pasta declarou que o projeto não atingiu resultados satisfatórios e pode fragilizar os instrumentos de proteção ambiental, gerando riscos tanto para o meio ambiente quanto para a segurança jurídica do país.
O ministério também afirmou que solicitou ao Congresso o adiamento da votação para ampliar o debate, o que não foi atendido. Agora, segundo o comunicado, técnicos da pasta estudam medidas para minimizar os possíveis impactos negativos do novo marco legal.
Isan Rezende
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o modelo atual está ultrapassado, gera insegurança e trava iniciativas sérias, mesmo quando seguem todas as exigências ambientais. “O Brasil precisa de um marco legal que traga clareza e previsibilidade para quem produz. O texto aprovado pelo Congresso representa um avanço importante ao simplificar procedimentos sem abrir mão da responsabilidade”.
“Estamos falando de um setor que gera empregos, movimenta a economia e tem um compromisso cada vez maior com a sustentabilidade. O licenciamento ambiental precisa ser um instrumento técnico, e não um obstáculo imposto por interpretações divergentes entre órgãos e estados. A nova lei oferece justamente essa base comum, tão esperada pelos produtores”, frisou Isan.
O presidente do IA lembrou que a nova lei é uma construção coletiva de longo prazo. “Ao longo de mais de 20 anos, esse tema foi amplamente discutido com a sociedade, com técnicos, parlamentares e representantes de vários segmentos. É uma construção coletiva. O presidente tem agora a oportunidade de reconhecer esse esforço e dar um passo definitivo para a modernização das regras”.
“O agro não quer privilégio, quer condições claras para continuar produzindo com responsabilidade. O apelo que fazemos é para que haja sensibilidade diante da realidade no campo. O Brasil precisa crescer com equilíbrio, respeitando o meio ambiente, mas também respeitando quem vive do trabalho na terra”, completou Isan Rezende.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
Published
5 horas agoon
9 de setembro de 2026By
Da Redação
O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.
A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.
Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.
A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.
O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.
Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.
Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.
As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.
A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.
Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.
Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.
Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.
Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.
O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.
Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.
A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.
Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.
Fonte: Pensar Agro
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