Várzea Grande

Saúde de Várzea Grande avança na modernização do e-SUS com inteligência artificial e gestão em tempo real

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A Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande iniciou uma nova etapa de modernização dos processos de atendimento e gestão da Atenção Básica em Saúde. Superintendentes das áreas de Atenção Primária, Atenção Secundária e Regulação participaram de um treinamento sobre a evolução do e-SUS, sistema utilizado pelo Ministério da Saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

A proposta não é substituir o e-SUS, mas ampliar suas funcionalidades e transformar a ferramenta em uma plataforma mais inteligente, integrada e orientada por dados. A iniciativa prevê a utilização de recursos de Inteligência Artificial (IA), painéis de Business Intelligence (BI) e mecanismos capazes de auxiliar os profissionais no acompanhamento dos pacientes e os gestores no monitoramento dos indicadores da rede.

A tecnologia poderá permitir, por exemplo, que, ao acessar a ficha de um paciente, o profissional tenha uma visão mais completa do histórico e receba alertas sobre informações que precisam de atenção, como consultas ou acompanhamentos atrasados, exames pendentes, vacinação, atualização cadastral e outras necessidades identificadas a partir dos dados disponíveis no sistema.

A IA será utilizada como ferramenta de apoio ao trabalho das equipes, sem substituir a avaliação e a decisão dos profissionais de saúde. A intenção é facilitar o acesso às informações e permitir que o servidor tenha uma visão mais ampla do paciente durante o atendimento.

“Estamos trabalhando para que a tecnologia seja uma aliada cada vez maior da saúde pública. Não estamos falando em abandonar o e-SUS, mas em evoluir a forma como utilizamos essa ferramenta, agregando inteligência, informação e recursos que possam ajudar o profissional e, principalmente, melhorar o acompanhamento do cidadão. Queremos uma gestão que consiga enxergar os problemas com mais rapidez e agir antes que eles se tornem maiores”, destacou o secretário municipal de Saúde interino, Michael Alves.

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Para o assessor da Atenção Primária, Marcílio Neto, a ferramenta é muito importante para o acompanhamento das comunidades e dos usuários dentro da área de abrangência de cada Unidade Básica de Saúde.

“Com essa evolução, teremos um ganho ainda maior para as nossas equipes de Saúde da Família, principalmente na geração de relatórios e no acompanhamento das metas de prevenção. Isso permite identificar situações que precisam de atenção antes que se agravem, especialmente as condições sensíveis à Atenção Primária, evitando que esses pacientes evoluam para casos mais complexos e precisem buscar atendimento na média e alta complexidade, sobrecarregando as UPAs e o pronto-socorro”, destacou Marcílio Neto, coordenador da Atenção Primária.

Outro eixo da proposta é a criação de painéis de BI para o acompanhamento dos indicadores da Atenção Básica. A ferramenta poderá permitir aos gestores visualizar, de forma mais dinâmica, dados relacionados à produção das unidades, atendimentos, encaminhamentos, vacinação, acompanhamento de gestantes, hipertensos, diabéticos, crianças, idosos e outros indicadores assistenciais.

Com os painéis, também será possível comparar o desempenho das unidades, identificar metas que estão em risco e localizar possíveis gargalos. A ideia é fazer com que o gestor consiga sair de uma visão apenas numérica e chegar à origem de determinada situação, permitindo uma atuação mais rápida e direcionada.

Para o coordenador de Tecnologia da Informação da Secretaria Municipal de Saúde, Sérgio Freitas, a iniciativa representa uma mudança na forma de utilizar os dados produzidos diariamente pelas unidades.

“Temos uma quantidade muito grande de informações sendo geradas todos os dias. O nosso desafio é transformar esses dados em informação útil para quem está na ponta e também para quem está tomando as decisões. A tecnologia pode ajudar o profissional a encontrar aquilo que realmente precisa de atenção e, ao mesmo tempo, permitir que o gestor acompanhe o funcionamento da rede de maneira muito mais rápida e precisa”, afirmou.

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A modernização também busca fortalecer a atualização permanente dos cadastros dos usuários. A plataforma poderá identificar informações desatualizadas, possíveis duplicidades, dados divergentes e pacientes que precisam ser chamados pelas equipes para atualização ou continuidade do acompanhamento.

Com isso, a proposta é criar um ciclo mais completo de cuidado: o sistema reúne o histórico do paciente, identifica necessidades, apresenta alertas ao profissional, auxilia no acompanhamento e transforma os dados gerados nas unidades em indicadores para a gestão.

O treinamento dos superintendentes faz parte desse processo de preparação das equipes para a utilização das novas ferramentas. A expectativa é que cada área possa compreender como os recursos tecnológicos poderão ser aplicados à sua rotina e contribuir para uma gestão cada vez mais integrada.

“Quando conseguimos reunir informação, tecnologia e conhecimento das equipes, conseguimos melhorar o planejamento e também a resposta ao cidadão. A nossa meta é que o sistema não seja apenas um lugar onde o profissional registra o que já aconteceu, mas que também ajude a mostrar o que precisa ser feito a partir daquele momento”, explicou Sérgio.

A iniciativa integra o processo de transformação digital da Secretaria Municipal de Saúde e busca fortalecer uma Atenção Básica mais eficiente, preventiva e baseada em evidências, utilizando a tecnologia para apoiar tanto os profissionais que estão nas unidades quanto os gestores responsáveis pelo planejamento das ações de saúde do município.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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Setembro Amarelo leva acolhimento, escuta e informação sobre saúde mental à comunidade de VG

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Uma manhã de acolhimento, escuta e muita emoção marcou a ação do Setembro Amarelo realizada na Unidade de Saúde da Família do Jardim Santa Isabel, em Várzea Grande. Coordenada pela equipe da unidade, sob responsabilidade da enfermeira Cida Campos, a programação levou informações sobre saúde mental para perto da comunidade de forma leve, participativa e descontraída.

A atividade começou com um alongamento conduzido pelo professor de Educação Física Jonas, preparando os pacientes para uma manhã de interação. Em seguida, a equipe propôs a dinâmica “Explosão de Alívio: você não está sozinho”.

Em um painel, balões traziam palavras que representam sentimentos e situações vivenciadas por muitas pessoas, como medo, raiva, ansiedade e insegurança. Cada participante escolhia um balão relacionado ao sentimento que estava enfrentando naquele momento. Ao estourá-lo, encontrava uma mensagem de encorajamento, como forma de enfrentar e ressignificar aquela emoção.

Depois, a atividade continuava com uma corda, utilizada pelos participantes para extravasar os sentimentos. A proposta era colocar para fora aquilo que, muitas vezes, fica guardado.

A aposentada Maria Lúcia Zanon Ramos, de 64 anos, participou da dinâmica e lembrou de um momento em que precisou do acolhimento da equipe da unidade durante um tratamento para depressão. Segundo ela, após suspender a medicação por conta própria, chegou à unidade nervosa e chorosa e encontrou profissionais dispostos a ouvi-la e orientá-la.

“Quando fiz tratamento de câncer, também precisei muito de pessoas que me ouvissem. Eu precisava falar, desabafar. Então, quando a gente encontra um amigo, uma pessoa que dá atenção, isso é muito importante”, contou.

Na dinâmica, Maria Lúcia escolheu a mensagem “Bota para fora tudo que está dentro do meu coração”. Depois, usou a corda para representar esse momento de colocar para fora aquilo que sentia.

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“Eu sacudi aquela corda com toda a força para botar para fora tudo o que sinto dentro de mim”, relatou.

Atenção aos sinais começa dentro de casa

Durante a programação, o médico de família Anderson Leal também conversou com os pacientes sobre a importância de observar mudanças de comportamento, palavras e atitudes de familiares e pessoas próximas.

Ele reforçou que sinais de sofrimento emocional não devem ser ignorados e que buscar ajuda é fundamental. As unidades de saúde podem realizar o acolhimento, orientar e encaminhar os pacientes quando necessário, de acordo com cada situação.

Para a gerente da unidade, Maristela de Moraes, realizar ações como essa junto à comunidade faz parte do papel da saúde pública.

“É muito importante a unidade estar à frente de ações como essa, próxima da comunidade, principalmente para tratar de um assunto tão importante como o Setembro Amarelo. Nosso papel como saúde é acolher, orientar e encaminhar os pacientes que estão enfrentando problemas como depressão e ansiedade”, destacou.

Olhar atento pode ajudar a identificar sinais

A responsável técnica da unidade, enfermeira Cida Campos, ressalta que o cuidado com a saúde mental precisa acontecer durante todo o ano, e não somente em setembro.

“É muito importante que toda a equipe se mobilize, tanto pelos profissionais da saúde quanto pela população que precisa de ajuda. Temos que estar aqui de braços abertos para acolher, dar um abraço e uma palavra de conforto. O Setembro Amarelo reforça essa atenção, mas esse cuidado precisa existir o ano inteiro”, afirmou.

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Cida também chama a atenção para a necessidade de profissionais e familiares observarem mudanças no comportamento, principalmente entre adolescentes. Segundo ela, a unidade já recebeu casos de adolescentes em sofrimento emocional que apresentavam sinais de automutilação.

Em um dos casos, uma adolescente chegou acompanhada pela coordenadora da escola. Ela era retraída, falava pouco e costumava usar blusas de manga comprida mesmo em dias de calor. A escola não havia identificado inicialmente o motivo do comportamento, mas buscou a unidade para pedir orientação.

A equipe realizou o acolhimento e, diante dos sinais identificados, fez o encaminhamento adequado para acompanhamento especializado.

“É muito importante nós, profissionais da saúde, estarmos atentos. Muitas vezes, os adolescentes usam blusas de frio, capuz ou mangas compridas para esconder as marcas. Precisamos ter essa percepção no olhar e prestar atenção às mudanças de comportamento”, explicou Cida.

Quando necessário, os casos são encaminhados para os serviços da Rede de Atenção Psicossocial, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de acompanhamento com profissionais especializados e ações integradas ao Programa Saúde na Escola.

A ação no Jardim Santa Isabel mostrou que falar sobre saúde mental também pode ser uma oportunidade para criar vínculos, estimular a escuta e lembrar que ninguém precisa enfrentar sozinho sentimentos que parecem difíceis de suportar.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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