A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), em parceria com o Comitê Municipal de Cuiabá dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a BPW de Várzea Grande (International Federation of Business and Professional Women), realiza neste sábado (8.11) o evento “Raízes e Vozes – Sustentabilidade está na Moda”. A programação, sediada no Várzea Grande Shopping, inclui apresentações de dança e música, painel temático, feira sustentável e desfile de moda.
O evento, gratuito e aberto ao público, tem início às 14h, com a abertura institucional e o painel temático sobre sustentabilidade e inclusão social. Além da Feira Sustentável que tem início também às 14h e funcionará durante toda a tarde, com exposição e comercialização de produtos artesanais e ecológicos, como biojoias, peças de artesanato e opções de gastronomia sustentável. Segundo a organizadora da feira, Cleonice Neris, foram realizadas visitas a diversos eventos e feiras na região para selecionar os mais de 30 empreendimentos participantes. Foram priorizados pequenos negócios que sejam alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) contemplados pelo evento.
A programação segue com o Desfile de Moda Sustentável, às 18h, com peças produzidas a partir de resíduos e materiais reaproveitados. A coleção busca refletir os conceitos de moda circular e inovação sustentável, enquanto coloca como foco mulheres em situação de vulnerabilidade
“O Desfile Sustentável Raízes e Vozes foi um trabalho construído com muito afeto e propósito. Todo o processo de produção foi pensado para valorizar mulheres em situação de vulnerabilidade social, mostrando como a sustentabilidade pode transformar realidades”, destaca o estilista e curador do desfile, Jhosemar Corrêa.
A iniciativa integra sustentabilidade ambiental, inclusão social e empoderamento feminino, promovendo capacitação, visibilidade e oportunidades de geração de renda para mulheres em um contexto de vulnerabilidade, especialmente aquelas que sofreram violência doméstica. Além de estimular a economia circular, o reaproveitamento de materiais e o fortalecimento do empreendedorismo criativo e de pequenos negócios locais.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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