O programa Nota MT, iniciativa do Governo de Mato Grosso, já conta com mais de 766 mil cidadãos cadastrados em todo o estado e trabalha para expandir ainda mais o alcance da cidadania fiscal. A afirmação é do secretário-adjunto de Projetos Estratégicos da Secretaria de Fazenda (Sefaz), Vinicius Simioni, em entrevista concedida ao podcast MT Conectado.
Ao longo do programa, foram distribuídos 62.312 prêmios em dinheiro, que somam mais de R$ 43 milhões pagos aos contribuintes sorteados. O Nota MT também possui forte impacto social: 290 entidades estão cadastradas, das quais 271 já receberam recursos, totalizando R$ 10 milhões repassados. Atualmente, o programa realiza 1.010 sorteios por mês, com valores que variam de R$ 500 a R$ 100 mil.
Segundo o secretário, um estudo de comportamento dos usuários apontou uma grande concentração de participantes e notas fiscais emitidas na região metropolitana, o que mostrou a necessidade de levar o programa para os municípios do interior e bairros mais afastados.
“Nós identificamos nos mapeamentos de comportamento de usuários cadastrados, que havia uma concentração muito grande aqui na região metropolitana, tanto de usuários quanto de documentos fiscais. E nessas pesquisas nossas, vimos a necessidade de levar a mensagem do Nota e da cidadania para o interior também”, explicou.
Para mudar esse cenário, a Sefaz intensificou as ações presenciais do Nota MT, com sorteios realizados diretamente nas cidades e visitas a entidades sociais. O programa também tem chegado às escolas, por meio de palestras e gincanas que envolvem professores, alunos e famílias no conceito da cidadania fiscal, incentivando o hábito de pedir nota fiscal em compras e serviços.
“Ainda há muitas pessoas que não conhecem o Nota, ou que conhecem mas não sabem de todas as funcionalidades. Nas escolas nós apresentamos o programa, fazemos gincanas para que mais pessoas passem a pedir o documento fiscal e também para fortalecer o trabalho das entidades sociais, que são uma ponta importante desse projeto”, finalizou Simioni.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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