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Ministro Barroso dialoga com estudantes no Liceu Cuiabano e defende educação como base do futuro

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís Roberto Barroso, esteve em Cuiabá na manhã desta segunda-feira (18 de agosto) para participar do programa Diálogos com as Juventudes, realizado na Escola Estadual Liceu Cuiabano Maria de Arruda Müller, uma das instituições públicas mais tradicionais da capital.

O Liceu Cuiabano foi a primeira escola do país a receber a atividade, que será expandida para outras nove instituições de ensino em diferentes regiões do Brasil. Além dos debates, o projeto contará com oficinas conduzidas por magistrados, materiais pedagógicos e discussões sobre diversidade étnico-racial, cidadania digital, justiça climática e direitos humanos.

O encontro reuniu mais de 400 estudantes do ensino médio, que puderam interagir com o ministro, fazer perguntas e refletir sobre democracia, ética, cidadania e respeito às diferenças.

No início do evento, o ministro Barroso foi recepcionado com o Hino Nacional executado pela fanfarra do Liceu Cuiabano e em seguida assistiu a uma apresentação de siriri, dança tradicional de Mato Grosso, realizada por estudantes da escola. A apresentação trouxe ao palco a cultura regional e emocionou os presentes.

A estudante Rafaelly Camilly Pinho da Silva, de 17 anos, aluna do 3º ano, uma das alunas que se apresentou dançando siriri, também destacou a importância de receber o ministro na escola. Para ela, a presença de Barroso foi inspiradora.

“Achei muito incrível ter um ministro aqui no Liceu, ainda mais porque ele também estudou em escola pública. Isso mostra que nós também temos a oportunidade de alcançar algo maior, de conquistar nossos sonhos. Ver alguém que veio da escola pública e chegou tão longe nos dá ainda mais vontade de fazer uma faculdade e buscar uma profissão que possa transformar a sociedade”, afirmou.

“O melhor ainda está por vir”

Durante a palestra, Barroso começou lembrando de sua própria trajetória escolar em uma escola pública.

“Há uns 50 anos, mais ou menos, eu estava exatamente onde vocês estão, numa escola pública tentando adivinhar o que a vida me reservaria. Nada do que vocês estão sentindo me é estranho, de dúvidas, de incertezas. Não é preciso ter medo do futuro. Eu asseguro a vocês que o melhor ainda está por vir”, disse, arrancando aplausos da plateia.

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O ministro também dividiu com os estudantes reflexões sobre resiliência diante das dificuldades da vida.

“Embora a gente deva sonhar alto, não conseguimos realizar todos os sonhos. Mas devemos ter a inteligência emocional de lidar com as situações. Não ser arrogante na vitória, nem se sentir derrotado nos insucessos. A vida continua e as oportunidades se renovam muitas vezes”, completou.

Em entrevista à imprensa, ele reforçou que a educação é o caminho para superar divisões e construir um futuro mais justo.

“Tenho muito prazer em participar desse projeto porque considero que a educação básica é a coisa mais importante na vida de um país. Procuro compartilhar com os jovens valores como integridade, idealismo, conhecimento e respeito ao próximo. O Brasil precisa superar muros artificiais e construir pontes, porque a democracia tem espaço para todos que joguem pelas regras do jogo. Não importa se liberal, conservador ou progressista, o essencial é termos caráter, valores e compromisso com o futuro do país”, afirmou.

Cuiabá escolhida para dar início ao projeto

Para o conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda, a escolha da capital mato-grossense para sediar o início do projeto reflete a relevância do Estado no cenário nacional.

“Mato Grosso hoje é um polo importante para o país e tem se revelado como um estado de oportunidades. Contribui não só com a economia, mas também com a distribuição de justiça social. Por isso foi escolhido pelo ministro Barroso para vir não só no Diálogos com a Magistratura, mas também no Diálogos com as Juventudes”, explicou.

Ele ressaltou ainda o significado pessoal de trazer o evento para sua terra natal. “É um motivo de muito orgulho estar hoje no Conselho Nacional de Justiça representando Mato Grosso. Conseguir trazer o ministro para esse diálogo é muito significativo, porque não se trata apenas de ensinar, mas também de aprender com a juventude, que tem muito a nos mostrar”, disse.

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A presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), juíza Jaqueline Cherulli, destacou a responsabilidade do Estado em sediar o projeto piloto e reforçou a importância de romper barreiras entre o Judiciário e a sociedade.

“Nós recebemos com muita alegria essa notícia porque temos 27 estados e Mato Grosso foi escolhido. É uma grande expectativa e esperamos responder à altura. Essa proximidade do Judiciário com a sociedade precisa ser cada vez maior. Antigamente o Judiciário era fechado, mas hoje buscamos uma imagem renovada, mais humana, mais próxima, especialmente dos jovens”, afirmou.

Orgulho de ser palco do diálogo

O diretor do Liceu Cuiabano, Lucas Vaz, ressaltou o simbolismo de o evento acontecer justamente em uma escola que faz parte da identidade cultural e educacional de Cuiabá.

“O Liceu formou parte da identidade da cidade e do Estado. Aqui estudaram jornalistas, artistas e lideranças políticas que marcaram a história de Mato Grosso. Receber um evento desse porte nos faz perceber nossa grandeza”, disse.

Ele destacou ainda a importância de mostrar que a juventude brasileira é plural. “A diversidade é o motor do processo educacional. É quando percebemos que há diversas inteligências e possibilidades, e que cada estudante pode brilhar em sua área. O projeto reforça exatamente isso: a riqueza das diferenças”, completou.

À tarde, Barroso participa do Diálogos com a Magistratura na sede da Amam, reunindo juízes e desembargadores para troca de experiências sobre os desafios do Judiciário.

Entre as autoridades presentes estavam o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes, o diretor-geral da Escola Superior da Magistratura de Mato grosso (Esmagis-MT), desembargador Márcio Vidal, o governador Mauro Mendes e o secretário estadual de Educação, Alan Porto.

Autor: Flávia Borges

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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