AGRONEGÓCIO

Terminado o carnaval governo volta a discutir medidas para conter alta dos alimentos

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Após o término do Carnaval, o governo federal retoma suas atividades com foco em medidas para conter a inflação dos alimentos. Nesta quinta-feira (06.03) estão programadas duas reuniões coordenadas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, visando alinhar estratégias para enfrentar o aumento dos preços.

Pela manhã, Alckmin se reunirá com os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, além de representantes do Ministério da Fazenda, na sede da vice-presidência da República. O objetivo é discutir internamente propostas para mitigar a alta dos alimentos. À tarde, no Ministério da Agricultura, haverá um encontro com representantes do setor agropecuário e de supermercados, contando também com a presença do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Essas reuniões de trabalho buscam avançar na formulação de medidas efetivas para conter a inflação alimentar.

Na semana anterior, os ministros Fávaro e Teixeira já haviam se reunido com representantes das indústrias de óleos vegetais, açúcar, etanol, carnes e supermercados, solicitando iniciativas dos setores produtivos para auxiliar no controle dos preços.

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Uma das sugestões apresentadas foi a isenção temporária da alíquota de importação de óleos vegetais, como soja, milho, canola e girassol. Embora essa medida possa ter efeito limitado, representa um gesto político diante das restrições governamentais para intervir no mercado. A possibilidade de taxar exportações foi descartada pelo ministro Fávaro, mas permanece em discussão em outras esferas do Executivo.

De acordo com dados recentes, a inflação dos alimentos em domicílios atingiu 8,23% em 2024, desacelerando em dezembro após um período prolongado de alta. Para 2025, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde de 325,7 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 9,4% em relação ao ano anterior, o que pode contribuir para a redução dos preços dos alimentos.

No entanto, a persistência da inflação alimentar preocupa o governo, que busca soluções para aliviar o impacto no orçamento das famílias brasileiras.

As reuniões desta quinta-feira refletem o esforço do governo federal em articular ações conjuntas com diversos setores para enfrentar a inflação dos alimentos e minimizar seus efeitos na população. Espera-se que, a partir desses encontros, sejam delineadas estratégias eficazes para estabilizar os preços e garantir o acesso da população a produtos alimentícios a preços justos.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

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As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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