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Avanços e benefícios da conciliação no Direito Administrativo são debatidos em Fórum Nacional

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Foto em plano aberto que mostra o auditório lotado de pessoas assistindo a palestras do Fonamec. No palco, estão sentados dois palestrantes e a mediadora e há um telão de LED com a arte do evento.Os avanços na aplicação dos métodos autocompositivos em demandas que envolvem a Administração Pública e seus resultados foram destaque no 18º Fórum Nacional de Mediação e Conciliação Fonamec, na manhã desta quinta-feira (27). O evento é organizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).

A programação matutina contou com o painel “Sementes de Buriti: saberes que nutrem novas práticas”, precedido pela palestra “O STJ e os enunciados que orientam a mediação e a arbitragem”, proferida pelo membro do Comitê Gestor da Conciliação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Humberto Dalla Bernardina de Pinho.

Foto do desembargador Humberto Dalla Bernardina de Pinho. Ele é um homem alto, branco, de cabelos grisalhos, usando camisa branca, gravata azul e terno cinza. Ele está sentado e falando ao microfone.Ele fez uma abordagem sobre a mudança de paradigma gerada pelo novo Código de Processo Civil e pela Lei 13.140/20 sobre o tratamento das demandas envolvendo direitos indisponíveis. “A legislação não era clara. Então, a gente tinha muita dificuldade de estabelecer os limites de quando era possível ou não fazer o acordo e isso trazia insegurança jurídica para as partes. Com a nova lei de mediação de 2015 e com o Código de Processo Civil, a gente passa a ter uma definição, uma delimitação mais clara de que, mesmo quando o direito for indisponível, seja ele individual ou coletivo, é possível a realização do acordo”, disse.

Humberto Dalla Bernardina apontou ainda o que chamou de reposicionamento do Poder Judiciário após a transformação gerada pela evolução dos métodos consensuais de resolução de conflitos. “Na época da Constituição 1988, havia um déficit de acesso à justiça muito grande. As pessoas não conseguiam chegar até o Poder Judiciário. De lá para cá, o Judiciário se desenvolveu, se aprimorou, criou uma série de sistemas. Nós temos agora o CNJ, temos os comitês gestores da conciliação, temos os Nupemecs. Então, a visão que temos hoje é de um Judiciário enquanto gestor de todo esse sistema”.

Conforme o magistrado, nesse reposicionamento do papel do Poder Judiciário, este se apresenta como responsável por estruturar redes no sistema multiportas e ser o seu gerenciador. “Mas sempre de portas abertas para qualquer pessoa que se sinta lesionada ou ameaçada nos seus direitos”, enfatiza.

Foto do desembargador Mário Kono sentado em uma poltrona e falando ao microfone. Ele é um senhor magro, pardo, com traços orientais, cabelos grisalhos, usando alça jeans e camisa social cinza.No mesmo painel, o desembargador presidente do Nupemec do TJMT, Mário Roberto Kono de Oliveira, proferiu a palestra “Autocomposição e Direito Administrativo: novos paradigmas na gestão do interesse público”, em que também destacou mudanças profundas no tratamento de conflitos envolvendo o interesse público, que anteriormente eram tidos como supremos. Porém, com a Constituição Federal de 1988, os direitos fundamentais, especialmente aqueles vinculados ao princípio da dignidade humana, passaram a ser observados com maior peso.

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Diante disso, Mário Kono destacou que, com a utilização das técnicas adequadas, o magistrado pode ponderar os direitos e verificar qual deles deve prevalecer, quais direitos devem ser protegidos, em cada caso, e sempre mantendo o princípio da publicidade, justificando as condições em que se deram os acordos.

Em relação ao isso, o desembargador Mário Kono elencou uma série de iniciativas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que tem feito parcerias e realizado mutirões temáticos para promover a solução consensual dos conflitos, como os mutirões fiscais, feitos em parceria com as Procuradorias do Estado e dos Municípios; os mutirões ambientais, feitos juntamente com as Procuradorias, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, a Delegacia de Meio Ambiente e o Ministério Público; além do trabalho realizado no Centro Judiciário de Solução de Conflitos (Cejusc) da Saúde.

Outro exemplo citado foi o mutirão de improbidade administrativa, realizado em 2021. “Fizemos todo um trabalho junto às cúpulas do Tribunal de Justiça, do Ministério Público, da OAB, da Procuradoria do Estado para que cada um pudesse orientar os seus e fizemos toda programação em conjunto. E foi muito bem sucedido porque fica uma semente, mostra-se que é possível e, a partir daí, desenrolam-se vários acordos”.

O desembargador Mário Kono concluiu sua palestra destacando a importância das parcerias. “Hoje não se pode mais falar em isolamento do Poder Judiciário. É preciso envolver Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB, Procuradorias, Tribunais de Contas e, juntos trabalharmos para soluções imediatas, menos onerosas e mais eficientes, disse.

Foto que mostra os conselheiros do TCE/MT, Valter Albano e Guilherme Maluf e o juiz Agamenon Alcântara ao centro, sentados em poltronas. Maluf fala ao microfone. Atrás deles há um telão de LED e, na parte inferior da foto, há ramos de flores decorando o palco.Mesas temáticas da Saúde – O uso dos métodos consensuais de solução de conflitos na área da Saúde Pública foi abordado no painel “Mesa de jatobá: onde se constrói governança sólida e consenso duradouro”, em que os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) Guilherme Maluf e Valter Albano relataram a experiência com as mesas temáticas, em que demandas são resolvidas no âmbito pré-processual.

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Conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Guilherme Maluf, sentado, falando ao microfone. Ele é um senhor branco, de cabelos grisalhos, usando camisa branca, paletó cinza e óculos de grau de armação preta. Segundo o conselheiro Guilherme Maluf, foi algo inovador e pioneiro. “Uma das mesas que foi requerida – e que está virando uma referência – foi solicitada pelo Tribunal de Justiça, pelo Núcleo presidido pelo desembargador Mário Kono, que trouxe essa questão da judicialização da saúde em uma proposta que a gente chama de representação pré-processual”.

Enquanto presidente da Comissão de Saúde do TCE, Guilherme Maluf conta que atuou como relator na mesa técnica, que foi presidida pelo conselheiro Valter Albano. “Isso trouxe um significativo avanço, inclusive, gerou até um manual que nós estamos divulgando, já temos o fluxo consolidado dessa mesa técnica, construída a muitas mãos com o Tribunal de Justiça, com a Procuradoria do Estado, com a Secretaria Estadual de Saúde. E eu tenho certeza de que, com isso, nós vamos ter processos mais céleres, trazendo economia nos orçamentos, em relação aos processos que foram levados à justiça”, avalia.

Conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Valter Albano, sentado e falando ao microfone. Ele é um senhor magro, pardo , de cabelos grisalhos, usando camisa azul, gravata vermelha e terno preto.O conselheiro Valter Albano afirmou que a mesa técnica proporciona a cada ente participante levar o seu conhecimento, as suas ideias e a sua disposição para chegar a um entendimento e, dessa forma, preservar tanto o interesse público quanto o interesse das pessoas. “É algo muito inovador! Ganha-se segurança jurídica, ganha-se muito em celeridade. E é tudo muito democrático, tudo normatizado”, disse.

Albano ainda enalteceu a oportunidade de compartilhar com representantes do Poder Judiciário de todos os estados a iniciativa que vem sendo executada em Mato Grosso, por meio do Manual de Boas Práticas de Reclamação Pré-Processual – edição especial da Saúde 2025, que foi apresentado e distribuído gratuitamente a todos os participantes do evento.

“Ficamos muito felizes de nos encontrarmos aqui com a magistratura brasileira, nesse fórum qualificado, e poder fazer o nosso depoimento, com humildade, mas com sentimento de que é muito bom fazer consenso, autocomposição para que a solução seja encontrada de forma célere e justa”.

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Autor: Celly Silva

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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