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Comarca de Colíder forma quase 30 novos facilitadores de círculo de construção de paz

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Quase 30 novos facilitadores de círculo de construção de paz foram formados em um curso realizado, na semana passada, na Comarca de Colíder, por meio do termo de cooperação firmado entre o Poder Judiciário e o Município, que inclusive conta com a Lei nº 3.363/2024, que criou o Programa Municipal de Práticas de Construção de Paz na rede de ensino, com o objetivo de implantar um conjunto de estratégias inspiradas nos princípios da Justiça Restaurativa, abrangendo atividades pedagógicas e sociais, como a realização de círculos de construção de paz e a formação de facilitadores, por meio da integração entre as instituições.
 
A juíza Érika Cristina Camilo Camin, titular da 1ª Vara de Colíder, conta que, desde janeiro deste ano, quando assumiu o trabalho na Comarca, iniciou as tratativas para implementação da Justiça Restaurativa e do termo de cooperação com o Município para instituição do programa dentro das escolas municipais, tendo em vista que, na rede estadual, já havia a realização de círculos de construção de paz. “Ao longo deste ano, conseguimos tanto a lei municipal como o termo de cooperação com o Município. Com o Estado, já tínhamos o termo. Além disso, nós fechamos alguns termos para realização dos círculos de construção de paz em outras instituições”.
 
Graças a essas parcerias, círculos de construção de paz passaram a ser oferecidos às mulheres privadas de liberdade na cadeia pública de Colíder; às vítimas de violência doméstica, atendidas pela 3ª Vara Criminal; nas escolas municipais e estaduais; no Hospital Regional de Colíder, nos órgãos da rede de proteção, como Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas) e Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Conselhos Tutelares; aos acadêmicos de Psicologia, por exemplo.
 
“Em razão dessa ampliação e contando apenas com 16 facilitadores, que trabalham voluntariamente, nós tivemos a iniciativa para a realização de um novo curso de formação de facilitadores. A partir disso, nós tivemos a aula magna com a Katiane Boschetti, do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa do Tribunal, aqui na comarca, no dia 21 de agosto, que contou com 257 participantes, um número bastante expressivo e que nos empolgou bastante”, relata a juíza Érika Camin.
 
Segundo ela, a grande procura foi decorrente de um trabalho de divulgação feito pessoalmente por ela e pela professora Janaína Irma de Oliveira, cedida pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) ao Poder Judiciário para promover a formação de novos facilitadores. “Os facilitadores que já atuam na comarca fizeram os círculos para que os participantes pudessem conhecer e entender na prática”, conta a magistrada, registrando que a maioria dos facilitadores formados são profissionais da rede estadual de Educação e da rede de proteção de Colíder e outros do município de Nova Canaã do Norte.
 
Devido à grande procura, há uma lista de espera para formação de uma nova turma, o que deve ocorrer em 2025. “Foi uma experiência muito produtiva e acho que todos saíram muito felizes”, comenta a juíza.
 
Círculo de Construção de Paz – É um processo estruturado para organizar a comunicação em grupo, a construção de relacionamentos, a tomada de decisões e resolução de conflitos de forma eficiente. Geralmente é realizado com grupos pequenos, em torno de 10 a 20 pessoas, e tem duração média de duas horas, dependendo do tema a ser trabalhado pelo facilitador.
 
O objetivo dessa prática da Justiça Restaurativa é promover o bem-estar e a saúde emocional, proporcionando um espaço seguro e acolhedor para os participantes compartilharem suas experiências, desafios e emoções. Essa prática pode ajudar a reduzir o estresse, melhorar o clima organizacional e promover a saúde emocional.
 
A realização do círculo é indicada até mesmo na ausência aparente de um conflito, de modo a fortalecer as relações interpessoais e a comunicação, pois os participantes são estimulados a desenvolver um olhar de empatia, escuta ativa e de compreensão mútua.
 
Para saber mais sobre os Círculos de Construção de Paz e o trabalho desenvolvido pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do TJMT, entre em contato pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3617 ou (65) 9 9222-9757.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão de pessoas com deficiência visual. Foto 1: Foto em plano aberto que mostra 26 pessoas posando para a foto e sorrindo, em frente a objetos que estão no chão, utilizados no círculo de construção de paz. Algumas pessoas estão em pé e outras sentadas, à frente. Elas estão em uma sala de aula. Foto 2: Foto dos participantes do curso de facilitadores sentados em círculo em uma sala de aula. Há duas mulheres em pé à frente da sala de aula.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT  
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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19 de abril: datas históricas reforçam a importância da representação dos povos indígenas

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A celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o registro histórico do “Descobrimento” do Brasil, lembrado no mesmo mês (22 de abril), convidam a sociedade brasileira e, em especial, a mato-grossense, à reflexão sobre o papel histórico, social e político dos povos originários. Para o diretor‑geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis‑MT), desembargador Márcio Vidal, a proximidade dessas datas evidencia a necessidade de reconhecer não apenas o passado, mas também os desafios contemporâneos enfrentados pelas populações indígenas.

Segundo o desembargador, é fundamental recordar que, quando os portugueses chegaram ao território que viria a ser chamado de Brasil, ele já era amplamente habitado por povos indígenas, que aqui viviam organizados social, cultural e politicamente. “Os povos indígenas não apenas estavam aqui primeiro, como constituíram, por séculos, uma parcela expressiva da população que formou as bases da nossa sociedade”, destacou.

Presença indígena em território mato-grossense

De acordo com o Censo Demográfico 2022, a população indígena residente no Brasil é de 1.694.836 pessoas, o que corresponde a 0,83% da população total apurada pela pesquisa. O número representa quase o dobro do registrado no Censo de 2010, quando o IBGE contabilizou cerca de 896 mil indígenas, equivalentes a 0,47% da população brasileira à época.

Em um intervalo de 12 anos, esse crescimento corresponde a uma variação positiva de 88,96%, resultado, principalmente, da ampliação da metodologia — com maior alcance em áreas remotas — e do aumento da confiança das pessoas em se autodeclararem indígenas, refletindo avanços no reconhecimento de sua própria identidade.

Em Mato Grosso, esse debate ganha ainda mais relevância diante da expressiva presença indígena no Estado. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso abriga cerca de 58 mil indígenas, sendo um dos estados com maior diversidade étnica do país. São 195 etnias reconhecidas, número que representa um crescimento significativo em relação ao último levantamento do Censo.

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Participação política

Infográfico do IBGE intitulado "O Brasil Indígena" com dados da distribuição espacial da população em Mato Grosso no Censo 2022. Uma tabela detalha que, do total de 58.356 indígenas no estado, 82,66% vivem em áreas rurais e 17,34% em áreas urbanas. Os dados revelam ainda que 45.175 pessoas residem dApesar dessa relevância histórica, o desembargador ressalta que os povos indígenas ainda enfrentam obstáculos significativos quanto à participação política efetiva nos espaços de poder. “O Parlamento é o ambiente onde se constroem as regras de convivência humana. A ausência ou a baixa representatividade indígena nesses espaços contribui para que suas demandas sejam, muitas vezes, tratadas como secundárias”, alertou.

Ao refletir sobre a realidade atual dos povos indígenas, Vidal fez referência ao pensamento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, que chama atenção para o fato de que os povos indígenas não constituem uma minoria, mas sim uma ampla parcela da sociedade historicamente excluída dos espaços de decisão. Para o magistrado, garantir representação indígena nos três níveis de poder político — municipal, estadual e federal — é medida essencial para a promoção da justiça social e da preservação cultural.

“A participação política não é um privilégio, mas um direito. É por meio dela que os povos indígenas podem cooperar diretamente com a formulação de políticas públicas voltadas à proteção de seus territórios, à preservação de suas culturas e à defesa de seus modos de vida”, frisou.

Vidal também enfatizou o papel das instituições, do próprio Poder Judiciário e da formação jurídica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais inclusiva. “Refletir sobre essas datas é um exercício de cidadania. A Esmagis‑MT entende que fomentar o debate sobre direitos fundamentais, diversidade cultural e inclusão política também é parte de sua missão institucional”, concluiu.

Umanizzare: diálogo e efetivação de direitos

Esse compromisso com a promoção dos direitos e da dignidade dos povos originários também se reflete nas ações institucionais da Esmagis‑MT. Em 2025, a Escola promoveu a sexta edição do Umanizzare, encontro que reuniu magistrados, acadêmicos e especialistas para debater cidadania, saúde e direitos humanos dos povos indígenas.

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Ao abrir o evento, o desembargador Márcio Vidal destacou que se trata de um tema sensível e de interesse de toda a sociedade, ressaltando que o desafio não está apenas na existência de normas constitucionais, tratados internacionais e legislações infraconstitucionais, mas na efetivação desses direitos.

Para ele, é necessário despertar a consciência de quem aplica o Direito e fortalecer a inclusão dos povos indígenas, reconhecendo que foram eles os primeiros habitantes deste território e que não podem permanecer à margem das estruturas sociais e institucionais.

Representatividade

Apesar de Cuiabá estar inserida em um Estado com expressiva população indígena e crescente protagonismo de lideranças originárias, a capital mato-grossense ainda não conta, na atual legislatura, com parlamentares indígenas na Câmara Municipal. Já o Estado possui 11 vereadores indígenas empossados para o mandato de 2025-2028, representantes de etnias como os Xavante, Bakairi e Bororo.

Exatamente nesta semana (15 de abril), Mato Grosso registrou um fato inédito: Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira de deputada estadual na história do estado. Ela assumiu como suplente na vaga do deputado Lúdio Cabral (PT), que se licenciou por 30 dias. A posse foi realizada às vésperas do Dia Nacional dos Povos Indígenas, o que reforça o simbolismo do momento.

Clique neste link para se informar sobre o Brasil Indígena.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Dados e imagens do IBGE

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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