AGRONEGÓCIO

Soja e pecuária sustentam VBP de R$ 1,4 trilhão em 2026

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O faturamento bruto da agropecuária brasileira deverá alcançar R$ 1,4 trilhão em 2026, impulsionado principalmente pela soja, pela bovinocultura e pelo milho. Juntas, as lavouras e a pecuária mantêm a receita gerada dentro das propriedades rurais em patamar elevado, apesar da pressão dos custos e das margens mais apertadas enfrentadas por parte dos produtores.

A estimativa consta no levantamento de junho do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O indicador é calculado com base no volume esperado de produção e nos preços recebidos pelos agricultores e pecuaristas.

As lavouras deverão gerar R$ 893,1 bilhões, equivalentes a 64% do VBP nacional. A pecuária aparece com R$ 511,1 bilhões e participação de 36%.

O VBP não representa o lucro do produtor. O cálculo mede a receita bruta obtida “dentro da porteira”, antes do desconto de despesas com sementes, fertilizantes, defensivos, ração, mão de obra, energia, máquinas, arrendamentos, juros e transporte.

Por essa razão, um valor elevado não significa necessariamente melhora da rentabilidade. O indicador pode crescer por causa do aumento da produção, da valorização dos preços ou da combinação dos dois fatores, mesmo quando os custos também sobem.

A soja permanece como a atividade de maior peso no campo brasileiro. O faturamento da oleaginosa foi estimado em R$ 335,8 bilhões, correspondente a 23,9% de todo o VBP.

O desempenho reflete a dimensão da área cultivada, a colheita recorde e a participação brasileira no mercado internacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção de soja da safra 2025/26 em 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% sobre o ciclo anterior.

A bovinocultura ocupa a segunda posição, com R$ 249,5 bilhões, aproximadamente 17,5% do total. A atividade é favorecida pela dimensão do rebanho, pelo volume de abates e pela demanda por carne bovina nos mercados interno e externo.

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O milho aparece em terceiro lugar, com VBP de R$ 155,3 bilhões. Além da comercialização do grão, a cultura tem papel estratégico no abastecimento das cadeias de aves, suínos, bovinos confinados e na produção de etanol.

A cana-de-açúcar deverá movimentar R$ 108,7 bilhões, enquanto a avicultura de corte aparece logo atrás, com R$ 107,3 bilhões. Soja, bovinos, milho, cana e frangos concentram 68,3% de toda a receita bruta calculada para a agropecuária.

O café ocupa a sexta posição, com R$ 104,4 bilhões. O leite deverá gerar R$ 74,4 bilhões; os suínos, R$ 51,7 bilhões; o algodão, R$ 34 bilhões; e os ovos, R$ 28,1 bilhões. As dez principais atividades respondem por quase 89% do VBP nacional.

O resultado mostra a concentração da receita em algumas cadeias de grande escala. Também evidencia a importância das proteínas animais, que somam R$ 511,1 bilhões quando consideradas as diferentes atividades pecuárias acompanhadas pelo levantamento.

No recorte estadual, Mato Grosso mantém a liderança nacional, com VBP estimado em R$ 213,5 bilhões, o equivalente a 15,2% do total. O resultado está ligado principalmente à produção de soja, milho, algodão e bovinos.

Minas Gerais aparece em segundo lugar, com R$ 167,8 bilhões e participação de 12%. A produção mineira é mais diversificada, com peso relevante do café, do leite, da pecuária de corte, da soja, do milho e da cana-de-açúcar.

São Paulo ocupa a terceira posição, com R$ 158,4 bilhões, ou 11,3% do indicador. A economia agropecuária paulista é sustentada principalmente pela cana, pela laranja, pelo café, pela pecuária e pela produção de ovos e carnes.

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O Paraná vem em seguida, com R$ 153 bilhões. Goiás aparece com R$ 117,1 bilhões; o Rio Grande do Sul, com R$ 102,7 bilhões; e Mato Grosso do Sul, com R$ 83,5 bilhões.

A Bahia deverá alcançar R$ 56,9 bilhões, seguida por Santa Catarina, com R$ 54,9 bilhões, e Pará, com R$ 43,7 bilhões. Os dez estados com os maiores valores concentram aproximadamente 82% do faturamento bruto da produção agropecuária brasileira.

A distribuição acompanha a localização das grandes cadeias produtivas. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul têm forte presença de grãos, algodão e pecuária. Minas Gerais combina café, leite e produção animal, enquanto São Paulo reúne cana, citros e atividades pecuárias. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se destacam nos grãos, aves, suínos e leite.

Os números divulgados no levantamento de junho do Ministério da Agricultura são preliminares. A estimativa de 2026 considera as informações de produção e de preços disponíveis até maio e poderá ser revisada nos próximos meses.

Mudanças nas previsões de safra, nas cotações recebidas pelos produtores e no desempenho das atividades pecuárias alteram o resultado. Quebras climáticas tendem a reduzir o volume produzido, embora possam elevar preços. Safras maiores aumentam a disponibilidade, mas também podem pressionar as cotações.

O VBP de R$ 1,4 trilhão confirma o peso econômico da produção rural, mas deve ser analisado em conjunto com os custos. Para o produtor, o resultado decisivo não é apenas quanto a atividade fatura, mas quanto permanece na propriedade depois do pagamento das despesas e das dívidas contraídas para financiar a safra.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões

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O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.

Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.

A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.

A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.

A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.

Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.

A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.

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Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.

A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.

Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.

A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.

O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.

A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.

O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.

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As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.

No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.

Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.

Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.

O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.

Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.

Fonte: Pensar Agro

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