Tribunal de Justiça de MT

II Congresso de Direito Tributário registra ampla adesão do público e consolidação do evento

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Na manhã desta quarta-feira (23 de outubro), no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), teve início o “II Congresso Mato-Grossense de Direito Tributário – edição em homenagem a Roque Carraza”. O evento, uma realização conjunta entre Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB/MT), por meio da Escola Superior da Advocacia (ESA), Procuradoria Geral do Estado (PGE) e Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), registrou maciça adesão de seu público-alvo, formado por profissionais que trabalham com esse ramo do Direito e acadêmicos interessados em aprimorar seus conhecimentos. Ao todo, estão inscritas aproximadamente 300 pessoas.
 
Presente à solenidade de abertura, a vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Maria Erotides Kneip, na ocasião representando a presidente, desembargadora Clarice Claudino da Silva, destacou a relevância do tema no contexto atual. “Vejo este evento como absolutamente necessário neste momento. A reforma está chegando, nós vamos trabalhar com a transição da reforma, e precisamos estar bem preparados, porque haverá uma mudança completa. É o sistema tributário que arrecada o suficiente para acontecerem as políticas públicas e se isso não for muito bem organizado, a gente pode trazer o Estado à falência. Então, precisamos garantir as políticas públicas em todos os segmentos, de todas as formas, através de um sistema tributário justo, muito bem aplicado, principalmente quando nós vamos trabalhar a transição de um regime tributário para o outro. Esse evento, discutindo com todos os segmentos do direito, com a OAB, com a Academia, vai preparar os nossos magistrados para uma atuação mais eficiente”, observou.
 
Já a diretora-geral da Esmagis-MT, desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, ressaltou a importância da participação dos profissionais envolvidos nessa seara, que exige, a todo momento, um cuidado e um aperfeiçoamento constante. “Este continua sendo o único evento deste tema na região Centro-Oeste e traz nomes de abrangência nacional, doutrinadores dos grandes centros, professores vindos do Instituto Brasileiro de Direito Tributário, considerado um dos maiores institutos do Brasil, e de outras regiões do país. Agora não precisamos mais nos deslocar aos grandes centros para ter acesso a tão denso conteúdo como o que será apresentado aqui. Então, realmente este segundo congresso é uma iniciativa exemplar e que certamente já se consolida como uma meta a ser ofertada todos os anos aos nossos operadores do Direito.”
 
O juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, integrante da comissão organizadora juntamente com o juiz Ramon Fagundes Botelho, explicou que a ideia inicial, ainda em 2022, antes da primeira edição, era trazer para Mato Grosso a discussão de um tema tão importante e tão necessário para a comunidade jurídica. “É permitir que as pessoas, estudantes, advogados, magistrados, servidores, pudessem ter em Mato Grosso grandes nomes que, dentro de temas complexos, pudessem trazer a realidade para as questões do Estado. O sonho sempre foi esse, oportunizar a todos a discussão de temas dessa grandiosidade.”
 
Sobre a programação, o magistrado destacou o tema da primeira mesa redonda: O STF nas causas tributárias: jurisdição e consequencialismo. “O Supremo Tribunal Federal, em várias oportunidades, discute questões relacionadas com o Direito Tributário que impactam diretamente na vida de todos nós. O que é importante é ver se o Supremo tem tomado essa cautela ou não, e entender quais as consequências decorrentes dessas decisões, os impactos que causam na vida de cada um, na vida das empresas, na vida do Estado”, pontuou.
 
O procurador do Estado Yuri Nadaf Borges, membro da comissão organizadora, enfatizou que esse congresso já se inseriu no cenário estadual como um grande evento do Direito Tributário. “Ele vai abordar questões como a reforma tributária, a tributação no agronegócio, que nem precisamos falar o quanto é importante para o nosso dia a dia. Tem muitos tributaristas, muitos colegas de todo o Estado aqui para aprender, para ouvir um pouco sobre o Direito Tributário”, asseverou.
 
Já a presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB/Mato Grosso, Danielle Fukui, também da comissão organizadora, lembrou que não era comum o Estado do Mato Grosso ser sede de um evento desse porte, ainda mais para tratar desse tema. “São assuntos que afetam também a realidade da nossa região, seja relacionada à tributação do agronegócio ou à reforma tributária que atinge a todos de uma forma geral. Então, o objetivo era promover essa discussão dentro do meio acadêmico, por isso foi eleito o Teatro da UFMT, para a gente promover essa discussão de forma imparcial e com os principais atores desses debates. A ideia é que o Mato Grosso esteja incluído no hall dos grandes eventos na área tributária.”
 
Na oportunidade, representando o governador Mauro Mendes, o procurador-geral do Estado, Francisco de Assis Lopes, lamentou a existência das chamadas fraudes estruturadas, uma realidade a ser enfrentada pelo Estado. “Nós vamos dar o mesmo tratamento para o contribuinte, para o cidadão de bem, e para aquele que construiu toda a sua história, toda a sua empresa, pensando já na fraude? Existem os direitos que devem ser assegurados a todo cidadão, mas nós vamos dar esse mesmo direito a quem que deliberadamente constitui uma empresa para fraude contra o fisco?”, questionou. “É uma tese nova, com certeza é uma tese nova, mas nós temos que provocar. Nós temos excelentes estudiosos no Judiciário, excelentes colegas da Procuradoria, do Ministério Público, que vão saber construir teses para defender, acima de tudo, o cidadão de bem. E é exatamente no campo acadêmico que nós fazemos isso (…) Como nós, sociedade, vamos reagir em relação a tudo que está acontecendo com a fraude estruturada, contra as organizações criminosas que estão, infelizmente, fazendo como parte da nossa sociedade. Que esse Congresso também tenha um olhar mais criterioso, um olhar mais atencioso, para esse ponto que, infelizmente, está nos atingindo. A gente precisa pensar em como a sociedade pode combater isso.”
 
Também estiveram presentes à abertura diversas autoridades como os desembargadores Rodrigo Curvo e Luiz Octávio Oliveira Saboia Ribeiro; o vice-reitor da UFMT, professor doutor Silvano Galvão; o diretor da Faculdade de Direito da UFMT, Carlos Eduardo Silva e Souza; o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso, Sílvio Rangel; e a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso, Gisela Cardoso.
 
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: fotografia colorida do teatro da UFMT onde aparece o público, sentado de costas, e a mesa de autoridades ao fundo. Em pé, a desembargadora Maria Erotides Kneip. Ela é uma mulher branca, de cabelos brancos compridos, que veste terno claro. Imagem 2: fotografia colorida das autoridades sentadas no palco. A desembargadora Helena Ramos está em pé, segurando um microfone. Ela é uma mulher branca, de cabelos médios escuros, que usa um vestido branco. Imagem 3: fotografia colorida onde aparecem quatro magistrados. À esquerda, o juiz Agamenon Moreno Júnior, que é um homem branco, de camisa azul e terno escuro. Ao centro, as desembargadoras Helena e Maria Erotides. À direita, o juiz Ramon Botelho, um homem branco, de camisa branca e terno azul-escuro. Todos sorriem para a foto.
 
Lígia Saito/ Fotos: Alair Ribeiro
Assessoria de Comunicação 
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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