O advogado Douglas Rafael e o irmão dele e sócio, o gastrônomo Gilberto Miranda, são exemplos de que a persistência e a valorização da cultura regional podem transformar um sonho em realidade. O que começou de forma simples, com a venda de lanches em frente a uma boate no fim da pandemia, em 2022, hoje se tornou a hamburgueria Que Que Esse, um espaço que une sabor, memória afetiva e a tradição cuiabana.
A ideia nasceu da necessidade de uma renda extra e do desejo de empreender de ambos. No início, o desafio era grande, conciliar a advocacia e a rotina de trabalho com noites inteiras na rua. Mas foi essa experiência que, segundo Douglas, deu a envergadura para hoje encarar qualquer desafio.
Para dar início ao atendimento, os irmãos investiram no primeiro carrinho, adaptado de hot-dog para hamburgueria. Mas logo o espaço de trabalho ficou pequeno o que levou eles ao próximo passo e adquiriram um foodtruck e se instalaram no bairro Jardim Imperial. Com o ponto físico e a clientela crescendo, o negócio ganhou visibilidade e identidade, consolidando o conceito de hamburgueria gourmet com sotaque cuiabano.
O sucesso trouxe novas perspectivas, atentos aos pedidos dos clientes e ao potencial do negócio, Douglas e Gilberto decidiram abrir um ponto físico. Foi nesse momento que recorreram à Desenvolve MT – Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso. Com o crédito, os empresários montaram a cozinha do novo negócio. “Eu brinco que a cozinha aqui tinha que ter a placa da Desenvolve, porque ela foi toda estruturada, como chapa e bancada refrigerada, entre outros equipamentos essenciais” destaca Douglas.
A hamburgueria, inaugurada há apenas quatro meses, já mostra resultados expressivos, crescimento de público em 80% e faturamento dobrou. Atualmente, a Que Que Essê mantém quatro colaboradores fixos, podendo chegar em até 12 membros na equipe em eventos e finais de semana. Douglas destaca também que, sem o apoio da Desenvolve, o marco de abrir a hamburgueria chegaria, mas demoraria ainda cerca de 2 anos.
“É importantíssimo essa linha de crédito, porque ela vem justamente para fortalecer o pequeno empreendedor que quer expandir e buscar um degrau acima. Somente com essas trocas nós vamos conseguir ter um bairro, um município e um estado melhor. Precisamos trazer essa mentalidade de somar e não dividir.”, reforça o empresário.
Mais do que um negócio de sucesso, a hamburgueria se destaca por resgatar e valorizar a cultura cuiabana. O cardápio traz elementos regionais, como o “furrundum”, o “piche” e a porção de pintado, além de nomes inspirados no dicionário cuiabano e na música local. A identidade também está presente em receitas afetivas, como o sanduíche que leva o nome da casa, inspirado no lanche que a avó preparava para os irmãos no café da manhã, agora reinventado pelo chef e sócio Gilberto.
“A nossa cultura é muito rica e aos poucos ela está se perdendo, porque poucos conhecem e muitos têm vergonha. E a gente acredita na cultura e quer valorizar isso mais”, afirma Douglas.
Desenvolve Empresarial
A linha Desenvolve Empresarial, da Desenvolve MT, foi criada para apoiar empreendedores do setor do comércio, atacado e varejo e outros, que buscam investir na modernização e expansão de seus negócios.
O financiamento pode chegar a R$1,5 milhão, com prazos de pagamento de até 120 meses e carência de até 12 meses. As condições são atrativas: taxas a partir de 1,4% ao mês e até 20% de bônus de adimplência para quem mantém os compromissos em dia.
Os recursos podem ser aplicados em diversas áreas estratégicas, como obras civis, compra de máquinas e equipamentos, mobiliário, softwares, capacitação, estoque e até mesmo em usinas fotovoltaicas, investimentos essenciais para fortalecer e impulsionar o comércio varejista.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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