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Um sol reduzido

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Quem escreve cria sua linguagem aos poucos. Na verdade, o escrevedor precisa aprender a falar com sua própria voz. E é pelo exercício da vida, pela criação de si por si, que chegamos a escrever, e ousaria dizer: a viver.Mas não é fácil. Estamos mais pobres como pessoa. A sociedade moderna tornou-se alheia ao ser humano. Parece que a pessoa virou um objeto estranho no mundo. Resta pouco da pessoa. Há uma busca intensa por dinheiro para nos apossarmos das coisas, e viramos coisas também. É que essa loucura pelo dinheiro e posses reduz a gente.O ser humano para tentar superar essa redução sofrida, esse sentimento de vazio interior, de impotência, coloca na coisa, que se apossou pelo dinheiro, seu amor, sua inteligência, sua coragem, sua honra, as suas próprias qualidades humanas, e se esvazia ainda mais.Nem lembra que possuir é quase uma ilusão. Não é possível possuir-se a si mesmo, nem mesmo as coisas do mundo podem ser realmente possuídas. Mesmo que tenhamos algo materialmente, não temos acesso ao seu mistério, à sua essência. Não conseguimos acessar plenamente nem o mundo, nem a nós mesmos.A linguagem lógica do escritor não passa de um elemento, e um elemento desvivo, da linguagem total.Parece difícil para alguns viver com apenas o suficiente, já que tudo é feito para que nunca seja suficiente. Mas esse é o único jeito para que as coisas não roubem nossa liberdade.Temos que aprender a galopar para dentro, ir às ruínas, fazer escavações e descobrir, a partir dos restos visíveis, a parte sepultada. Não dá para aceitar que cada ser seja somente aquilo que pareça, deve-se reconhecer o direito de ser para além dos limites do visível.A linguagem nos ajuda a respirar bem, por ela o mundo vem respirar em nós, vem curar nossas asmas fonéticas e semânticas, nossa angústia, nossa diminuição humana. Ensina o doente angustiado a boa respiração. Assim como o bom pintor constrói seu olhar e o bom cantor constrói sua voz, constrói você sua linguagem. A linguagem da pessoa é um sol reduzido, portátil. É o sol de um mundo. O universo gira em torno de você, amigo leitor!

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Liminar suspende publicidade da MRV que anuncie ITBI e registro grátis

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A 6ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Cuiabá obteve liminar favorável para que as empresas MRV Prime Projeto MT B Incorporações SPE Ltda. e MRV Engenharia e Participações S/A suspendam, no prazo de 10 dias, em todos os meios de divulgação, o uso das expressões “grátis” e “gratuidade” em relação ao Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e às taxas de registro imobiliário. A determinação se aplica sempre que houver previsão contratual de reembolso, direto ou indireto, ou de repasse desses custos ao consumidor. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 200 mil.A decisão foi proferida no âmbito de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), que identificou indícios de práticas abusivas na comercialização de imóveis pelas empresas. Conforme apurado, as construtoras veiculavam campanhas publicitárias com promessas de “ITBI grátis” e “registro grátis”, induzindo os consumidores a acreditar que essas despesas seriam integralmente assumidas pelas fornecedoras.Entretanto, os contratos celebrados previam, na prática, o repasse desses valores aos compradores, ainda que sob outras denominações, como forma de reembolso parcelado. De acordo com a promotora de Justiça Valnice Silva dos Santos, a divergência entre a publicidade e as cláusulas contratuais pode caracterizar publicidade enganosa, em afronta ao Código de Defesa do Consumidor.A ação também apontou falta de clareza nas condições de pagamento. Segundo o Ministério Público, em alguns casos, as parcelas da entrada eram apresentadas como fixas ou decrescentes, mas sofriam reajustes ao longo do contrato, com base em índices como Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) e Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acrescidos de juros. Essa sistemática comprometeria o planejamento financeiro dos consumidores e dificulta a compreensão do custo total do imóvel.Além da suspensão da publicidade considerada irregular, a decisão judicial determinou a inversão do ônus da prova, atribuindo às empresas a responsabilidade de demonstrar que prestaram informações adequadas e transparentes aos consumidores e que os contratos atendem às normas legais. Também foi determinada a suspensão dos processos individuais em tramitação no estado sobre o mesmo tema, com o objetivo de evitar decisões conflitantes e assegurar tratamento uniforme às demandas, concentrando a análise na ação coletiva.

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Foto: Arne Müseler.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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