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Expedição Araguaia Xingu chega a Alto Boa Vista e promove ações de Educação para a comunidade

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Alto Boa Vista é a nova parada da 6ª Expedição Araguaia Xingu, iniciativa que percorre o interior de Mato Grosso levando uma série de serviços de justiça, cidadania, saúde e educação a comunidades de difícil acesso. Localizada a 963 km de Cuiabá, Alto Boa Vista possui 5.639 habitantes, de acordo o Censo Demográfico do IBGE de 2022, e recebeu nesta sexta-feira (08) todos os serviços ofertados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso e parceiros.
 
Na manhã deste primeiro dia de atendimentos o destaque ficou por conta das ações de educação comandadas pela Polícia Militar Ambiental, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Juizado Volante Ambiental (Juvam), Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT), Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT).
 
Conforme explicou o juiz coordenador da Justiça Comunitária e da Expedição, José Antônio Bezerra Filho, a Expedição Araguaia Xingu não se resume a proporcionar somente o acesso ao sistema de Justiça integrado e em pleno funcionamento.
 
“A Expedição Araguaia Xingu é dividida em 5 eixos (Saúde, Justiça, Cidadania, Educação Ambiental e Ciência, Cultura e Educação no Trânsito) e os parceiros do eixo Educação sempre estão conosco fortalecendo os nossos serviços. A articulação entre o Judiciário e o Executivo é essencial para que os atendimentos aconteçam e trazer tudo isso para a comunidade é muito gratificante”, disse o magistrado.
 
Dezenas de crianças e adolescentes puderam ver de perto e manipular serpentes não-peçonhentas e baratas-de-Madagascar, a atividade foi orientada pela Polícia Militar Ambiental, sob o comando do 2º sargento Rogério Rodrigues.
 
“A falta de conhecimento que faz as pessoas cometerem crimes ambientais, por isso, estamos aqui mostrando esses animais e também para mostrar que a educação ambiental vai além da conscientização popular. Nós trazemos elementos do dia-a-dia, orientamos sobre como as pessoas devem utilizar equipamentos para capturar serpentes e que não é necessário matar esses animais”, explicou o 2º sargento.
 
Os moradores também puderam conhecer os peixes que existem nas bacias hidrográficas  mato-grossense e disputar uma partida de jogo de tabuleiro “Trilha Legal do Tuiuiú” que possui temática ambiental. Os servidores da Sema-MT orientaram a comunidade sobre a importância da preservação dos recursos naturais, fauna, flora e o desenvolvimento de práticas sustentáveis para garantir o futuro da região.
 
Popularizar a ciência é um dos objetivos da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT) e durante a expedição, os servidores da pasta realizam várias oficinas e demonstrações práticas que ajudam a aproximar as crianças de conceitos importantes, de maneira lúdica e interativa. A intenção é fomentar um primeiro contato com o universo científico, estimulando as crianças a explorarem e a questionarem o mundo ao seu redor.
 
“Aqui, nós estamos trabahando com a perspectiva de popularização da Ciência, ofertando vivência com óculos de realidade virtual e oficinas voltadas para a Física, como a oficina de disco de Newton, que aborda os conceitos relacionados à luz; câmara escura, onde falamos sobre projeção de imagens; robótica criativa e foguete de garrafa PET”, pontuou Cleyton Santana, um dos agentes de popularização da Ciência da Seciteci-MT.
 
O fomento à literatura também é realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). A secretaria disponibiliza diversos títulos para serem distribuídos para as escolas e população em geral durante os dias em que a expedição permanece no município.
 
“Neste evento, nós trouxemos materiais pedagógicos para as crianças, livros infantis e adultos, tudo isso para estimular o desenvolvimento da imaginação, da capacidade crítica e do entendimento de mundo da comunidade. Ao longo das 3 cidades desta primeira etapa, nós vamos distribuir para escolas, bibliotecas, crianças e adultos mais de 1400 exemplares de livros mato-grossenses. Então quem não conseguiu retirar seu exemplar pode procurar a biblioteca municipal e fazer o seu empréstimo”, assegurou Helena Costa, gerente de livro e leitura da Secel-MT.
 
Já os parceiros do Departmento Estadual de Trânsito (Detran-MT) sensibilizam as crianças e adolescentes através de atividades voltadas para a educação  no trânsito. O objetivo é formar desde cedo cidadãos conscientes sobre seu papel no trânsito, contribuindo para um ambiente mais seguro e responsável.
 
“A gente faz um trabalho educativo e de informação com o auxílio de materiais lúdicos para promover um melhor entendimento às crianças. São peças de teatro, pintura, panfletos, jogos, jornais e muitas outras coisas são utilizadas para ampliar o acesso ao conhecimento da população. A gente está em uma região onde há crianças de 9 anos dirigindo tratores e muitos menores de idade com acesso a veículos como carro e motos, e isso é preocupante. Temos que sensibilizá-los para que se tornem agentes de transformação e multiplicação desse conhecimento”, disse Zoraide Barbosa Almeida Cursino, servidora da Coordenadoria de Ações Educativas de Trânsito do Detran-MT.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem. Foto 1: policial militar ambiental fardado segura jiboia nas mãos e crianças a observam. Um menino acarícia a serpente. Foto 2: dois servidores da Seciteci colocam óculos de realidade virtual em crianças. As crianças estão sentadas à mesa e os servidores em pé. Foto 3: servidora da Secel orienta criança em atividade de leitura. A criança está no chão e a servidora de cócoras, na altura da criança. Foto 4: servidores do Detran realizam palestra para crianças que estão  sentadas em cadeiras e no chão. 
 
Laura Meireles / Fotos: Alair Ribeiro 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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