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Violência doméstica é tema de entrevista no Diálogos com a Sociedade

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O enfrentamento à violência doméstica e a atuação da rede de proteção foi o foco da entrevista realizada, nesta terça-feira (05), no programa Diálogos com a Sociedade, edição Várzea Grande, que reuniu representantes do Ministério Público e da Polícia Civil para discutir os desafios e as estratégias de proteção às mulheres em Mato Grosso. A entrevista contou com a participação da procuradora de Justiça Elisamara Portela, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Violência Doméstica do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), e da delegada Mariel Antonini, coordenadora de enfrentamento à violência contra a mulher e vulneráveis da Polícia Civil e da Câmara Temática de Defesa da Mulher da Secretaria de Segurança Pública.Com base em dados alarmantes, sendo 46 feminicídios registrados em Mato Grosso apenas em 2025, desses 70% cometidos dentro de casa, as entrevistadas discutiram os desafios e estratégias para conter esse tipo de violência. “A Lei Maria da Penha tem três eixos: prevenção, repressão e educação. E enquanto o sistema de justiça atua fortemente na repressão, é preciso que toda a sociedade se envolva na prevenção e na educação para que possamos reduzir esses números”, destacou a procuradora de Justiça Elisamara.A delegada Mariel Antonini reforçou que a violência doméstica é um problema estrutural e intergeracional, que exige mudanças profundas na cultura e na educação familiar. “Essa mudança depende da forma como educamos nossas crianças. A desigualdade de gênero ainda é ensinada dentro de casa, e isso perpetua o machismo que alimenta a violência contra a mulher”, afirmou.Durante a entrevista, foram abordadas as diversas formas de violência doméstica, como a física, psicológica, moral, patrimonial e sexual, e os sinais que podem indicar que uma mulher está em situação de risco. A procuradora Elisamara alertou para os comportamentos sutis que antecedem o feminicídio, como controle emocional, manipulação, destruição da autoestima e isolamento da vítima. Já a delegada Mariel chamou atenção para a subnotificação da violência sexual, especialmente entre mulheres mais velhas, que muitas vezes não reconhecem práticas abusivas dentro do casamento.As entrevistadas também apresentaram ações concretas em curso para enfrentar o problema. A Polícia Civil criou uma coordenadoria específica para o enfrentamento à violência contra mulheres e vulneráveis, publicou um plano estadual decenal (2025–2035) e capacitou mais de 800 policiais em atendimento humanizado. “Hoje temos nove delegacias especializadas e 28 núcleos de atendimento, com meta de expansão para 46. Além disso, criamos protocolos de atendimento e investigação que garantem mais eficácia e acolhimento às vítimas”, explicou Mariel.O Ministério Público de Mato Grosso, por sua vez, tem investido em campanhas educativas e projetos como o Florescer, voltado para adolescentes do ensino médio. Também desenvolveu materiais informativos, como cartilhas, que ajudam mulheres a identificar situações de risco e buscar ajuda. “Não importa a sua idade, você mulher merece ser feliz e é hoje, é nessa vida”, declarou a procuradora de Justiça.A delegada também destacou a importância da denúncia, seja feita pela própria vítima ou por pessoas próximas. “A medida protetiva salva vidas. Não se cale. Busque ajuda no primeiro sinal de violência”, orientou Mariel. Ela ainda citou o projeto Papo de Homem para Homem, voltado para a conscientização masculina, como uma iniciativa essencial para desconstruir comportamentos machistas e promover a mudança cultural necessária.Dose dupla – Nesta edição do projeto Diálogos com a Sociedade, as entrevistas serão realizadas em dois horários diários, diretamente do Várzea Grande Shopping: às 14h, com transmissão ao vivo pela Rádio CBN Cuiabá, e às 18h, com transmissão ao vivo pelo SBT Cuiabá (canal 5.1) e exibição simultânea pela plataforma MT Play. Os programas também estão disponíveis no canal oficial do MPMT no YouTube e na página institucional no Instagram.Parceria – O Diálogos com a Sociedade conta com o apoio de parceiros institucionais como Águas Cuiabá, Amaggi, Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Bom Futuro, CBN Cuiabá, Energisa, Instituto da Madeira do Estado de Mato Grosso (Imad), Instituto Mato-grossense de Carne (Imac), Kopenhagen, Nova Rota do Oeste, Oncomed-MT, SBT Cuiabá, Sicredi e Várzea Grande Shopping.

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Fotos: Everton Queiroz.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Júri condena filho de ex-deputado por feminicídio e homicídio

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O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta sexta-feira (31), Carlos Alberto Gomes Bezerra a 36 anos de reclusão pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital e presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), atuou no plenário o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Os crimes ocorreram em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá. Conforme sustentado pelo Ministério Público, o acusado agiu de forma premeditada e motivado pela inconformidade com o término do relacionamento com Thays Machado.O Conselho de Sentença acolheu integralmente o entendimento do Ministério Público e reconheceu todas as qualificadoras imputadas ao réu. No homicídio de Willian César Moreno, os jurados acolheram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já em relação ao feminicídio de Thays Machado, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.A acusação destacou que o réu monitorava a rotina da vítima, realizava vigilância constante de seus deslocamentos e conhecia detalhadamente seus hábitos, circunstâncias comprovadas por documentos, anotações e materiais apreendidos durante as investigações.Durante os debates, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva sustentou que o conjunto probatório revelou um histórico de controle, perseguição e não aceitação do término do relacionamento por parte do acusado. Para o Ministério Público, o feminicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero e foi precedido por uma crescente escalada de monitoramento da rotina da vítima.“Trata-se da personalidade de alguém possessivo, que possui ciúme exacerbado, que enxerga a mulher não como aquela pessoa com quem gostaria de constituir um casal, mas como um objeto. E, evidentemente, como ocorre com toda posse, quando ela é retirada de quem a considera sua propriedade, a reação é violenta, através da repreensão. Foi o que ele fez quando matou duas pessoas”, afirmou o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme sustentado em plenário pelo promotor de Justiça, as investigações demonstraram que o acusado acompanhava a rotina da vítima, mantinha registros de seus deslocamentos e realizava vigilância constante de locais frequentados por ela, circunstâncias que reforçam as qualificadoras apontadas na denúncia.O promotor de Justiça também destacou que foram identificados 914 registros de chamadas entre o acusado e a vítima entre o fim de dezembro de 2022 e a data do crime, além de elementos que evidenciariam vigilância e controle sobre a vida de Thays Machado.Conforme apresentado pelo Ministério Público, todos os disparos que atingiram Thays ocorreram pelas costas, reforçando a tese de que as vítimas não tiveram qualquer possibilidade de defesa.Após a decisão do Conselho de Sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira fixou a pena de 36 anos de reclusão para Carlos Alberto Gomes Bezerra. O réu permanecerá preso para cumprimento da condenação, nos termos definidos na sentença.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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