A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) realiza, entre terça-feira (19.8) e quinta-feira (21.8), uma formação voltada a professores de salas de recursos multifuncionais das escolas estaduais dos 13 polos regionais de educação. A capacitação é realizada no Hotel Gran Odara, em Cuiabá.
O encontro tem como objetivo a formação continuada, o compartilhamento de experiências, desafios e boas práticas na implementação do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que é um serviço complementar e suplementar à escolarização, destinado a alunos com deficiência, transtornos do espectro autista e altas habilidades/superdotação.
O AEE busca superar barreiras promovendo a autonomia dos estudantes, oferecendo recursos pedagógicos e estratégias que possibilitam a plena participação no processo de ensino-aprendizagem.
A capacitação é importante para a troca de conhecimentos entre os profissionais, pois permite replicar estratégias bem-sucedidas em diferentes escolas, além de oferecer formação continuada que fortalece a inclusão.
Durante o evento, será lançado o Caderno de Orientações Pedagógicas do AEE, material que servirá como guia para a atuação dos professores em sala de recursos multifuncionais. O material aborda a estruturação do trabalho, a articulação entre profissionais e as responsabilidades compartilhadas.
A programação inclui, ainda, apresentações de boas práticas desenvolvidas nas escolas e atividades práticas promovidas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
De acordo com o secretário de Educação, Alan Porto, a formação reafirma o compromisso do Estado com uma educação inclusiva e de qualidade, capaz de assegurar que todos os estudantes, independentemente de suas condições, tenham acesso ao aprendizado e à vida escolar em igualdade de oportunidades.
“Muitas vezes, o aprendizado vai além dos livros. Quando um aluno consegue escrever o próprio nome ou interagir com os colegas pela primeira vez, sentimos que todo esforço vale a pena”, destaca o secretário.
A professora Francisca Xavier de Araújo, da Escola Estadual Professora Elizabeth de Freitas Magalhães, em Rondonópolis, disse que atua na sala de recursos multifuncionais e que a formação está sendo fundamental para que o atendimento em sala de aula continue se aperfeiçoando. “Para nós, que trabalhamos com alunos do público-alvo da educação especial, é emocionante ver os avanços e a felicidade deles com cada conquista”, concluiu.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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