AGRONEGÓCIO

União Européia rotula Brasil como país de “risco padrão” e ignora leis brasileiras

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A Comissão Europeia publicou nesta quinta-feira (22.05) a primeira lista oficial de classificação de risco de desmatamento para países exportadores de commodities, dentro da implementação do Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês).

O regulamento, que entra em vigor em 30 de dezembro deste ano, define critérios rígidos para a entrada no mercado europeu de sete produtos associados à expansão agrícola e à supressão de vegetação nativa.

O Brasil foi enquadrado na categoria de “risco padrão”, ao lado de outros 49 países. A decisão afastou, por ora, o estigma de “alto risco”, mas está longe de ser motivo de celebração (saiba mais aqui). Isso porque a classificação não apenas impõe obrigações específicas de controle e verificação documental, mas também estabelece um regime de vigilância continuada que permite à Comissão Europeia revisar, reclassificar e, potencialmente, restringir o comércio com base em critérios próprios, sem necessidade de negociações bilaterais, sem levar em conta a legislação local.

A categoria de risco define o nível de controle alfandegário e de verificação de conformidade ambiental ao qual os produtos estarão sujeitos. Países considerados de:

Baixo risco: terão 1% dos carregamentos verificados.

Risco padrão: passam por uma taxa de verificação de 3%.

Alto risco: enfrentam inspeções em até 9% dos carregamentos.

Na prática, o “risco padrão” não é neutro: ele representa uma presunção de dúvida, ou seja, o país é considerado suficientemente problemático para justificar um monitoramento contínuo, mas não o bastante para ser totalmente restringido. Isso impõe custos logísticos, aumento de burocracia e risco de atrasos para exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio.

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Além disso, o regulamento obriga os operadores a provar que os produtos não foram cultivados em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Essa obrigação recai mesmo sobre produtores que operam dentro das regras do Código Florestal brasileiro — uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo. Esse é um dos pontos centrais da crítica brasileira: a norma europeia ignora ou sobrepõe a soberania regulatória dos países exportadores.

A tensão entre os países produtores e a União Europeia é tanto ambiental quanto jurídica. A imposição unilateral de regras extraterritoriais — como a classificação de risco — é vista por diversos governos como ingerência indevida em políticas domésticas. Não houve consulta estruturada, nem negociação multilateral, o que reforça a percepção de que a medida tem viés protecionista, mascarado sob o discurso climático.

Embora o Brasil não tenha sido colocado na categoria mais crítica, o posicionamento como “risco padrão” o sujeita a uma forma de vigilância institucionalizada, passível de agravamento. Bruxelas pode, por exemplo, utilizar esse instrumento para questionar projetos de expansão agrícola ou pressionar por mudanças internas, como revisões no licenciamento ambiental, exigência de georreferenciamento em tempo real ou imposição de pactos bilaterais mais duros.

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Lideranças do agronegócio brasileiro têm repetido o mesmo alerta: a nova lei europeia não leva em conta a legislação brasileira. O Código Florestal, por exemplo, obriga todo produtor rural a manter áreas preservadas, respeitar limites de uso da terra e, em muitos casos, até recuperar o que foi desmatado. São regras duras, que não existem em vários países que foram classificados como de “baixo risco” pela Europa.

Essa diferença de tratamento tem causado revolta. Países como Estados Unidos, Canadá, Índia e China foram colocados como de “baixo risco”, mesmo tendo leis ambientais mais frouxas ou índices de desmatamento parecidos — ou até piores — do que o Brasil. Para muita gente, a escolha parece mais política do que técnica.

Na prática, isso significa que produtos desses países vão entrar com mais facilidade no mercado europeu, enquanto o Brasil vai ter que enfrentar mais burocracia e fiscalização. Isso pode desviar compradores dos nossos produtos, favorecendo concorrentes que foram “aliviados” pela lista.

Mesmo com promessas recentes de que vão facilitar um pouco as regras, a Europa continua insistindo em impor leis ambientais que valem para o mundo todo, sem conversar com ninguém e sem respeitar o que cada país já faz. O problema é que isso mexe direto com o comércio e prejudica quem está fazendo a coisa certa, como muitos produtores brasileiros.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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