Política MT
Os desafios da mobilidade urbana para o desenvolvimento de Cuiabá
Publicado em
7 de abril de 2025por
Da Redação
No ano em que Cuiabá completa 306 anos, no dia 8 de abril, a capital mato-grossense enfrenta desafios históricos, agravados por um crescimento urbano acelerado e uma infraestrutura que, em muitas áreas, não acompanhou a expansão populacional e econômica da cidade.
Em meio a esses obstáculos, as obras do BRT (Bus Rapid Transit) surgem como uma solução promissora para melhorar o transporte público e a fluidez do tráfego. No entanto, a implantação desse sistema de transporte rápido não está isenta de controvérsias e impactos significativos na vida dos cuiabanos.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), defende e contribui com o diálogo entre poder público, comerciantes, moradores e especialistas para a construção de um modelo de mobilidade urbana mais eficiente e acessível, que atenda às necessidades de todos os cidadãos e que contribua para a qualidade de vida na capital mato-grossense.
De acordo com o deputado Lúdio Cabral (PT), o projeto do BRT em Cuiabá, com foco na construção de corredores exclusivos para ônibus, visa aumentar a eficiência do transporte público, reduzir congestionamentos e tornar a cidade mais acessível para todos. O sistema promete oferecer uma alternativa rápida e confortável em uma cidade onde a dependência do transporte coletivo é alta, mas a qualidade do serviço nem sempre corresponde à demanda.
“O BRT é um modelo de transporte que dará qualidade de vida para aproximadamente um milhão de habitantes entre Cuiabá e Várzea Grande. É dever nosso fiscalizar para que essas obras terminem e a população possa usufruir desse transporte. Apresentei um Projeto de Lei n°1308/24, que prevê tarifa barata no valor de um real, para reparar esses 10 anos de sofrimento de trabalhadores, comerciantes que aguardam a conclusão do modal. O governo arrecadou com a venda dos vagões do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), quase um bilhão de reais, com isso, proponho a utilização de 200 milhões de reais a serem usados como subsídio e manter a tarifa a preço acessível à população”, disse Lúdio.
O BRT pode contribuir para uma maior integração entre as diferentes áreas de Cuiabá e contribuir para melhor o trânsito da capital.
Foto: Luciano Campbell/ALMT
Para os comerciantes e moradores locais, as intervenções nas vias têm trazido transtornos, como a perda de estacionamento, o fechamento de ruas e a dificuldade de acesso ao comércio local. Durante os horários de pico, a situação se torna ainda mais delicada, com congestionamentos frequentes e a circulação de pedestres dificultada pela mudança na infraestrutura.
“Desde a década passada, se iniciou uma novela com o modal que prometeu revolucionar o trânsito em Cuiabá e Várzea Grande. Porém, vários fatores impediram a conclusão das obras eram previstas, à princípio, para serem finalizadas no final de 2022. Ocorreram a troca do VLT (Veículo leve sobre trilhos) para BRT e, posteriormente, o rompimento de contrato com a empresa Consórcio BRT. Enfim, vamos continuar fiscalizando e no mês de maio faremos mais uma audiência pública para saber como está o andamento dessas obras”, complementou o parlamentar. As obras do BRT estavam orçadas inicialmente em R$ 468 milhões, desse montante, o estado pagou R$ 117 milhões ao Consórcio.
Integração – Ao conectar regiões periféricas ao centro da cidade, o BRT pode contribuir para uma maior integração entre as diferentes áreas de Cuiabá e contribuir para melhor o trânsito da capital. Para o deputado Wilson Santos, (PSD), o BRT é uma medida necessária para o crescimento de Cuiabá, mas não é a solução definitiva para os desafios da mobilidade urbana.
“Cuiabá cresceu muito desde que iniciou a discussão sobre o modal VLT e depois BRT. É preciso que as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande discutam uma construção de um novo plano vário envolvendo a região metropolitana. O BRT não vai resolver os congestionamentos das Avenidas, Fernando Correia, da Torres, Carmindo de Campos, Filinto Muller. Cuiabá precisa de mais vias e avenidas, de novos viadutos, novas trincheiras, novas soluções. O BRT é uma solução pontual e não global para mobilidade urbana. A ALMT, por meio do nosso presidente, deputado Max Russi (PSB), nos orientou a continuar exercendo nossa prerrogativa que é a de fiscalizar”, enfatizou Wilson.
Em fevereiro deste ano, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi, apresentou uma Indicação (nº 812/2025) solicitando o fracionamento da licitação da obra do BRT em Cuiabá e Várzea Grande. “É preciso garantir que o BRT seja concluído com transparência, qualidade e celeridade que os cidadãos merecem”, destacou Max Russi.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Após atuação da ALMT, STF reconhece cumprimento por MT à apresentação de propostas sobre divisa entre Mato Grosso e Pará
Published
19 horas agoon
16 de setembro de 2026By
Da Redação
A atuação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na discussão sobre a divisa entre Mato Grosso e Pará alcançou uma nova etapa no Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão proferida pelo ministro Flávio Dino, no último dia 11, na Ação Rescisória nº 2.964, o relator reconheceu como cumprida por Mato Grosso a etapa destinada à apresentação de propostas adicionais de acordo e determinou que o estado do Pará se manifeste sobre elas no prazo de 30 dias.
A decisão representa um avanço na estratégia institucional desenvolvida nos últimos meses pela ALMT. As propostas construídas pela Procuradoria-Geral da Assembleia foram incorporadas à estratégia de Mato Grosso para que a discussão não fique restrita à definição territorial e à regularização fundiária, mas alcance também os impactos concretos da mudança de divisa sobre a população.
Na Procuradoria-Geral da ALMT, a construção das teses e das manifestações apresentadas ao Supremo vem sendo conduzida pelos procuradores Ricardo Riva e Bruno Willames Cardoso Leite. Eles são responsáveis pela formulação da linha jurídica que colocou no centro da discussão a continuidade dos serviços públicos e a necessidade de uma transição organizada entre os dois Estados.
Desde o último mês junho, de acordo com Bruno Willames, a Procuradoria da Assembleia passou a defender perante o STF que a solução para o conflito territorial centenário não poderia se resumir à definição de quem é proprietário ou de qual estado determinada área pertence.
“Era necessário enfrentar também questões como saúde, educação, transporte escolar, estradas, segurança pública, sanidade animal, tributação, regularização ambiental, atividade produtiva, ressarcimento de despesas e continuidade dos serviços atualmente prestados por Mato Grosso e seus municípios”, afirmou o procurador.
De acordo com o procurador, a atuação tem respaldado a participação institucional da Assembleia Legislativa na discussão e aproximação com os municípios diretamente atingidos pelo conflito. “A estratégia da ALMT tem buscado levar ao processo não apenas argumentos jurídicos, mas informações produzidas pelas prefeituras, representantes das comunidades e setores econômicos que convivem diariamente com os efeitos da indefinição histórica da divisa”, afirmou.
Na nova decisão, o relator Flávio Dino registrou detalhadamente a proposta apresentada por Mato Grosso, incluindo a criação de uma Mesa Técnica de Trabalho Mato Grosso e Pará, com participação dos municípios, e a construção de uma solução piloto para a região da Serra dos Apiacás, envolvendo inicialmente Apiacás, Paranaíta e Alta Floresta, em Mato Grosso, e Jacareacanga e Novo Progresso, no Pará.
O ministro considerou que a manifestação apresentada por Mato Grosso em 31 de agosto, materializando o cumprimento da obrigação do acordo celebrado anteriormente entre os dois estados. Com isso, Flávio Dino determinou que o Pará seja intimado para se manifestar, em 30 dias, sobre as propostas.
Após a manifestação paraense, segundo o procurador, Mato Grosso terá prazo de 10 dias úteis. Em seguida, o processo retornará ao gabinete do relator para novas providências, havendo ainda previsão de que as partes possam requerer nova audiência de conciliação para tratar dos pontos que permanecerem controvertidos.
A decisão também reconheceu o avanço dos trabalhos na área fundiária. O ministro registrou a apresentação por Mato Grosso de cadeias dominiais, parecer técnico sobre a metodologia cartográfica histórica, mapas, cartografias, arquivos em formato shapefile e títulos definitivos emitidos pelo Intermat, considerando cumpridas pelo Estado as etapas correspondentes do acordo.
“Agora, caberá também ao Pará, no prazo determinado pelo STF, apresentar o compilado de dados dos imóveis necessário para que sejam requisitadas aos cartórios as respectivas cadeias dominiais”, afirmou o procurador.
Para o procurador Ricardo Riva, um dos responsáveis pela estratégia jurídica da ALMT no caso, a participação da Assembleia busca assegurar que a transição territorial seja acompanhada por soluções administrativas capazes de funcionar na prática.
“A regularização fundiária é indispensável, mas existe uma população inteira vivendo nessa região. Saúde, educação, estradas, segurança, produção e os demais serviços públicos precisam continuar funcionando durante e depois dessa transição. Foi essa preocupação que levou a Assembleia a ampliar a discussão perante o Supremo”, destacou Riva.
O procurador Bruno Willames Cardoso Leite ressalta que a nova fase permite transformar problemas identificados ao longo dos trabalhos em propostas concretas de cooperação entre os entes públicos.
“Desde o início defendemos que não seria suficiente resolver a terra e deixar as pessoas para depois. A definição territorial precisa vir acompanhada de uma transição segura, com responsabilidades claras e participação dos municípios que conhecem e atendem essa população diariamente. Agora o Pará terá oportunidade de se manifestar sobre essas propostas e apresentar também suas soluções”, afirmou o procurador.
A Assembleia Legislativa, de acordo com o procurador Bruno Willames, continuará reunindo informações dos municípios enquanto transcorre o prazo concedido pelo STF, a Procuradoria-Geral da ALMT continuará trabalhando na reunião de informações sobre a realidade da região, especialmente dados relativos aos serviços efetivamente prestados por Mato Grosso e pelos municípios às comunidades localizadas do lado paraense da divisa.
Documentos já obtidos demonstram, por exemplo, atendimentos realizados pela rede pública de saúde de Mato Grosso a moradores do Pará. Esse tipo de informação deverá auxiliar na construção de soluções para continuidade dos serviços e eventual divisão de responsabilidades entre os entes públicos.
A Assembleia também pretende continuar ouvindo prefeitos, gestores, produtores e moradores das áreas atingidas, fortalecendo a participação dos municípios na próxima etapa da conciliação.
Fonte: ALMT – MT
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