POLÍTICA NACIONAL

Projeto prevê subsídio para companhias aéreas operarem rotas regionais no Norte

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Um projeto apresentado no Senado prevê incentivo econômico às empresas aéreas regularmente inscritas no Programa de Aviação Regional da Região Norte (Parno). De acordo com a proposta, o apoio da União será destinado ao pagamento das tarifas de navegação aérea previstas para os aeroportos regionais e, ainda, ao pagamento de parte dos custos de até 60 passageiros transportados em trechos que tenham como origem ou destino aeroporto regional — assim classificado o aeroporto de pequeno ou médio porte, com movimentação (pessoas embarcadas e desembarcadas) inferior a um milhão de passageiros por ano. O texto estabelece que a subvenção será limitada à utilização de até 20% dos recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC),

O Parno é criado pelo Projeto de Lei (PL) 1.600/2025, de autoria do senador Dr. Hiran (PP-RR). O texto tramita na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) e aguarda relatório do senador Alan Rick (União-AC). A seguir, o texto será apreciado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a qual caberá a decisão final sobre a matéria.

De acordo com o projeto de lei, a subvenção será concedida somente para o pagamento dos custos relativos às tarifas devidas em decorrência da operação de voos regulares domésticos e de ligações aéreas sistemáticas em aeroportos regionais da região Norte, que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

O texto estabelece também que as subvenções serão concedidas somente para empresas prestadoras de serviços aéreos regulares de transporte de passageiros e para empresas que operam ligações aéreas sistemáticas. As subvenções serão pagas após, no mínimo, 30 dias de operação regular da rota, mediante o compromisso de continuidade da operação por, no mínimo, 180 dias após cada pagamento.

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Critérios

Ainda de acordo com o projeto, as subvenções serão calculadas em função do aeroporto atendido, dos quilômetros voados e do consumo de combustível, entre outros critérios, conforme regulamentação.

As empresas interessadas em aderir ao Parno deverão assinar contrato com a União, que conterá as cláusulas mínimas previstas no regulamento. Todas as empresas interessadas em operar determinada rota regional que atendam aos requisitos legais e regulamentares para concessão de subvenção econômica deverão ser contempladas.

Se descumprirem as regras, as empresas deverão devolver os valores recebidos a título de subvenção, equivalente ao período restante da operação prevista originalmente, corrigidos pelo índice oficial de inflação, nos 180 dias anteriores à desistência da operação da rota.

Caso o projeto seja aprovado, caberá ao Poder Executivo a regulamentação do Parno, especialmente em relação às condições gerais para concessão de subvenções; às obrigações das empresas participantes e penalidades em caso de descumprimento; aos critérios de alocação dos recursos disponibilizados; às condições operacionais para pagamento e controle da subvenção econômica; aos critérios adicionais de priorização da concessão da subvenção econômica; e a periodicidade do pagamento às empresas aéreas.

A previsão é que o Parno vigore por cinco anos, prorrogável pelo menos por igual período, mediante recomendação prevista em relatório anual do Poder Executivo.

Justificativa

A Lei 13.097, de 2015, buscou estabelecer um programa nacional de aviação regional, “que ficou só no papel”, ressalta Dr. Hiran na justificativa do projeto. A lei previa a prioridade da Amazônia Legal sobre as demais regiões brasileiras no recebimento de recursos. Esse programa, ainda que fosse bem sucedido, teria se encerrado em janeiro deste ano, já que a lei previa sua vigência por no máximo 10 anos, destaca o autor do PL 1.600/2025.

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“Em função dessa lacuna legal, propomos a criação de um novo programa, porém especificamente direcionado à região Norte do Brasil. Em que pese ser importante promover o acesso por transporte aéreo no interior de todos os nossos estados, a realidade é que a rodovia é uma opção viável, embora não necessariamente desejável, no Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Já na região Norte, muitas vezes, na ausência do transporte aéreo, dependemos exclusivamente do modo hidroviário”, destaca o senador.

O autor do projeto aponta que Boa Vista, capital de Roraima, estado que representa no Senado, está chegando a meio milhão de habitantes. O senador observa ainda as dificuldades que as cidades da região Norte – à exceção de Manaus e Belém – passam para se conectarem à malha aérea nacional. São voos caros, infrequentes, com embarques nas madrugadas, que obrigam os passageiros muitas vezes a fazer conexões no estado de São Paulo, mesmo que a viagem seja para outro estado da região Norte, afirma.

Dr. Hiran ressalta que o PL 1.600/2025 mantém os dois vetores para diminuição de custos operacionais já presentes na lei de 2015: pagamento de tarifas de navegação aérea e subsídio parcial a rotas deficitárias.

“Não se trata, que fique claro, de intervenção governamental sobre os preços do transporte aéreo, o que é vedado pela legislação. O preço continua livre, mas a disponibilidade de subsídios atrairá operadores que hoje não conseguem viabilizar sua operação, aumentando a oferta e a concorrência, baixando custos operacionais e, por fim, o que mais interessa, baixa no preço final para passagens”, conclui o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Comissão aprova dedução integral de gastos com educação de pessoas com deficiência no IR

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A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou proposta que permite a dedução integral de despesas com educação das pessoas com deficiência da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF). Hoje, a Lei 9.250/95 permite a dedução de até o limite de R$ 3.561,50 para gastos com educação do contribuinte e de seus dependentes.

Pela proposta, a inexistência ou a não implementação dos instrumentos de avaliação de deficiência, como determinado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15), não impedirá a garantia da dedução integral.

O texto aprovado é o substitutivo do deputado Amom Mandel (Republicanos-AM) ao Projeto de Lei 242/26, do deputado Jonas Donizette (PSB-SP). O projeto original permite que as despesas com instrução de pessoas com deficiência física ou mental em escolas de ensino regular ou especializado sejam deduzidas do Imposto de Renda como despesas médicas — e não como despesas de educação.

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Segundo Mandel, muitas das despesas com educação de pessoas com deficiência estão na fronteira entre aquelas consideradas de saúde ou de educação. “É o caso, por exemplo, de gastos com apoio pedagógico especializado, acompanhamento por profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais no ambiente escolar”, afirmou.

Amom Mandel também citou a necessidade do uso de recursos e tecnologias assistivas indispensáveis ao processo de aprendizagem.

O deputado lembrou que há norma infralegal (Decreto 3.000/99) que enquadra as despesas com educação de pessoas com deficiência como se fossem de saúde, para fins tributários. O Supremo Tribunal Federal (STF) também confirmou esse entendimento. Porém, segundo Mandel, a Receita Federal não está obrigada a seguir essa decisão. Assim, para garantir o direito, muitas famílias entram na Justiça.

“O projeto reafirma os deveres estatais de promover a plena inclusão educacional das pessoas com deficiência, assegurar a igualdade de oportunidades e de acesso ao sistema educacional inclusivo e reduzir as barreiras econômicas que  frequentemente dificultam o pleno desenvolvimento educacional desse público”, declarou Mandel.

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Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada por Câmara e Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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