Ministério Público MT

Ribeirinhos do Porto Cercado denunciam carência de serviços essenciais

Publicado em

Integrantes da Associação dos Ribeirinhos do Porto Cercado – Pantanal Verde, na região de Poconé (a 100 km de Cuiabá), participaram, na quinta-feira (16), da escuta social promovida pelo projeto Travessia Pantaneira. A iniciativa, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), busca identificar demandas e desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais, de modo a fortalecer a atuação institucional a partir de uma escuta social ativa e qualificada Realizada na Pousada Pantaneira, a escuta reuniu cerca de 50 famílias da região, que apresentaram reivindicações relacionadas à infraestrutura, saúde, educação, comunicação e acesso a serviços públicos essenciais. Moradora da comunidade há mais de 15 anos, a pescadora Jakeline Cabral do Nascimento relatou que a área da saúde está entre as principais preocupações dos moradores. “A gente não tem acesso a agente de saúde, a dentista”, afirmou. Ela também destacou a necessidade de atendimento veterinário para os animais da região.Na educação, Jakeline do Nascimento chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelos estudantes. Segundo ela, o transporte escolar não conta com monitor para acompanhar as crianças, concentrando toda a responsabilidade no motorista. A pescadora também defendeu a ampliação das oportunidades educacionais no Pantanal, com a implantação de uma unidade escolar na comunidade ou em localidades próximas.Presidente da Associação dos Ribeirinhos do Porto Cercado – Pantanal Verde, José Carlos dos Santos, conhecido como Zeca, afirmou que a reunião representou uma oportunidade importante para que a comunidade apresentasse diretamente ao Ministério Público suas principais demandas. Entre as reivindicações, ele destacou a necessidade de sinalização das estradas, implantação de um local adequado para armazenamento e destinação do lixo, manutenção das vias de acesso e construção de pontes que garantam melhores condições de deslocamento aos moradores e pescadores.Zeca também relatou problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica. Segundo ele, as constantes oscilações e interrupções no serviço têm provocado prejuízos, como a queima de eletrodomésticos e a perda de alimentos. O líder comunitário ainda reivindicou melhorias no atendimento à saúde, incluindo a oferta de serviços básicos nas comunidades, e mais qualidade no transporte escolar utilizado pelos filhos dos pescadores.Outro ponto destacado por ele foi a precariedade da comunicação na região. De acordo com Zeca, a ausência de sinal adequado de telefonia e internet deixa os moradores isolados e dificulta o acesso a serviços e informações. “Nós somos iguais a todo cidadão que precisa do mínimo de dignidade”, declarou.Ao avaliar a iniciativa, o presidente da associação classificou a ação do Ministério Público como inédita para a comunidade. “É a primeira vez que nós temos essa oportunidade de poder falar diretamente com o nosso Ministério Público”, afirmou. Ele agradeceu pela escuta e disse acreditar que o diálogo contribuirá para que as demandas cheguem às autoridades competentes e possam resultar em melhorias para a população local.O promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Santo Antônio de Leverger, destacou que um dos principais objetivos do projeto é fortalecer a identidade das comunidades tradicionais e assegurar sua permanência no território. “É muito importante o trabalho de preservação da identidade do povo pantaneiro, um povo tradicional cuja presença no seu território é ameaçada por inúmeras questões”, afirmou. Segundo ele, o Travessia Pantaneira busca resgatar no pantaneiro o papel de guardião da maior planície alagável do planeta e contribuir para que as futuras gerações continuem vivendo e preservando o bioma.Já o promotor de Justiça Adalberto Ferreira de Souza Júnior, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Poconé, ressaltou que as escutas sociais têm revelado problemas recorrentes enfrentados pelas comunidades pantaneiras, especialmente relacionados à ausência de serviços públicos e ao acesso limitado a direitos básicos. “Na maior planície alagável do planeta Terra, nós temos escassez de água potável”, observou. Segundo ele, o Ministério Público busca compreender as causas desse problema para subsidiar futuras atuações institucionais.O Travessia Pantaneira é desenvolvido em parceria com a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, A Casa do Centro e a Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Aguapan). A segunda etapa do projeto ocorre entre os dias 15 e 18 de julho, com a realização de audiências públicas, visitas às comunidades e agendas técnicas e institucionais em diferentes pontos do Pantanal.Também integram a comitiva a procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza e os promotores de Justiça Joelson de Campos Maciel, Mario Anthero Silveira de Souza Bueno Schober, Liane Amelia Chaves Mansano e Claudio Angelo Correa Gonzaga.

Leia Também:  Fânia de Amorim é promovida a procuradora de Justiça

Fonte: Ministério Público MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Ministério Público MT

MPMT participa da criação do Colégio das Escolas Jurídicas no estado

Published

on

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) participou, na manhã desta sexta-feira (17), da criação do Colégio Permanente das Escolas Jurídicas do Estado de Mato Grosso (COPEJMT). A iniciativa reúne instituições responsáveis pela formação e capacitação de profissionais do Sistema de Justiça com o objetivo de fortalecer a qualidade do ensino jurídico no estado.A fundação do colegiado ocorreu durante reunião na Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e contou com a participação de representantes de diversas instituições públicas e acadêmicas. O MPMT foi representado pelos supervisores do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola institucional, Marcela Prado e Renan Soares. Também participou do encontro o gerente acadêmico da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT), Leonardo Aquino.Idealizador da proposta, o diretor-geral da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal, destacou que a criação do COPEJMT é resultado de uma preocupação comum com a qualidade do ensino jurídico. “Esse trabalho a várias mãos é muito importante. Queremos construir algo que é para a vida, para a sociedade. A jurisdição é forte quando é composta por homens e mulheres corajosos”, afirmou.Segundo o magistrado, a iniciativa foi construída ao longo do tempo e representa um compromisso coletivo com a formação de profissionais mais preparados para atuar nas diversas carreiras jurídicas. “Vamos voltar todos os nossos esforços, ideias e vontades de trabalhar para o melhoramento da qualidade do ensino jurídico no Estado de Mato Grosso. Queremos profissionais capacitados, qualificados, engajados realmente e com vocação às diversas áreas que o Direito oferece”, acrescentou.Além da criação do colegiado, os participantes discutiram a realização do I Encontro Estadual das Escolas do Sistema de Justiça, marcado para os dias 5 e 6 de novembro, no auditório da Escola do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.O evento terá formato híbrido e pretende promover a integração entre as escolas do sistema de Justiça, estimular a cooperação técnica e incentivar a produção de conhecimento científico voltado à solução de desafios concretos das políticas públicas. A expectativa é que a iniciativa resulte em publicações técnicas e na formalização de um termo de cooperação entre as instituições participantes.Além do MPMT, integram o COPEJMT representantes da Esmagis-MT, Escola Mato-Grossense da Magistratura (Emam), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Escola Superior da Advocacia Pública de Mato Grosso (Esap-MT), Escola Judicial da 23ª Região, Escola Superior da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (Esdep), Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT), Escola Superior de Contas, Escola de Governo e demais instituições ligadas ao Sistema de Justiça e ao ensino jurídico.(Com informações da Esmagis)Foto: Judite Rosa | OAB-MT.

Fonte: Ministério Público MT – MT

Leia Também:  Réu é condenado por matar jovem com tiros na cabeça e peito em Sorriso

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA