Tribunal de Justiça de MT

Ação inédita de escolha de nacionalidade é realizada durante a Expedição Araguaia-Xingu

Publicado em

O destaque do segundo e último dia de atendimento da Expedição Araguaia-Xingu no Distrito de Santo Antônio de Fontoura (1.138 km de Cuiabá) foi a ação de escolha de nacionalidade. Esse processo foi realizado pela primeira vez em anos de expedição, e contou com o trabalho da Justiça Federal que atuou de forma inédita na caravana.
 
Francisco José Sanchez Pereira, de 18 anos, veio juntamente com a sua mãe Cristiana Pereira Nunes para realizar escolha de nacionalidade. A mãe explica que o jovem nasceu na Espanha quando ela residia no país e que agora, ao completar a maioridade, ele precisava fazer essa escolha e regularizar sua situação cadastral social.
 
“Eu morei entre os anos de 2003 e 2013 na Espanha, onde me casei e tive dois filhos lá no país. Meu menino completou 18 anos neste ano e precisava fazer a escolha da nacionalidade. A minha menina tem 13 anos e ao completar a maioridade também precisará fazer o mesmo processo. Agradeço muito pelo trabalho da equipe da Expedição que solucionou esse problema para nós, já que aqui onde moramos é complicado ter esse tipo de serviço”, ressaltou Cristiana.
 
Na ação, o jovem Francisco optou por ter a dupla nacionalidade e conseguiu regularizar sua questão com a Justiça Federal. Segundo ele, estava com dificuldade para retirar alguns documentos necessários.
 
“Eu estava enfrentando alguns problemas para tirar a Carteira Nacional de Habilitação Nacional (CNH) e outros documentos, pois alguns órgãos públicos não reconheciam a minha nacionalidade. Hoje consegui finalmente regularizar essa questão e optei por ter a dupla nacionalidade (brasileiro e espanhol). Estou muito satisfeito com essa realização e agradeço toda equipe da Justiça Federal e da expedição pelo trabalho”, contou o jovem.
 
Toda ação de opção de nacionalidade foi realizada pela equipe da Justiça Federal que, pela primeira vez, participa da expedição. O juiz federal, Cristiano Mauro da Silva, juntamente com procurador da República, Renan Alexandre Correia de Lima, realizaram de forma remota a audiência com o defensor público da União, Wembley Campos.
 
“Ainda estamos no meio da expedição e nós já temos diversos registros de muitos atendimentos em que a população foi plenamente atendida por uma justiça efetiva e rápida. Nós viemos para a expedição e tentamos trazer outros órgãos que compõem a Justiça Federal. Mas infelizmente não foi possível que todos estivessem aqui, mas por parte de diversos desses órgãos, nós conseguimos uma doação remota deles que foi efetiva em vários momentos, como, por exemplo, a defensoria pública da União”, explicou o juiz federal, Cristiano Mauro.
 
Segundo o procurador da República, Renan Alexandre Correia de Lima, “é fundamental a participação da Justiça Federal na expedição, porque existem inúmeras demandas que são solucionadas apenas por esta justiça, por exemplo, as questões previdenciárias. E a partir de agora, várias questões que demorariam meses, serão solucionadas de maneira mais rápida para o cidadão, sobretudo para a população mais carente, viabilizando e ampliando o acesso aos serviços oferecidos pela Justiça Federal”.
 
Esse foi apenas um dos diversos serviços realizados neste segundo dia de atendimento da 2ª etapa da Expedição Araguaia-Xingu 2024. Durante todo o dia, serviços de saúde, cidadania e educação reuniram a população do Distrito de Santo Antônio de Fontoura na Municipal Comandante Fontoura, onde foram feitos os atendimentos.
 
Ao final da ação no distrito, foram entregues brinquedos para as crianças e cestas básicas para 100 famílias, além das doações de cobertores, roupas e sapatos para os moradores em situação de vulnerabilidade social.
 
Confira os próximos destinos da segunda etapa:
 
São José do Xingu
Datas: 30 de novembro e 1º de dezembro de 2024
Local: Escola Municipal Maria Marlene de Morais
Horário: 8h30 às 11h30 e 13h às 17h
 
 
Santa Cruz do Xingu
Data: 03 de dezembro de 2024
Local: Escola Estadual Santa Cruz
Horário: 8h30 às 11h30 e 13h às 17h
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem. Foto 1: Registro da audiência da ação de escolha de nacionalidade realizada de forma remota. A imagem mostra um grupo de pessoas sentadas ao redor de uma mesa, envolvidas em uma videochamada em um laptop. Há seis indivíduos visíveis, com alguns usando fones de ouvido. Foto 2: Mais um registro da audiência, todos estão sentadas ao redor de uma mesa, cada um com laptop. A pessoa em primeiro plano é o jovem Francisco que está vestindo uma camisa marrom e tem uma tatuagem no braço. Na foto também estão o juiz federal, Cristiano Mauro, o procurador da República, Renan Alexandre e a diretora da 6ª Vara Federal, Débora Hoeppner. Foto 3: Imagem de um senhor de idade segurando uma grande cesta básica contendo vários alimentos. Ele também está segurando um cobertor azul embrulhado em plástico e um chinelo, itens doados pela Expedição Araguaia-Xingu. Foto 4: Registro de uma criança está segurando dois itens. Na mão esquerda, há um conjunto de brinquedos embalados com uma pequena vara de pescar e peixes coloridos. Na mão direita, a criança segura uma folha com o desenho de vários insetos, itens que ela recebeu da expedição.

Luana Daubian/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Vara de São Félix do Araguaia realiza palestra de prevenção às drogas em escola estadual

Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Published

on

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Leia Também:  Comarca de Lucas do Rio Verde entrega títulos e encerra litigio fundiário histórico

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Leia Também:  Banco é condenado por falha de segurança em golpe da falsa central de atendimento

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA