Ministério Público MT

Com rede fortalecida, Brasnorte zera feminicídios nos últimos dois anos

Publicado em

O município de Brasnorte (579 km de Cuiabá) alcançou um marco significativo no enfrentamento à violência de gênero: não registrou nenhum caso de feminicídio nos anos de 2023 e 2024. O resultado é atribuído à um esforço conjunto e à soma de diferentes medidas como a articulação de políticas públicas e atuação integrada da rede de proteção à mulher, implantada após um caso trágico ocorrido em 2022.Naquele ano, a então promotora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela esteve na comarca a convite do poder público municipal, logo após o assassinato de uma mulher pelo namorado, na presença do filho dela. Durante a visita, a promotora orientou gestores e lideranças locais sobre a importância da criação de uma rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar.Desde então, além da rede de proteção, o município implementou uma série de ações como a criação do Departamento da Mulher na administração pública, formação de grupos reflexivos para homens autores de violência e fortalecimento dos serviços de apoio às vítimas. Os resultados foram apresentados na última sexta-feira (25) pela secretária municipal de Assistência Social, Lorena Barros, à procuradora de Justiça Elisamara Portela, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino.“A palestra do Ministério Público foi muito importante. Lá em 2022, ainda não tínhamos a Rede de Proteção implantada e enfrentávamos algumas dificuldades. A reunião que tivemos foi um divisor de águas, as orientações da senhora de como estruturar a Rede foram fundamentais. A partir daí nós avançamos bastante e desde 2023 não tivemos mais nenhum feminicídio na cidade”, afirmou a secretária. Durante o encontro, Lorena Barros formalizou o interesse de Brasnorte em aderir ao Protocolo Não é Não, instituído pela Lei nº 14.786/2023 e em vigor desde junho de 2024. A iniciativa visa prevenir o constrangimento e a violência contra mulheres em ambientes com venda de bebidas alcoólicas, combatendo práticas como assédio, importunação sexual e estupro.A procuradora de Justiça detalhou o funcionamento do Protocolo “Não é Não”, destacando a etapa de capacitação de gestores e funcionários dos estabelecimentos comerciais, além da aplicação do selo que identifica os locais comprometidos em oferecer um ambiente seguro e respeitoso para as mulheres. Ela explicou que, para a implantação do protocolo, é necessário que o município formalize sua adesão junto ao MPMT. Acrescentou ainda que o CAO está desenvolvendo um kit de atuação para os promotores de Justiça, com orientações e minutas de documentos que facilitarão a implementação da iniciativa nos municípios do interior do Estado.Também participou da reunião o auxiliar ministerial Ricardo Sebalhos Waltrick, do CAO.

Leia Também:  STJ reforça proteção a vítimas e mantém decisões do Júri em MT

Fonte: Ministério Público MT – MT

Advertisement

Ministério Público MT

Acusado de assassinato contra mulher trans vai a júri

Published

on

O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá realiza nesta terça-feira (04), às 9h, o julgamento de Junio Santos da Silva, acusado pelo assassinato da mulher trans conhecida pelo nome social Gisa (Gerardo Ribeiro Lima Junior). A sessão será realizada no Fórum de Cuiabá e contará com a atuação, pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), do promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o réu responde por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e a imputação da qualificadora de menosprezo ou discriminação à condição de mulher, por se tratar de crime praticado contra mulher trans em contexto de discriminação de gênero. Segundo o MPMT, na madrugada de 7 de abril de 2024, em um terreno baldio localizado na Rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, em Cuiabá, Gisa foi agredida com extrema violência, sofrendo diversos golpes na cabeça e sendo posteriormente asfixiada, lesões que causaram sua morte. A denúncia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe, mediante emprego de meio cruel e com utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público também apontou que a ação criminosa ocorreu em razão da condição de mulher transgênero da vítima, circunstância que ensejou a imputação da qualificadora de menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Ainda segundo o Ministério Público, a investigação apontou que o acusado teria reagido de forma violenta ao descobrir que Gisa era uma mulher trans, circunstância que será apreciada pelos jurados durante o julgamento. A materialidade do crime foi comprovada por laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e demais elementos reunidos durante a investigação. Na sentença de pronúncia, a Justiça reconheceu a existência de indícios suficientes de autoria e determinou que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes descritos na denúncia ministerial. O réu foi localizado e preso em novembro de 2024, no município de Matozinhos (MG), permanecendo custodiado desde então. Durante a fase de investigação, conforme registrado nos autos, ele admitiu a prática do crime em depoimento à polícia, embora tenha permanecido em silêncio durante o interrogatório judicial.

Leia Também:  Saúde mental e demanda reprimida são discutidas pelo MP em Rondonópolis

Fonte: Ministério Público MT – MT

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA