AGRONEGÓCIO

Turismo rural e viticultura reposicionam pequenas propriedades no Sul do País

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Um vídeo produzido pelo jornalista paranaense José Nascimento, do projeto Top de Gestão, lança luz sobre um movimento silencioso, mas cada vez mais relevante no agronegócio brasileiro: a transformação de pequenas propriedades rurais em negócios baseados na chamada economia da experiência.

Gravado em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, o material documenta a trajetória da Casa Rigotti, empreendimento familiar que alia produção de uva de mesa, turismo rural e valorização da memória regional como estratégia de geração de renda e diferenciação econômica.

A experiência registrada mostra como produtores de menor escala vêm buscando alternativas para escapar da dependência exclusiva da venda de commodities, incorporando serviços, narrativa cultural e contato direto com o consumidor final. O vídeo foi produzido durante uma visita técnica e de pesquisa de campo para um livro em desenvolvimento pelo jornalista, que acompanha iniciativas de gestão e inovação no meio rural.

Localizada em uma área marcada pelos vestígios da antiga ferrovia do Contestado, a Casa Rigotti combina viticultura com atividades de visitação, colheita assistida, gastronomia caseira e hospedagem rural. A proposta, conduzida pelo produtor Edir Rigotti e sua esposa e sócia Greicy Rigotti, parte de um princípio simples: agregar valor ao produto agrícola por meio da experiência, e não apenas pelo volume produzido.

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A propriedade cultiva cerca de 5,2 mil videiras de uvas de mesa, como Ísis, Vitória, Niágara branca e rosada, Núbia e Vênus, com manejo que prioriza menor uso de defensivos. Mas o diferencial econômico está fora do parreiral tradicional. Visitantes percorrem trilhas ao lado da ferrovia histórica, participam da colheita, consomem os frutos diretamente da planta e têm acesso a produtos coloniais e artesanais comercializados no próprio local.

O modelo se insere em uma tendência mais ampla do turismo rural no Brasil. Levantamentos setoriais indicam crescimento médio anual próximo de 6% no segmento, impulsionado pela demanda por experiências autênticas, contato com a natureza e consumo de alimentos com identidade de origem. O Ministério do Turismo define o turismo rural justamente como a integração entre produção agropecuária, cultura local e prestação de serviços — combinação que vem ganhando espaço como alternativa de renda no campo.

Do ponto de vista produtivo, a estratégia dialoga com a realidade da cadeia da uva no País. Dados do IBGE mostram que o Brasil produziu cerca de 1,45 milhão de toneladas da fruta em 2022, em aproximadamente 74,8 mil hectares. Embora estados como Rio Grande do Sul e São Paulo concentrem os maiores volumes, regiões como Santa Catarina ocupam nichos importantes, especialmente quando apostam em qualidade, diversificação e venda direta ao consumidor.

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Especialistas em estratégia e gestão rural observam que, em mercados cada vez mais competitivos, a diferenciação deixou de estar apenas no produto físico. “Quando o consumidor participa do processo, entende a história e cria vínculo emocional, o valor percebido muda completamente”, observa José Nascimento no vídeo. Segundo ele, iniciativas como a da família Rigotti demonstram que pequenas propriedades podem competir não por escala, mas por significado.

Além do impacto direto na renda da família, o modelo gera efeitos indiretos na economia local, ao atrair visitantes que movimentam serviços, comércio e gastronomia da região. Também contribui para a preservação do patrimônio histórico e ambiental, fator cada vez mais relevante para públicos interessados em turismo sustentável.

O registro audiovisual funciona, assim, menos como vitrine individual e mais como estudo de caso de um movimento maior: o de um agro que começa a combinar produção, território, história e experiência como estratégia econômica — especialmente em regiões onde o crescimento por área ou volume encontra limites claros.

Assista o vídeo CLICANDO AQUI

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Setor produtivo e bancos vão travar batalha de R$ 130 bilhões semana que vem no Senado

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A votação do projeto de lei que autoriza a renegociação de dívidas rurais, prevista para a próxima quarta-feira (10.06), tornou-se o ponto central das articulações do setor produtivo em Brasília. Enquanto entidades que representam o campo — como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e associações de produtores como a Aprosoja — intensificam o trabalho junto ao parlamento para assegurar a aprovação do texto com condições viáveis de pagamento, o sistema bancário iniciou uma ofensiva para limitar o alcance da medida.

O setor produtivo argumenta que a renegociação é uma necessidade estratégica para a manutenção da atividade agropecuária no País, diante de um cenário de custos elevados e margens apertadas. A proposta defendida pelos produtores busca um fôlego financeiro essencial para o setor, com prazos de pagamento mais longos e taxas de juros controladas, garantindo que o ciclo produtivo não seja interrompido por desequilíbrios financeiros conjunturais. A mobilização, organizada pelas redes sociais, reflete o peso do setor na economia nacional e o temor de que o crédito rural sofra uma contração ainda maior sem a reestruturação dos passivos.

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Do outro lado, as instituições financeiras, representadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), buscam apresentar um substitutivo. O sistema bancário argumenta que a amplitude do projeto original, aprovado em comissão na semana passada, poderia gerar riscos à segurança jurídica e à previsibilidade do crédito. A proposta dos bancos para “calibrar” o projeto inclui travar o benefício a um teto de R$ 10 milhões por CPF, restringir o escopo a dívidas de 2024 em diante e reduzir drasticamente o período de suspensão de vencimentos.

A disputa técnica centra-se no impacto financeiro e na governança dos contratos. Enquanto os bancos alegam complexidade operacional e riscos de “estímulos indevidos à inadimplência” com os prazos de até 13 anos e juros de 7,5%, os representantes do campo defendem que as regras de enquadramento devem ser amplas o suficiente para atender quem realmente precisa, excluindo apenas situações sem relação direta com a atividade econômica financiada.

A articulação política no Senado segue intensa. O setor produtivo aguarda a definição da pauta para esta semana, ciente de que o texto final poderá sofrer ajustes para acomodar as pressões do sistema bancário, mas mantendo a defesa de que a funcionalidade do sistema de crédito rural não deve ser usada como pretexto para impedir o socorro necessário ao produtor que movimenta a economia brasileira.

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Fonte: Pensar Agro

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