Artistas cuiabanos de diversos segmentos têm até a próxima quinta-feira (27.3) para se inscrever no edital “No Coração de Cuiabá”, que oferece 88 vagas em áreas como música, dança, teatro, grafite, cerâmica e culinária. A iniciativa busca valorizar talentos exclusivamente residentes na capital.
Mais do que fomentar a cultura, o projeto tem como foco principal impulsionar o turismo em Cuiabá, por meio da revitalização urbana do Centro Histórico. A proposta é transformar o coração da cidade em um vibrante polo de arte e cultura, com intervenções artísticas que fortaleçam a identidade local, a economia criativa e a criação de rotas turísticas que conectem o visitante à alma cuiabana.
Com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec/MT), o projeto integra cultura e desenvolvimento, apostando na arte como motor do turismo urbano. A ação também conta com a parceria do Instituto Cordemato e apoio institucional da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio de emenda parlamentar.
Durante as comemorações do aniversário da capital, o Centro Histórico será palco de apresentações, oficinas, documentários e experiências culturais que refletem a diversidade de Cuiabá. Mas o projeto vai além: as ações também alcançarão os bairros, revelando as expressões culturais que nascem nas comunidades e dando visibilidade aos artistas em seus próprios territórios.
Os artistas selecionados receberão cachês de até R$ 3 mil por apresentação ou oficina. Já os produtores culturais poderão receber até R$ 7,5 mil por eventos de artes integradas e até R$ 10 mil por intervenções em grafite.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site oficial do projeto: https://coracaodecuiaba.com.br, onde também está disponível o edital completo.
Cronograma
As atividades do projeto serão realizadas de 07 de abril a 07 de maio, no Centro Histórico e nos bairros dos artistas selecionados, conectando arte, identidade e território em uma programação que promete movimentar a cidade e atrair visitantes.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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