Tribunal de Justiça de MT
5ª edição do TJMT Inclusivo em Rondonópolis fortalece diálogo sobre autismo e inclusão
Publicado em
17 de outubro de 2025por
Da Redação
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige da sociedade muito mais do que conhecimento técnico – requer empatia, respeito e valorização das singularidades de cada pessoa. Com esse propósito, o TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo chegou à sua 5ª edição nesta sexta-feira (17 de outubro), em Rondonópolis e reúne cerca de 1400 pessoas, de forma presenc ial e online.
O evento, realizado em formato híbrido, teve sua abertura conduzida pelo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira.
“A verdadeira acessibilidade vai além das estruturas físicas. Espero que o dia de hoje nos traga paz, harmonia, sabedoria, para que possamos sair do evento com o caminho já marcado para a inserção. Em nome da desembargadora Nilza Maria, do desembargador Márcio Vidal, da Escola da Magistratura, cumprimento cada presença pela iniciativa, pela humanidade.
O presidente pontuou que existem encontros que não se medem pelo número de cadeiras, mas pela intensidade e pelo silêncio que se quebra. Este é um desses momentos, num território de escuta, onde o saber se curva e o olhar aprende a ver o invisível. Uma partilha de mundos. Falamos como quem deseja compreender o ritmo próprio de cada existência. Porque há pessoas que não cabem nas molduras da festa e caminham por trilhas menos ruidosas e nos ensinam que a diferença não é desvio, é direção.
“O ativista Nicolas Brito nos oferece uma frase que é um chamado à liberdade: ‘o lugar do autista é onde ele quiser’. Que essa frase seja uma provocação e nos transforme. Nasce aqui uma nova garantia do cuidado, sem vírgulas de exclusão, sem parênteses e sem ponto final ao afeto”, disse.
A iniciativa, promovida pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão, presidida pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, oferece formação para servidores, magistrados, profissionais da saúde e da educação, familiares, estudantes e sociedade em geral, destacando a importância de derrubar barreiras atitudinais, comunicacionais e arquitetônicas para a construção de uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.
Para a magistrada, a iniciativa evidencia que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso vai além da aplicação das leis, atuando também na construção de caminhos pautados pela escuta sensível, pela empatia e pela formulação de políticas públicas eficazes voltadas à inclusão das pessoas com autismo. Ela reforçou que a iniciativa está alinhada com a Resolução CNJ nº 401/2021, que estabelece diretrizes de acessibilidade no Poder Judiciário:
“Primeiramente, é preciso possibilitar o conhecimento dos diagnósticos, dos sintomas e de como procurar tratamento. Capacitar magistrados e servidores sobre como acolher pessoas autistas quando vierem ao Fórum. O Tribunal de Justiça não está aqui apenas para julgar recursos e processos, mas sim para ajudar a sociedade a resolver problemas que a afligem”, citou.
Destacando o olhar humanizado implantado pela atual gestão do TJMT, a juíza diretora do Fórum de Rondonópolis, Aline Bissoni, afirmou: “não conheço ninguém que possa representar melhor essa pauta dentro do nosso Tribunal do que a senhora desembargadora — sem desmerecer nenhum outro membro, é claro. Digo isso porque conheço seu coração, sua dedicação genuína e sem vaidade em tudo o que faz. Por isso, fico muito feliz em ver que, dentro da nossa instituição, temos hoje um olhar tão humano. O Poder Judiciário tem se humanizado cada vez mais.”
Conforme a juíza, o conhecimento que será compartilhado neste evento, que é de altíssimo nível, será valioso. “Quanto mais conhecimento for difundido, melhor para todos nós. Não só enquanto profissionais, mas também enquanto seres humanos. Para mim, é um privilégio fazer parte de uma instituição que hoje tem essa visão. Tenho muito orgulho do nosso tribunal por isso, e parabenizo a desembargadora pela iniciativa”.
Citando os inúmeros desafios frente às medidas de acolhimento e respeito à neurodivergência, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, destacou que o debate trará importantes transformações. “Mais do que simplesmente olhar para o autismo enquanto diagnóstico, é preciso olhar para a pessoa com autismo, enxergá-la em sua totalidade. Esse é um trabalho que só pode ser feito de forma conjunta, com diálogo e engajamento entre as instituições e a sociedade. O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso entendeu isso com clareza. Nós não vamos promover coesão social apenas por meio de sentenças. É preciso que todas as instituições estejam presentes na criação, no debate e na busca por soluções reais para os problemas que a sociedade enfrenta.”
Com carga horária de 24 horas e transmissão ao vivo peloYouTube do TJMT, o projeto TJMT Inclusivo, dedicado ao tema do autismo, reúne uma série de palestras e atividades voltadas à conscientização e à inclusão.
Intensa programação
A formação, ao longo desta sexta-feira (17 de outubro), proporcionará a servidores, magistrados e ao público em geral conhecer mais sobre o ativista autista Nicolas Brito Sales, que discorrerá sobre o direito de estar e pertencer com o tema “Lugar de autista é onde ele quiser estar”.
A doutora em neurociências Anita Brito abordará o tema “Inclusão social e neurodiversidade”, enquanto o neurologista pediátrico Dr. Marino Miloca tratará da temática “Atualizações e impactos do autismo na sociedade”.
A psicóloga Paola Barcellos enfocará o reconhecimento dos sinais e critérios diagnósticos atuais, e Adriana Ferreira de Souza, servidora do TJMT, promoverá um intenso e profundo debate com o “Depoimento de mãe atípica e meditação de fortalecimento interior”. Já a psicóloga Érica Rezende Barbieri discutirá os desafios do diagnóstico de autismo na vida adulta, e Luciano José Denti destacará a importância do cuidado humanizado com famílias atípicas no contexto terapêutico.
A programação também conta com a palestra da fisioterapeuta Francieli Martins, sobre o papel da fisioterapia no desenvolvimento de crianças atípicas e condições neuropsicomotoras. O encerramento será marcado pela análise dos magistrados Antonio Veloso Peleja Júnior e Renata do Carmo Evaristo Parreira, que apresentaram casos sob a ótica jurídica com o tema “O TEA sob a ótica dos tribunais”.
A 5ª edição do projeto TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo é promovida pela Comissão de Acessibilidade, em parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e a Escola dos Servidores.
A edição em Rondonópolis soma-se a outras já realizadas em Cáceres, Sinop, Sorriso e Cuiabá, e reflete o compromisso do Tribunal em percorrer todo o estado levando informação e capacitação. As atividades em Rondonópolis ocorrem no Centro de Eventos da ADNA – Rondonópolis.
Participaram da solenidade de abertura: o presidente do TJMT, José Zuquim Nogueira; a desembargadora Nilza Pôssas de Carvalho; o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira de Souza; o juiz Wanderlei José dos Reis, titular da Segunda Vara Especializada de Família e Sucessões de Rondonópolis; as juízas Cristhiane Trombini Puia Baggio e Maria das Graças Gomes da Costa, da Terceira Vara Criminal e Vara Especializada da Infância e Juventude, respectivamente; a primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris, a promotora de Justiça, Ivanete Bernardez; a vice-presidente da OAB – seccional Rondonópolis, Priscila Santos Raimundi; a reitora da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Analy Castilho Polizel de Souza; magistrados, professores, representantes de entidades de classe, da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso e público em geral.
Acesse fotos do evento no Flickr do TJMT
Confira também a cobertura pelo Instagram do TJMT: @tjmtoficial
Autor: Patrícia Neves
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos
Published
10 horas agoon
22 de junho de 2026By
Da Redação
A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.
A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.
Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.
Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.
Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.
Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.
Construção coletiva fortalece a magistratura
A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.
Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.
A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.
Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.
No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.
Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.
Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.
Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo: Rodrigo Moura
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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